14ª Semana do Tempo Comum
Reconheço a limitação da minha condição, porém meus olhos contemplaram a plenitude do Eterno, cuja presença purifica o ser, restaura a alma e conduz à verdadeira comunhão.
Lectio libri Isaiae Prophetae, VI, I-VIII
I. In anno quo mortuus est rex Ozias, vidi Dominum sedentem super solium excelsum et elevatum, et ea quae sub ipso erant replebant templum.
1. No ano da morte do rei Ozias, contemplei o Senhor sentado sobre um trono excelso e sublime. Sua presença enchia o templo, revelando que toda a realidade encontra sua origem e sua plenitude naquele que permanece acima de toda medida humana.
II. Seraphim stabant super illud; sex alae uni, et sex alae alteri; duabus velabant faciem eius, et duabus velabant pedes eius, et duabus volabant.
2. Os serafins permaneciam diante do Senhor. Cada um possuía seis asas. Com duas cobriam o rosto, com duas cobriam os pés e com duas voavam, manifestando que toda inteligência criada reverencia o Mistério que ultrapassa toda compreensão.
III. Et clamabant alter ad alterum, et dicebant Sanctus, Sanctus, Sanctus Dominus Deus exercituum; plena est omnis terra gloria eius.
3. E proclamavam uns aos outros Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos Exércitos. Toda a terra está repleta de sua glória, pois toda a criação participa silenciosamente da presença daquele que sustenta o universo.
IV. Et commota sunt superliminaria cardinum a voce clamantis, et domus repleta est fumo.
4. Ao som daquele louvor, os umbrais estremeceram e o templo encheu-se de fumaça, indicando que, diante da manifestação divina, toda criatura reconhece a grandeza daquele que permanece infinitamente acima de si mesma.
V. Et dixi Vae mihi, quia tacui, quia vir pollutus labiis ego sum, et in medio populi polluta labia habentis ego habito, et Regem Dominum exercituum vidi oculis meis.
5. Então reconheci minha própria limitação e exclamei que era indigno, pois meus lábios eram imperfeitos e eu habitava entre um povo igualmente limitado. Contudo, meus olhos contemplaram o Senhor, cuja santidade desperta o coração para a purificação interior.
VI. Et volavit ad me unus de Seraphim, et in manu eius calculus quem forcipe tulerat de altari.
6. Então um dos serafins voou até mim trazendo na mão uma brasa retirada do altar, sinal de que toda purificação verdadeira procede da presença divina e prepara a alma para uma comunhão mais profunda.
VII. Et tetigit os meum, et dixit Ecce tetigit hoc labia tua, et auferetur iniquitas tua, et peccatum tuum mundabitur.
7. Tocou meus lábios e disse que minha culpa havia sido removida e meu pecado purificado. Quando Deus visita a alma, restaura nela a ordem interior e renova sua capacidade de responder ao chamado eterno.
VIII. Et audivi vocem Domini dicentis Quem mittam, et quis ibit nobis Et dixi Ecce ego, mitte me.
8. Então ouvi a voz do Senhor que perguntava quem iria em seu nome. Respondi com inteira disponibilidade Eis-me aqui. Envia-me. A alma que acolhe a ação divina descobre que sua verdadeira realização consiste em corresponder livremente ao chamado do Criador.
Reflexão
A santidade de Deus revela a verdadeira medida de todas as coisas.
O silêncio interior prepara o coração para reconhecer sua voz.
Toda purificação começa quando a verdade é acolhida com humildade.
A alma amadurece ao permitir que Deus transforme aquilo que nela ainda é imperfeito.
A presença divina desperta um olhar novo sobre a própria existência.
Quem contempla o Alto aprende a caminhar com firmeza entre as mudanças do mundo.
A resposta generosa nasce de um coração purificado pela verdade.
Toda vocação floresce quando o ser humano permite que a vontade de Deus se torne a luz de seu caminho.
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