Recorda, Senhor, a aliança eterna que sustenta toda existência, para que nossa alma permaneça unida à Verdade imutável, onde o ser encontra sua plenitude sem ocaso.
Lectio libri Ieremiae Prophetae XIV, XVII-XXII
XVII Et dices ad eos verbum istud. Deducant oculi mei lacrymam per noctem et diem, et non taceant, quoniam contritione magna contrita est virgo filia populi mei, plaga pessima vehementer.
17 Dirás esta palavra. Meus olhos derramem lágrimas noite e dia sem cessar, pois a alma que se afasta da plenitude experimenta a profunda ferida da própria finitude. Entretanto, mesmo em meio à dor, permanece aberto o caminho do retorno Àquele que restaura toda a existência.
XVIII Si egressus fuero ad agros, ecce occisi gladio; et si introiero in civitatem, ecce attenuati fame. Propheta quoque et sacerdos abierunt in terram quam ignorabant.
18 Quando o olhar contempla apenas o horizonte exterior, encontra as marcas da fragilidade humana. Porém, quando se volta para a Verdade eterna, descobre que nenhuma desolação possui a última palavra diante da presença de Deus, que continuamente sustenta o ser.
XIX Numquid projiciens abjecisti Iudam, aut Sion abominata est anima tua? quare ergo percussisti nos, ita ut nulla sit sanitas? Exspectavimus pacem, et non est bonum; et tempus curationis, et ecce turbatio.
19 Acaso abandonarias a obra de tuas mãos? A alma busca a paz verdadeira e compreende que somente na comunhão com o Senhor encontra a cura que nenhuma realidade passageira pode oferecer.
XX Cognovimus, Domine, impietates nostras, iniquitates patrum nostrorum, quia peccavimus tibi.
20 Reconhecemos diante de ti nossas infidelidades. A confissão sincera rompe o véu da ilusão e permite que a luz da Verdade restaure, pouco a pouco, a ordem mais profunda do coração.
XXI Ne des nobis opprobrium propter nomen tuum, neque facias nobis ignominiam solii gloriae tuae. Recordare, ne irritum facias foedus tuum nobiscum.
21 Não permitas que nos afastemos da glória de tua presença. Recorda tua eterna aliança, para que nossa existência permaneça firmemente unida Àquele em quem toda realidade encontra sua origem, sua permanência e sua plenitude.
XXII Numquid sunt in sculptilibus gentium qui pluant? aut caeli possunt dare imbres? nonne tu es Dominus Deus noster, quem exspectabimus? tu enim fecisti omnia haec.
22 Poderá alguma obra das mãos humanas conceder a plenitude da vida? Somente o Senhor é a fonte de todo ser. Nele repousa a esperança que jamais se esgota, porque tudo existe por sua vontade e permanece sustentado por seu eterno amor.
Reflexão
Toda criatura traz em si um chamado que a convida a retornar continuamente à sua origem.
A dor torna-se ocasião de purificação quando conduz o coração à verdade.
A esperança amadurece no silêncio daquele que aprende a confiar além das aparências.
Nada do que pertence ao Eterno pode ser destruído pelas mudanças do mundo.
A fidelidade de Deus permanece quando todas as seguranças humanas desaparecem.
A alma encontra sua verdadeira estabilidade ao permanecer unida à fonte da vida.
A paz nasce da harmonia entre o coração e a verdade que o sustenta.
Quem persevera na presença do Senhor descobre que toda existência caminha para a plenitude que jamais terá fim.
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