11ª Semana do Tempo Comum, Ano Par (II)
Elias foi elevado pelo mistério que transcende toda mudança, e Eliseu recebeu a continuidade de sua presença espiritual. Assim, a verdade permanece atuante além dos acontecimentos, iluminando gerações sucessivas com sabedoria e plenitude.
Lectio libri Ecclesiastici XLVIII, I-XV
I
Et surrexit Elias propheta quasi ignis, et verbum ipsius quasi facula ardebat.
Elias se ergueu como fogo, e sua palavra ardia como tocha, porque a alma visitada pela luz divina não permanece imóvel, mas se torna claridade viva, capaz de despertar o íntimo para aquilo que não passa.
II
Qui induxit in illos famem, et irritantes illum invidia sua pauci facti sunt, non enim poterant sustinere praecepta Domini.
Ele fez vir sobre eles a fome, e os que o provocavam por inveja foram reduzidos em número, porque não puderam sustentar a firmeza dos mandamentos do Senhor; assim também o coração que resiste à verdade enfraquece diante da luz.
III
Verbo Domini continuit caelum, et dejecit de caelo ignem ter.
Pela palavra do Senhor, ele reteve o céu e fez descer o fogo por três vezes, pois o justo participa de uma autoridade que não nasce de si mesmo, mas do Alto que governa os céus e a terra.
IV
Sic amplificatus est Elias in mirabilibus suis. Et quis potest similiter sic gloriari tibi?
Assim Elias foi engrandecido em seus prodígios, e quem poderia exaltar-se diante de ti de modo semelhante? Toda grandeza autêntica se inclina perante Aquele que é a origem de toda maravilha.
V
Qui sustulisti mortuum ab inferis de sorte mortis, in verbo Domini Dei.
Tu levantaste o morto dos abismos da morte, pela palavra do Senhor Deus, mostrando que a vida não se encerra no pó, mas permanece sob a soberania daquele que chama o ser do nada.
VI
Qui dejecisti reges ad pernicem, et confregisti facile potentiam ipsorum, et gloriosos de lecto suo.
Tu derrubaste reis para a ruína e quebraste facilmente o poder deles, e fizeste descer de seus leitos os poderosos, porque toda soberba se dissolve quando confrontada com a justiça eterna.
VII
Qui audis in Sina judicium, et in Horeb judicia defensionis.
Tu que ouves em Sina o juízo e em Horeb os decretos da defesa, revelas que a história humana não está entregue ao acaso, mas repousa sob uma ordem superior, serena e invisível.
VIII
Qui ungis reges ad poenitentiam, et prophetas facis successores post te.
Tu que ungiste reis para a conversão e fizeste dos profetas teus sucessores, mostras que o verdadeiro governo começa na retidão interior e se prolonga na fidelidade ao chamado divino.
IX
Qui receptus es in turbine ignis, in curru equorum igneorum.
Tu foste recebido no turbilhão de fogo, em carro de cavalos flamejantes, sinal de que a fidelidade ao Senhor não termina na poeira do tempo, mas é elevada para a plenitude da presença eterna.
X
Qui scriptus es in judiciis temporum, lenire iracundiam Domini, conciliare cor patris ad filium, et restituere tribus Jacob.
Tu foste inscrito nos desígnios dos tempos para aplacar a ira do Senhor, reconciliar o coração do pai com o filho e restaurar as tribos de Jacó, pois a graça ordena o que a ruptura humana dispersa.
XI
Beati sunt qui te viderunt, et in amicitia tua decorati sunt.
Felizes são os que te viram e foram honrados por tua amizade, porque a proximidade dos justos ilumina a vida como uma memória viva da presença de Deus entre os homens.
XII
Nam nos vita vivimus tantum, post mortem autem non erit tale nomen nostrum.
Pois nós vivemos apenas por um breve tempo, e depois da morte não permanecerá igual o nosso nome; por isso, a alma sábia aprende a não se apegar ao efêmero, mas a buscar o que permanece diante de Deus.
XIII
Elias quidem in turbine tectus est, et in Eliseo completus est spiritus ejus, in diebus suis non pertimuit principem, et potentia nemo vicit illum.
Elias, de fato, foi escondido no turbilhão, e em Eliseu se completou o seu espírito; em seus dias não temeu príncipe algum, e nenhum poder conseguiu vencê-lo, porque a firmeza interior é mais forte do que toda opressão exterior.
XIV
Nec superavit illum verbum aliquod, et mortuum prophetavit corpus ejus.
Nenhuma palavra o venceu, e até seu corpo morto ainda profetizou, pois a fidelidade ao Senhor imprime na criatura um testemunho que ultrapassa a fragilidade da carne.
XV
In vita sua fecit monstra, et in morte mirabilia operatus est.
Em vida realizou sinais admiráveis, e na morte operou maravilhas, revelando que o justo não se encerra no limite visível, mas permanece fecundo na ação daquele que o chamou.
Reflexão
A chama do profeta não nasce do impulso humano, mas da intimidade com o Eterno.
Quem se enraíza no Alto aprende a não se dobrar diante do ruído das horas.
A alma firme não depende do favor dos acontecimentos, porque está apoiada no que não muda.
O que é verdadeiro purifica o interior e desfaz o peso das ilusões.
A retidão não endurece o coração, mas o torna disponível à vontade divina.
A paz mais profunda floresce quando o homem consente com a ordem santa que o sustenta.
A morte não apaga o justo, porque o seu testemunho continua a irradiar no mistério de Deus.
E assim a vida se torna oferta, memória e sinal da presença que jamais se extingue.
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