Senhor, no instante em que nosso ser se abre, tua vida nos alcança desde a origem, revelando no interior a plenitude que nos constitui e realiza.
Lectio libri Numerorum XXI, IVb–IX
IVb. Et taedere coepit populum itineris ac laboris.
4b. E o povo começou a sentir-se cansado do caminho e do esforço.
V. locutusque contra Deum et Moysen, ait: Cur eduxisti nos de Ægypto, ut moreremur in solitudine? deest panis, non sunt aquæ: anima nostra jam nauseat super cibo isto levissimo.
E o povo falou contra Deus e contra Moisés, dizendo. Por que nos fizeste sair do Egito, para morrermos no deserto? Não temos pão, não temos água, e nossa alma já se enoja deste alimento tão leve.
VI. Quam ob rem misit Dominus in populum ignitos serpentes, ad quorum plagas et mortes plurimorum,
Por isso, o Senhor enviou ao povo serpentes abrasadoras, cujas mordidas trouxeram feridas e a morte a muitos.
VII. venerunt ad Moysen, atque dixerunt: Peccavimus, quia locuti sumus contra Dominum et te: ora ut tollat a nobis serpentes. Oravitque Moyses pro populo,
Então foram ter com Moisés e disseram. Pecamos, porque falamos contra o Senhor e contra ti. Roga para que Ele afaste de nós as serpentes. E Moisés orou pelo povo.
VIII. et locutus est Dominus ad eum: Fac serpentem æneum, et pone eum pro signo: qui percussus aspexerit eum, vivet.
E o Senhor disse a Moisés. Faz uma serpente de bronze e coloca-a como sinal. Aquele que, depois de ser ferido, olhar para ela, viverá.
IX. Fecit ergo Moyses serpentem æneum, et posuit eum pro signo: quem cum percussi aspicerent, sanabantur.
Moisés fez, então, uma serpente de bronze e colocou-a como sinal. Quando os feridos olhavam para ela, eram curados.
Reflexão:
O caminho exterior pode cansar quando o coração perde a profundidade do instante presente.
Contudo, o instante pode tornar-se abertura para uma realidade que não passa.
No olhar dirigido ao sinal, aquilo que estava disperso reencontra sua unidade interior.
A cura acontece quando o ser retorna ao centro e reconhece aquilo que permanece.
O Tempo Vertical revela que cada instante pode conter uma profundidade maior que sua duração.
A existência deixa então de ser apenas sucessão e se torna presença interiormente recolhida.
Quem permanece atento ao instante descobre nele uma origem que sustenta e orienta seu ser.
Assim, a vida reencontra sua inteireza quando o presente se abre àquilo que eternamente o funda.
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