Diante de Deus, o coração encontra sua verdade, e o ser, acolhido pela presença eterna, amadurece na graça até repousar plenamente em sua realização interior.
Liber Iob IX, I-XII.XIV-XVI
I. Et respondens Job, ait.
E, respondendo, Jó disse.
II. Vere scio quod ita sit, et quod non justificetur homo compositus Deo.
Sei verdadeiramente que assim é, e que o homem não pode ser considerado justo diante de Deus.
III. Si voluerit contendere cum eo, non poterit ei respondere unum pro mille.
Se alguém quisesse contender com Ele, não poderia responder a uma entre mil questões.
IV. Sapiens corde est, et fortis robore: quis restitit ei, et pacem habuit?
Ele é sábio de coração e poderoso em força. Quem poderia resistir-lhe e permanecer em paz?
V. Qui transtulit montes, et nescierunt hi quos subvertit in furore suo.
Ele transporta as montanhas, e elas não percebem quando são derrubadas por sua força.
VI. Qui commovet terram de loco suo, et columnæ ejus concutiuntur.
Ele abala a terra desde o seu lugar, e suas colunas estremecem.
VII. Qui præcipit soli, et non oritur, et stellas claudit quasi sub signaculo.
Ele ordena ao sol, e este não nasce, e encerra as estrelas como sob um selo.
VIII. Qui extendit cælos solus, et graditur super fluctus maris.
Ele sozinho estende os céus e caminha sobre as ondas do mar.
IX. Qui facit Arcturum et Oriona, et Hyadas et interiora austri.
Ele faz Arcturo, Órion, as Híades e as profundezas do sul.
X. Qui facit magna, et incomprehensibilia, et mirabilia, quorum non est numerus.
Ele realiza grandes coisas, insondáveis e maravilhosas, cujo número não pode ser contado.
XI. Si venerit ad me, non videbo eum; si abierit, non intelligam.
Se vier até mim, não o verei. Se partir, não compreenderei.
XII. Si repente interroget, quis respondebit ei? vel quis dicere potest: Cur ita facis?
Se de repente me interrogar, quem poderá responder-lhe? Quem poderá dizer-lhe por que ages assim?
XIV. Quantus ergo sum ego, ut respondeam ei, et loquar verbis meis cum eo?
Quem sou eu, então, para responder-lhe e falar com Ele com minhas próprias palavras?
XV. qui etiam si habuero quippiam justum, non respondebo: sed meum judicem deprecabor.
Mesmo que eu tivesse alguma justiça, não responderia, mas suplicaria ao meu juiz.
XVI. Et cum invocantem exaudierit me, non credo quod audierit vocem meam.
E, ainda que Ele escutasse quando eu o invocasse, eu não acreditaria que tivesse ouvido minha voz.
Reflexão:
O instante contém uma profundidade que não se mede pela duração, pois a presença do Eterno alcança o ser em sua origem.
Diante de Deus, a inteligência encontra seu limite e a interioridade descobre que compreender não significa dominar o mistério.
O silêncio acolhe aquilo que amadurece sem ruído, permitindo que a consciência permaneça diante daquilo que a transcende.
Cada momento pode tornar-se interiormente fecundo quando o ser deixa de exigir respostas imediatas e aprende a permanecer na presença.
A eternidade não destrói a sucessão dos instantes, mas pode revelar dentro deles uma profundidade que não passa.
Assim, aquilo que parece oculto participa de uma realidade mais ampla, na qual a existência recebe direção e amadurece em sua origem.
O ser encontra sua medida quando reconhece que não é a fonte de si mesmo, mas recebe de Deus sua existência e seu sentido.
Na presença do Eterno, o instante se torna pleno quando a interioridade acolhe, amadurece e realiza aquilo que silenciosamente recebeu.
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