quarta-feira, 5 de agosto de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura da Profecia de Naum 2,1.3; 3,1-3.6-7 - 07.08.2026

Sexta-feira, 7 de Agosto de 2026
18ª Semana do Tempo Comum, Ano Par (II)

Ai de ti, alma que transforma a verdade em sombra, pois toda existência afastada da luz eterna recolhe, em si mesma, o fruto de sua própria desordem interior.


Lectio Prophetiae Nahum, II, I.III; III, I-III.VI-VII

II

I. Ascendit qui dispergat coram te, qui custodiat obsidionem. Contemplare viam, conforta lumbos, robora virtutem valde.

1. Eis que se levanta aquele que há de dispersar diante de ti e romper o cerco que te aprisiona. Contempla o caminho, fortalece o íntimo de teu ser e firma profundamente a tua força, para que permaneças atento diante daquilo que Deus faz nascer no silêncio.

III. Clypeus fortium ejus ignitus, viri exercitus in coccineis, igneae habenae currus in die praeparationis ejus, et agitatores consopiti sunt.

3. O escudo dos seus valentes resplandece como fogo, e os homens do exército estão revestidos de vermelho. As rédeas dos carros ardem no dia de sua preparação, enquanto os condutores permanecem como que tomados pelo sono. Assim, aquilo que parece força exterior revela também a fragilidade de tudo o que não permanece diante da eternidade.

III

I. Vae civitas sanguinum, universa mendacii dilaceratione plena! Non recedet a te rapina.

1. Ai da cidade marcada pelo sangue, inteiramente dilacerada pela mentira e repleta de desordem. A rapina não se afastará de ti enquanto o coração permanecer distante da verdade e aprisionado àquilo que passa.

II. Vox flagelli, et vox impetus rotae, et equi frementis, et quadrigae ferventis, et equitis ascendentis.

2. Ouve-se a voz do açoite, o estrondo do ímpeto das rodas, o relinchar do cavalo e o movimento ardente dos carros, enquanto se levanta o cavaleiro. Tudo aquilo que irrompe com violência manifesta a agitação de uma existência que perdeu a quietude de seu centro.

III. Et micantis gladii, et fulgurantis hastae, et multitudinis interfectae, et gravis ruinae; nec est finis cadaverum, et corruent in corporibus suis.

3. Brilha a espada e fulgura a lança, enquanto se multiplica a destruição e se torna pesada a ruína. Não há fim para os corpos abatidos, e eles caem sobre aquilo que resta de sua própria existência. Assim se revela a transitoriedade de toda grandeza que se afasta da verdade e transforma o poder passageiro em fundamento de sua própria permanência.

VI. Et projiciam super te abominationes, et contumeliis te afficiam, et ponam te in exemplum.

6. Lançarei sobre ti aquilo que é abominável, exporei diante de ti aquilo que ocultaste e te colocarei como exemplo. Aquilo que permanece escondido no interior não pode permanecer indefinidamente oculto diante da verdade, pois chega o momento em que o ser é chamado a contemplar aquilo que realmente se tornou.

VII. Et erit. Omnis qui viderit te resiliet a te, et dicet. Vastata est Ninive. Quis commovebit super te caput? Unde quaeram consolatorem tibi?

7. E acontecerá que todo aquele que te contemplar se afastará de ti e dirá. Ninive está devastada. Quem poderá inclinar-se sobre ti em compaixão. Onde encontrarei alguém que possa trazer-te consolação. Assim desaparece aquilo que parecia invencível, e permanece somente a verdade diante da qual nenhuma aparência pode subsistir.

Reflexão:

A alma precisa atravessar o ruído exterior para reencontrar o silêncio onde sua verdade permanece.

Tudo aquilo que nasce da soberba possui em si mesmo a semente da própria queda.

Aquele que governa os movimentos interiores encontra uma força que não depende das circunstâncias.

O coração amadurece quando aprende a permanecer firme diante daquilo que passa.

Nenhuma grandeza exterior consegue sustentar aquilo que perdeu sua ordem diante do eterno.

A verdade pode permanecer oculta durante algum tempo, mas não deixa de chamar a consciência ao despertar.

Quando tudo o que é passageiro se desfaz, permanece aquilo que foi verdadeiramente formado no interior.

A alma que se recolhe em Deus encontra, no silêncio, a direção que nenhuma agitação exterior pode oferecer.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

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