Deus elevou este Jesus à plenitude viva, e nós somos testemunhas quando, no íntimo, a consciência desperta reconhece Sua presença contínua além de toda sucessão temporal
Lectio Actuum Apostolorum, II, XIV. XXII–XXXII
XIV. Stans autem Petrus cum undecim, levavit vocem suam, et locutus est eis Viri Iudaei, et qui habitatis Ierusalem universi, hoc vobis notum sit, et auribus percipite verba mea.
14. Então Pedro, colocando-se de pé com os onze, elevou a sua voz e falou. Esse erguer-se não é apenas físico, mas expressão do despertar interior que chama a consciência a escutar além do fluxo disperso dos acontecimentos.
XXII. Viri Israelitae, audite verba haec Iesum Nazarenum, virum approbatum a Deo in vobis virtutibus et prodigiis et signis, quae fecit per illum Deus in medio vestri, sicut et vos scitis.
22. Israelitas, escutai estas palavras. Jesus manifesta-se como presença viva que se revela no interior da experiência humana, onde o extraordinário não rompe o real, mas o revela em sua profundidade.
XXIII. Hunc, definito consilio et praescientia Dei traditum, per manus iniquorum affigentes interemistis.
23. Ele foi entregue segundo um desígnio que ultrapassa o entendimento imediato. A ação humana, mesmo quando limitada, não impede o desvelar do que permanece além de toda fragmentação.
XXIV. Quem Deus suscitavit, solutis doloribus inferni, iuxta quod impossibile erat teneri illum ab eo.
24. Deus o elevou, rompendo os limites da morte. Aquilo que é pleno não pode ser retido, pois pertence à dimensão onde nada se dissolve nem se perde.
XXV. David enim dicit in eum Providebam Dominum in conspectu meo semper, quoniam a dextris est mihi, ne commovear.
25. Davi afirma manter o olhar constante no Senhor. Essa permanência indica o estado em que a consciência se fixa no que não oscila, encontrando estabilidade no que permanece.
XXVI. Propter hoc laetatum est cor meum, et exsultavit lingua mea, insuper et caro mea requiescet in spe.
26. Por isso o coração se alegra e a vida repousa. A alegria nasce quando o ser se alinha com o que não se altera, e encontra repouso na certeza que não depende do tempo que passa.
XXVII. Quoniam non derelinques animam meam in inferno, nec dabis Sanctum tuum videre corruptionem.
27. Não ser abandonado significa permanecer unido ao que é íntegro. A corrupção não alcança aquilo que está firmado na realidade que não se dissolve.
XXVIII. Notas mihi fecisti vias vitae, adimplebis me laetitia cum vultu tuo.
28. As vias da vida são reveladas como caminhos de reconhecimento interior. A alegria se cumpre quando a presença é percebida como plenitude constante.
XXIX. Viri fratres, liceat audenter dicere ad vos de patriarcha David quoniam defunctus est, et sepultus est, et sepulcrum eius est apud nos usque in hodiernum diem.
29. Irmãos, a referência ao que passou mostra o limite do que é apenas histórico. O olhar é convidado a ir além do que se encerra no tempo sucessivo.
XXX. Propheta igitur cum esset, et sciret quia iureiurando iurasset illi Deus de fructu lumbi eius sedere super sedem eius.
30. Como profeta, ele reconheceu uma promessa que não se limita ao futuro, mas se cumpre na dimensão onde o sentido já está presente.
XXXI. Providens locutus est de resurrectione Christi quia neque derelictus est in inferno, neque caro eius vidit corruptionem.
31. Anteviu e falou da ressurreição. Aquilo que é verdadeiro não se perde, pois permanece além de toda dissolução aparente.
XXXII. Hunc Iesum resuscitavit Deus, cuius omnes nos testes sumus.
32. Deus elevou Jesus, e todos somos testemunhas quando a consciência desperta reconhece essa presença viva que se manifesta continuamente.
Reflexão:
O chamado não se limita ao ouvir, mas exige um despertar do interior.
A verdadeira escuta acontece quando o ruído cessa e o ser se recolhe.
O que se manifesta não pertence ao que passa, mas ao que permanece.
A estabilidade nasce quando o olhar se fixa no que não se altera.
Mesmo diante das mudanças, há um ponto que não se move.
A alegria surge quando esse ponto é reconhecido.
O testemunho não depende de palavras, mas de presença vivida.
Assim, o ser permanece firme, participando do que nunca se desfaz.

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