Eu o farei levar aos ombros a chave da casa de Davi, sinal da autoridade recebida do alto, que abre o mistério da eternidade interior.
Lectio Libri Isaiae XXII, 19-23
XIX
Et expellam te de statione tua, et de ministerio tuo deponam te.
19
Eu te afastarei da tua posição e te retirarei do ministério que te foi confiado. Assim, aquilo que parecia permanente será conduzido à transformação, para que se revele a verdadeira origem de toda autoridade e de todo serviço.
XX
Et erit in die illa, vocabo servum meum Eliacim, filium Helciæ.
20
Naquele dia, chamarei o meu servo Eliacim, filho de Helcias. Nele começará uma nova etapa, porque aquilo que Deus chama à existência recebe dele a força necessária para cumprir sua missão.
XXI
Et induam illum tunica tua, et cingulo tuo confortabo eum, et potestatem tuam dabo in manu ejus; et erit quasi pater habitantibus Jerusalem et domui Juda.
21
Eu o revestirei com a tua túnica, fortalecê-lo-ei com o teu cinturão e colocarei em suas mãos a autoridade. Ele será como um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá. Assim, a autoridade alcança sua verdadeira dignidade quando se torna expressão de responsabilidade, cuidado e fidelidade àquilo que recebeu.
XXII
Et dabo clavem domus David super humerum ejus; et aperiet, et non erit qui claudat; et claudet, et non erit qui aperiat.
22
Porei sobre seus ombros a chave da casa de Davi. Ele abrirá, e ninguém poderá fechar; fechará, e ninguém poderá abrir. A chave torna-se sinal de uma realidade confiada ao ser humano, na qual a decisão exterior encontra sua origem em uma ordem interior que procede de Deus.
XXIII
Et figam illum paxillum in loco fideli, et erit in solium gloriæ domui patris ejus.
23
Eu o fixarei como uma estaca em lugar firme, e ele será como um trono de glória para a casa de seu pai. Aquilo que é estabelecido na fidelidade encontra estabilidade para sustentar, através do tempo, aquilo que lhe foi confiado.
Reflexão
O chamado divino transforma a existência antes de manifestar sua obra exterior.
Aquilo que recebemos de Deus amadurece silenciosamente no interior do ser.
A verdadeira firmeza nasce quando a consciência encontra seu fundamento no eterno.
O instante pode acolher uma decisão que ultrapassa sua própria duração.
Toda missão autêntica exige uma interioridade capaz de permanecer fiel.
Os ombros que recebem a chave também recebem a responsabilidade de guardá-la.
O ser amadurece quando compreende que toda autoridade possui uma origem superior.
E aquilo que permanece unido a Deus encontra firmeza para cumprir sua missão.
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