Eu sei que o meu Redentor está vivo, e sua presença sustenta meu ser, iluminando o interior e conduzindo-me à plenitude em Deus, na origem.
Lectio Libri Iob, XIX, XXI-XXVII
XXI. Miseremini mei, miseremini mei, saltem vos, amici mei, quia manus Domini tetigit me.
Tende compaixão de mim, tende compaixão de mim, ao menos vós, meus amigos, porque a mão do Senhor me tocou.
XXII. Quare persequimini me sicut Deus, et carnibus meis saturamini?
Por que me perseguis como Deus e vos saciais com a minha carne?
XXIII. Quis mihi tribuat ut scribantur sermones mei? quis mihi det ut exarentur in libro
Quem me concederá que minhas palavras sejam escritas? Quem me dará que sejam gravadas num livro,
XXIV. stylo ferreo et plumbi lamina, vel celte sculpantur in silice?
com estilete de ferro e lâmina de chumbo, ou sejam esculpidas com cinzel na pedra?
XXV. Scio enim quod redemptor meus vivit, et in novissimo die de terra surrecturus sum
Eu sei, porém, que o meu Redentor vive e que, no último dia, ressurgirei da terra.
XXVI. Et rursum circumdabor pelle mea, et in carne mea videbo Deum meum.
E novamente serei revestido da minha pele e, na minha carne, contemplarei o meu Deus.
XXVII. Quem visurus sum ego ipse, et oculi mei conspecturi sunt, et non alius: reposita est hæc spes mea in sinu meo.
Eu mesmo o verei, e os meus próprios olhos o contemplarão, e não outro. Esta esperança está guardada no íntimo do meu ser.
Reflexão:
O instante pode conter uma certeza que não pertence àquilo que passa, porque sua origem permanece além da sucessão.
Jó atravessa a dor sem reduzir sua existência àquilo que os sentidos imediatamente revelam.
No interior do sofrimento permanece uma esperança cuja realidade antecede sua manifestação plena.
O ser recebe no instante uma profundidade que ultrapassa a duração do próprio instante.
Aquilo que parece terminar pode conservar interiormente o princípio de uma realização ainda não manifesta.
A esperança permanece porque se funda numa presença que não depende da instabilidade das formas.
O olhar interior reconhece que a existência não se encerra no que aparece diante dos olhos.
Assim, a certeza de Jó encontra sua plenitude naquele que permanece como origem e consumação de todo ser.
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