Encontrei Aquele que desde a origem habitava silenciosamente meu ser, revelando que toda plenitude amadurece antes de tornar-se presença reconhecida pelo coração contemplativo.
Lectio libri Cantici Canticorum, III, I-IVa
I. In lectulo meo per noctes quaesivi quem diligit anima mea; quaesivi illum, et non inveni.
1. Em meu leito, durante a noite, procurei aquele que minha alma ama. Procurei-o, mas ainda não o encontrei. A busca perseverante amadurece silenciosamente o coração até que ele esteja preparado para reconhecer a plenitude que sempre o aguardava.
II. Surgam, et circuibo civitatem; per vicos et plateas quaeram quem diligit anima mea; quaesivi illum, et non inveni.
2. Levantar-me-ei e percorrerei a cidade, suas ruas e praças, procurando aquele que minha alma ama. Procurei-o, mas ainda não o encontrei. O caminho exterior torna-se imagem da peregrinação interior, na qual cada passo purifica o desejo e o orienta para sua verdadeira realização.
III. Invenerunt me vigiles qui custodiunt civitatem. Num quem diligit anima mea vidistis?
3. Encontraram-me os guardas que vigiam a cidade. Perguntei-lhes se haviam visto aquele que minha alma ama. Nenhuma resposta exterior pode substituir o reconhecimento que nasce quando o coração alcança sua maturidade diante do mistério.
IV. Paululum cum pertransissem eos, inveni quem diligit anima mea. Tenui eum, nec dimittam, donec introducam illum in domum matris meae, et in cubiculum genetricis meae.
4. Logo depois de passar por eles, encontrei aquele que minha alma ama. Abracei-o e não o deixarei partir, até conduzi-lo à casa de minha mãe e ao aposento daquela que me gerou. O encontro verdadeiro reúne origem e plenitude, fazendo da interioridade uma morada onde a comunhão permanece fecunda e inabalável.
Reflexão
Toda procura sincera prepara silenciosamente o encontro.
O coração amadurece enquanto atravessa a aparente ausência.
A espera fortalece o espírito e purifica o desejo.
A verdade manifesta-se quando a interioridade se torna capaz de acolhê-la.
Nenhuma noite é definitiva para quem permanece fiel à busca.
A presença reconhecida revela que jamais esteve verdadeiramente distante.
O amor autêntico conduz o ser à unidade de toda a sua existência.
Quem persevera no caminho descobre uma plenitude que permanece para sempre.
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