Rejubila e alegra-te, cidade de Sião. A presença que eternamente sustenta todas as coisas manifesta-se em teu íntimo, fazendo do coração fiel a morada onde o invisível floresce em plenitude.
Lectio Prophetiae Zachariae II, XIV-XVII
XIV
Lauda et laetare, filia Sion, quia ecce ego venio, et habitabo in medio tui, ait Dominus.
14. Exulta e alegra-te, filha de Sião, porque eu venho para habitar no meio de ti, diz o Senhor. A presença divina não se aproxima apenas de um lugar, mas faz do interior humano a morada onde o invisível amadurece até tornar-se luz que permanece.
XV
Et applicabuntur gentes multae ad Dominum in die illa, et erunt mihi in populum, et habitabo in medio tui, et scies quia Dominus exercituum misit me ad te.
15. Naquele dia, muitas nações se unirão ao Senhor, serão o seu povo, e ele habitará no meio de ti. Então reconhecerás que o Senhor dos Exércitos me enviou a ti. Quando a verdade é acolhida, toda dispersão cede lugar à unidade interior, e a presença eterna torna-se princípio de comunhão e de plenitude.
XVI
Et possidebit Dominus Judam partem suam in terra sanctificata, et eliget adhuc Jerusalem.
16. O Senhor tomará Judá como sua herança na terra santificada e escolherá novamente Jerusalém. A alma que se oferece ao Altíssimo torna-se terra fecunda, preparada para acolher uma obra que jamais se esgota e continuamente renova o ser.
XVII
Sileat omnis caro a facie Domini, quia consurrexit de habitaculo sancto suo.
17. Toda criatura permaneça em silêncio diante do Senhor, porque ele se levanta de sua santa morada. No silêncio reverente, o coração descobre a origem que sustenta todas as coisas e aprende que a plenitude se revela sem ruído, mas com permanente firmeza.
Reflexão
O silêncio é o primeiro espaço onde a verdade se torna perceptível. Aquele que aprende a permanecer recolhido encontra uma estabilidade que nenhuma mudança exterior consegue desfazer. A presença divina não se impõe, mas amadurece pacientemente no íntimo de quem a acolhe. A serenidade nasce quando o coração deixa de resistir ao bem que o chama continuamente. Toda realização autêntica começa muito antes de tornar-se visível. A existência alcança sua medida mais elevada quando o interior e o exterior deixam de caminhar separados. Assim, a alma torna-se morada daquilo que permanece para sempre. E sua vida passa a irradiar uma paz que nasce da comunhão com o Eterno.
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