Lectio Epistolae beati Pauli Apostoli ad Ephesios, II, XIX-XXII
XIX. Igitur jam non estis hospites, et advenae: sed estis cives sanctorum, et domestici Dei.
19. Portanto, já não sois estrangeiros nem peregrinos sem destino, mas participantes da comunhão dos santos e membros da família de Deus. A alma que acolhe o chamado divino descobre sua verdadeira morada, onde toda separação cede lugar à unidade que procede do Altíssimo.
XX. Superaedificati super fundamentum Apostolorum et Prophetarum, ipso summo angulari lapide Christo Jesu.
20. Edificados sobre o fundamento dos Apóstolos e dos Profetas, tendo o próprio Cristo Jesus como pedra angular, o ser humano encontra o princípio que sustenta toda a existência. Nele, tudo adquire ordem, permanência e sentido, porque toda realidade converge para Aquele que permanece para sempre.
XXI. In quo omnis aedificatio constructa crescit in templum sanctum in Domino.
21. Nele, toda a construção se harmoniza e cresce como templo santo no Senhor. Assim também a alma é continuamente aperfeiçoada, permitindo que a presença divina lhe dê forma e a conduza à plenitude para a qual foi criada.
XXII. In quo et vos coaedificamini in habitaculum Dei in Spiritu.
22. Nele, também vós sois edificados para vos tornardes morada de Deus no Espírito. Quando o coração permanece aberto à ação divina, toda a existência se transforma em lugar de comunhão com Aquele que sustenta todas as coisas e conduz a criatura à sua realização mais elevada.
Reflexão
Toda construção verdadeiramente sólida começa no interior da alma.
Aquilo que permanece unido ao princípio eterno não se desfaz diante das mudanças do mundo.
O coração encontra sua estabilidade quando se deixa ordenar pela Verdade.
Cada passo dado na fidelidade fortalece a edificação invisível do espírito.
A verdadeira grandeza consiste em tornar-se morada digna da presença divina.
Quem permanece voltado para o alto descobre que nenhuma circunstância pode separar a alma de seu fundamento.
A paz floresce onde a interioridade é continuamente edificada pela presença do Senhor.
Assim, a existência alcança sua plenitude quando tudo converge para Aquele que é o princípio, o centro e a consumação de todas as coisas.
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