quinta-feira, 6 de agosto de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura da Profecia de Habacuc 1,12-2,4 - 08.08.2026

Sábado, 8 de Agosto de 2026
São Domingos, presbítero, Memória
18ª Semana do Tempo Comum


O justo vive pela fé, porque a confiança abre a alma ao Eterno, onde o instante se une à eternidade e a existência encontra sentido.



Lectio Prophetiae Habacuc, I, XII–II, IV

I. XII. Numquid non tu a principio, Domine, Deus meus, sancte meus, et non moriemur ? Domine, in judicium posuisti eum, et fortem, ut corriperes, fundasti eum.

12. Não sois vós, Senhor, desde o princípio, meu Deus e meu Santo? E nós não pereceremos. Senhor, estabelecestes aquilo que nos ultrapassa para o juízo e firmastes o que permanece como instrumento de correção. Vós sois a origem que sustenta o ser através de todas as mudanças e a eternidade na qual nenhum instante se perde.

I. XIII. Mundi sunt oculi tui, ne videas malum, et respicere ad iniquitatem non poteris. Quare respicis super iniqua agentes, et taces devorante impio justiorem se ?

13. Vossos olhos são puros e não contemplam o mal como finalidade, nem podem aprovar a iniquidade. Por que, então, permitis que aquilo que é desordenado pareça dominar por algum tempo e permaneceis em silêncio enquanto aquilo que se afasta da verdade parece consumir aquele que busca a justiça? O silêncio divino, porém, não é ausência, mas profundidade onde o sentido ainda não se revelou inteiramente.

I. XIV. Et facies homines quasi pisces maris, et quasi reptile non habens principem.

14. Assim, os homens parecem como peixes do mar e como criaturas que se movem sem direção definida. Quando a consciência perde seu centro, a existência torna-se movimento sem orientação, submetida ao fluxo das circunstâncias e afastada da origem que poderia conferir unidade ao seu caminho.

I. XV. Totum in hamo sublevavit, traxit illud in sagena sua, et congregavit in rete suum. Super hoc lætabitur, et exsultabit.

15. Ele os recolhe como quem lança o anzol, os arrasta para sua rede e os reúne sob o domínio de sua própria força. E sobre isso se alegra e exulta. Assim também a alma pode ser envolvida por aquilo que a domina exteriormente quando deixa de permanecer unida à verdade que habita em sua profundidade.

I. XVI. Propterea immolabit sagenæ suæ, et sacrificabit reti suo, quia in ipsis incrassata est pars ejus, et cibus ejus electus.

16. Por isso, oferece sacrifício à sua própria rede e presta culto ao instrumento pelo qual se fortaleceu, porque nele encontrou sua porção e seu alimento escolhido. O coração humano pode transformar seus próprios instrumentos em absolutos quando se esquece de que somente Deus é a fonte última de toda plenitude.

I. XVII. Propter hoc ergo expandit sagenam suam, et semper interficere gentes non parcet.

17. Por isso, ele continua a lançar sua rede e não cessa de destruir aquilo que encontra. A força que se separa da verdade tende a multiplicar aquilo que domina, até que a própria desordem revele sua insuficiência e aquilo que parecia permanente manifeste sua transitoriedade.

II. I. Super custodiam meam stabo, et figam gradum super munitionem : et contemplabor ut videam quid dicatur mihi, et quid respondeam ad arguentem me.

1. Permanecerei vigilante em meu posto e firmarei meus passos sobre a fortaleza. Permanecerei contemplando para perceber o que me será revelado e compreender como responder quando minha própria consciência for chamada à verdade. A alma que permanece em vigília aprende a esperar acima da agitação e encontra, no silêncio, um lugar onde o sentido pode nascer.

II. II. Et respondit mihi Dominus, et dixit : Scribe visum, et explana eum super tabulas, ut percurrat qui legerit eum.

2. E o Senhor me respondeu e disse. Escreve a visão e torna claro aquilo que contemplaste, para que aquele que a leia possa percorrer seu significado. A verdade recebida no interior pede forma e expressão, porque aquilo que foi contemplado em profundidade pode iluminar o caminho quando se torna inteligível à consciência.

II. III. Quia adhuc visus procul ; et apparebit in finem, et non mentietur : si moram fecerit, exspecta illum, quia veniens veniet, et non tardabit.

3. Porque a visão ainda está distante, mas aparecerá no momento determinado e não enganará. Se parecer demorar, espera por ela, porque certamente virá e não tardará. Aquilo que pertence à plenitude do ser não obedece à impaciência do instante. Há realidades que precisam amadurecer até que possam manifestar sua verdade sem que nada de essencial lhes falte.

II. IV. Ecce qui incredulus est, non erit recta anima ejus in semetipso ; justus autem in fide sua vivet.

4. Eis que aquele que permanece sem confiança não encontrará retidão dentro de si mesmo, porque sua alma se dispersará entre aquilo que passa e aquilo que deseja possuir. O justo, porém, viverá pela sua fé, pois sua existência encontra fundamento numa confiança que ultrapassa a aparência, permanece diante da espera e reconhece, no interior do instante, a presença daquele que não passa.

Reflexão

A alma que vigia aprende a permanecer diante do mistério sem exigir que tudo se revele imediatamente.
O silêncio não é vazio quando nele a consciência se abre para aquilo que permanece.
A espera amadurece o ser e purifica a necessidade de compreender antes do tempo.
A visão recebida no interior precisa primeiro criar raízes antes de alcançar sua plena manifestação.
O homem justo não se sustenta apenas naquilo que seus sentidos conseguem confirmar.
Sua existência encontra firmeza quando reconhece uma realidade mais profunda que a sucessão dos acontecimentos.
A fé permite habitar o instante sem ser absorvido pelaquilo que passa e sem perder aquilo que permanece.
Assim, a alma aprende que aquilo que vem de Deus possui seu próprio momento de revelação e jamais chega tarde à eternidade.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

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