Eu vos anuncio Jesus Cristo, e este, crucificado, para que, acolhendo sua presença, vossa fé encontre no instante a plenitude que procede de Deus eterno.
Lectio Epistolae I Sancti Pauli Apostoli ad Corinthios II, I-V
I. Et ego, cum venissem ad vos, fratres, veni non in sublimitate sermonis, aut sapientiæ, annuntians vobis testimonium Christi.
E eu, quando fui ter convosco, irmãos, não vim com a grandeza da eloquência nem da sabedoria humana, para vos anunciar o testemunho de Cristo.
II. Non enim judicavi me scire aliquid inter vos, nisi Jesum Christum, et hunc crucifixum.
Pois não julguei saber entre vós outra coisa senão Jesus Cristo, e este crucificado, porque nele se concentra o mistério pelo qual a existência encontra sua verdade mais profunda.
III. Et ego in infirmitate, et timore, et tremore multo fui apud vos.
E estive entre vós na fraqueza, no temor e em grande tremor, permanecendo diante do mistério com a consciência de que aquilo que é eterno não se deixa dominar pela força humana.
IV. Et sermo meus, et prædicatio mea non in persuasibilibus humanæ sapientiæ verbis, sed in ostensione spiritus et virtutis.
E minha palavra e minha pregação não se apoiaram em argumentos persuasivos da sabedoria humana, mas na manifestação do Espírito e de seu poder, para que a verdade recebida pudesse alcançar o íntimo.
V. ut fides vestra non sit in sapientia hominum, sed in virtute Dei.
Para que a vossa fé não se apoie na sabedoria dos homens, mas no poder de Deus, onde o ser encontra fundamento, sustento e plenitude.
Reflexão:
A verdade mais profunda não nasce do ruído, mas amadurece no interior antes de alcançar sua manifestação.
O instante pode acolher uma presença cuja origem ultrapassa toda sucessão e toda medida.
Cristo crucificado revela que a plenitude não depende da aparência exterior, mas da fidelidade ao ser recebido.
Aquele que permanece firme diante do essencial não precisa submeter sua existência ao movimento das circunstâncias.
A interioridade torna-se espaço de maturação, onde a verdade recebida lentamente adquire forma e consistência.
A fé encontra sua firmeza quando deixa de depender apenas do que o entendimento humano consegue dominar.
Então o ser reconhece sua origem e aprende a permanecer unido àquilo que o sustenta em cada instante.
E o presente, acolhido com inteireza, torna-se lugar silencioso onde a existência amadurece para sua plenitude.
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