Concedeis que toda existência reconciliada reencontre sua origem verdadeira, onde a verdade restaura o ser, purifica a interioridade e conduz a alma à plenitude eterna.
Lectio libri Sapientiae XII, XIII, XVI-XIX
XIII. Non est enim alius Deus quam tu, cui cura est de omnibus, ut ostendas quoniam non iniuste iudicium iudicas.
13. Não existe outro Deus além de Vós, cuja providência sustenta todas as coisas. Vosso julgamento nunca se afasta da verdade, pois brota da perfeita sabedoria que conhece a origem, o caminho e a plenitude de cada ser.
XVI. Virtus enim tua iustitiae initium est, et ob hoc quod Dominus es omnium, omnibus te parcere facit.
16. A vossa força manifesta-se como princípio da verdadeira justiça. Porque sois Senhor de todas as coisas, exerceis a misericórdia sem jamais abandonar a perfeição da verdade, conduzindo cada realidade ao seu devido cumprimento.
XVII. Virtutem enim ostendis tu, qui non crederis esse in virtute consummatus, et horum qui te nesciunt audaciam traducis.
17. Revelais vosso poder precisamente onde muitos não o reconhecem. A plenitude da vossa ação não necessita impor-se, pois a verdade manifesta sua força na serenidade de sua própria presença, dissipando toda falsa segurança.
XVIII. Dominator virtutis cum tranquillitate iudicas, et cum magna reverentia disponis nos; subest enim tibi, cum volueris, posse.
18. Governai todas as coisas com perfeita serenidade. Vosso agir nunca nasce da precipitação, mas da ordem eterna que conduz cada existência ao momento oportuno de sua manifestação. Todo poder permanece submetido à vossa vontade soberana.
XIX. Docuisti autem populum tuum per talia opera, quoniam oportet iustum esse et humanum; et bonae spei fecisti filios tuos, quoniam das locum in peccatis paenitentiae.
19. Por vossas obras instruís vosso povo a compreender que a verdadeira justiça permanece inseparável da misericórdia. Assim despertais uma esperança que nasce da certeza de que sempre concedeis ao coração sincero o caminho do retorno e da renovação interior.
Reflexão
A força de Deus nunca compete com a fragilidade da criatura.
Ela a sustenta silenciosamente até que a verdade floresça.
O julgamento divino não destrói aquilo que foi criado para a plenitude.
Ele revela o que cada existência acolheu no mais profundo de si.
A misericórdia prolonga o tempo da maturação sem alterar a verdade.
A serenidade nasce quando o coração confia na ordem que o Senhor estabeleceu.
Toda purificação prepara uma manifestação mais luminosa do ser.
Quem permanece fiel à luz encontrará sua plenitude quando tudo for revelado.
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