Senhor, Senhor, Fonte eterna de toda existência, cuja misericórdia sustenta os seres e cuja clemência restaura a alma, conduz-nos à plenitude da verdade, onde o coração encontra repouso na Luz imperecível.
Lectio Libri Exodus XXXIV, IVb-VI, VIII-IX
IV. Cumque portasset Moyses duas tabulas lapideas tales quales ante fuerant, de nocte consurgens ascendit in montem Sinai, sicut ei Dominus imperaverat, portans secum tabulas.
4. Moisés elevou-se ao monte levando as tábuas de pedra, em resposta ao chamado divino. Sua subida simboliza o movimento da alma que, deixando as distrações passageiras, busca a presença daquele que sustenta toda existência.
V. Cumque descendisset Dominus per nubem, stetit Moyses cum eo, invocans nomen Domini.
5. O Senhor manifestou sua presença na nuvem, e Moisés permaneceu diante dele. Assim também a alma encontra o mistério que transcende toda compreensão quando se abre à contemplação do Eterno.
VI. Quo transeunte coram eo, ait Dominator Domine Deus, misericors et clemens, patiens, et multae miserationis, ac verax.
6. O Senhor revelou-se como Deus misericordioso, clemente, paciente e verdadeiro. Nessa revelação resplandece a realidade suprema que sustenta o ser e conduz todas as coisas à sua plenitude.
VIII. Statimque Moyses curvatus est pronus in terram, et adorans,
8. Imediatamente Moisés inclinou-se em adoração. Diante da majestade divina, a alma reconhece sua origem e encontra o caminho da verdadeira sabedoria.
IX. Ait Domine, si inveni gratiam in conspectu tuo, ingredere, quaeso, in medio nostri. Populus enim durae cervicis est: et auferes iniquitates nostras atque peccata, nosque possidebis.
9. Moisés suplicou que o Senhor permanecesse no meio do povo e removesse suas faltas. A alma também anseia pela presença divina que purifica, restaura e conduz à comunhão com o Bem que jamais se extingue.
Reflexão
A revelação divina não se limita a um acontecimento distante da história. Ela manifesta uma presença que continuamente chama a alma para além das aparências. O encontro de Moisés com Deus recorda que toda verdadeira ascensão começa no interior do coração. A sabedoria nasce quando o ser humano reconhece os limites de sua própria compreensão. A serenidade floresce quando a confiança repousa naquele que permanece imutável. A misericórdia divina revela uma realidade mais profunda do que as fragilidades humanas. Quem contempla essa verdade aprende a caminhar com firmeza em meio às mudanças da existência. A alma encontra repouso quando se orienta para aquilo que não passa. Assim, a vida torna-se uma jornada contínua de aproximação ao Mistério eterno que sustenta todas as coisas.
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