terça-feira, 11 de agosto de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura da Profecia de Ezequiel 12,1-12 - 13.08.2026

Quinta-feira, 13 de Agosto de 2026
Santa Dulce Lopes Pontes, virgem, Memória
19ª Semana do Tempo Comum


Prepara para ti uma bagagem interior; caminha no presente, enquanto o passado se recolhe e a eternidade abre silêncio diante da consciência desperta em Deus.



Lectio Prophetiae Ezechielis, XII, I–XII

I. Et factus est sermo Domini ad me, dicens.

  1. E a palavra do Senhor veio a mim, dizendo.

II. Fili hominis, in medio domus exasperantis tu habitas, qui oculos habent ad videndum, et non vident, et aures ad audiendum, et non audiunt, quia domus exasperans est.

  1. Filho do homem, habitas no meio de uma casa que resiste à verdade. Possuem olhos para ver, mas não contemplam; possuem ouvidos para ouvir, mas não acolhem, porque seu interior permanece fechado àquilo que o chama para além das aparências.

III. Tu ergo, fili hominis, fac tibi vasa transmigrationis, et transmigrabis per diem coram eis. Transmigrabis autem de loco tuo ad locum alterum in conspectu eorum, si forte aspiciant, quia domus exasperans est.

  1. Tu, porém, filho do homem, prepara para ti uma bagagem de passagem e parte durante o dia diante deles. Deixa o lugar onde estás e dirige-te para outro, sob seus olhos, para que talvez percebam a passagem que acontece diante deles, embora permaneçam fechados em sua resistência.

IV. Et efferes foras vasa tua quasi vasa transmigrantis per diem in conspectu eorum. Tu autem egredieris vespere coram eis, sicut egreditur migrans.

  1. Levarás para fora teus pertences como quem se prepara para atravessar uma existência antiga, durante o dia e diante de seus olhos. Ao entardecer, sairás diante deles, como aquele que abandona o que já não pode permanecer.

V. Ante oculos eorum perfode tibi parietem, et egredieris per eum.

  1. Diante de seus olhos, abre uma passagem no muro e atravessa-a. Rompe, no íntimo, aquilo que parecia definitivo e encontra além dele a passagem para uma realidade mais profunda.

VI. In conspectu eorum in humeris portaberis; in caligine effereris: faciem tuam velabis, et non videbis terram, quia portentum dedi te domui Israël.

  1. Diante deles, carregarás tua bagagem sobre os ombros e sairás na obscuridade. Cobrirás o rosto e não contemplarás a terra, porque tua própria passagem será um sinal diante da casa de Israel.

VII. Feci ergo sicut præceperat mihi Dominus: vasa mea protuli quasi vasa transmigrantis per diem, et vespere perfodi mihi parietem manu: et in caligine egressus sum, in humeris portatus in conspectu eorum.

  1. Fiz, portanto, como o Senhor me havia ordenado. Durante o dia, retirei meus pertences como quem parte, e ao entardecer abri com minhas próprias mãos uma passagem no muro. Saí na obscuridade, levando sobre os ombros aquilo que acompanhava minha travessia, diante de seus olhos.

VIII. Et factus est sermo Domini mane ad me, dicens.

  1. Na manhã seguinte, a palavra do Senhor veio novamente a mim, dizendo.

IX. Fili hominis, numquid non dixerunt ad te domus Israël, domus exasperans: Quid tu facis?

  1. Filho do homem, acaso a casa de Israel, resistente à verdade, não te perguntou o que fazes?

X. Dic ad eos: Hæc dicit Dominus Deus: Super ducem onus istud, qui est in Jerusalem, et super omnem domum Israël, quæ est in medio ejus.

  1. Dize-lhes que assim fala o Senhor Deus. Esta passagem anuncia o peso que repousa sobre aquele que conduz em Jerusalém e sobre toda a casa de Israel que permanece no centro de sua própria história.

XI. Dic: Ego portentum vestrum. Quomodo feci, sic fiet illis: in transmigrationem et in captivitatem ibunt.

  1. Dize-lhes. Eu sou o sinal colocado diante de vós. Assim como fiz, assim lhes acontecerá. Partirão para a transmigração e caminharão para o cativeiro, porque aquilo que não é reconhecido interiormente acaba sendo revelado pela própria travessia.

XII. Et dux qui est in medio eorum, in humeris portabitur; in caligine egredietur: parietem perfodient, ut educant eum; facies ejus operietur, ut non videat oculo terram.

  1. E aquele que está no meio deles será levado sobre os ombros e sairá na obscuridade. Abrirão uma passagem no muro para conduzi-lo por ela, e seu rosto será coberto, para que seus olhos não contemplem a terra. Assim, aquilo que parecia permanecer oculto será conduzido para além dos limites que o prendiam.

Reflexão:

A alma atravessa silenciosamente os limites que um dia julgou permanentes.
Nem toda passagem exterior revela a verdadeira transformação interior.
Há muros que somente a consciência desperta consegue atravessar.
A obscuridade também pode preceder uma visão mais profunda do ser.
Quem aprende a conduzir a própria interioridade não se perde na sucessão.
O instante torna-se lugar de decisão, presença e amadurecimento.
Aquilo que termina pode preparar uma existência interiormente renovada.
Diante de Deus, toda travessia encontra seu sentido na eternidade.

Leia: LITURGIA DA PALAVRA

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