Quando o coração humano recusa o perdão ao irmão, fecha-se também à corrente de misericórdia que continuamente sustenta a vida. O espírito foi criado para permanecer em harmonia com o bem que procede do Alto e ilumina cada instante da existência. Perdoar não é apenas um gesto exterior, mas um movimento interior pelo qual a consciência se purifica e reencontra sua ordem mais profunda. Aquele que guarda a ofensa prende a si mesmo ao peso do passado. Aquele que perdoa abre o coração à presença que renova todas as coisas. Assim, o ser humano aprende a viver com retidão, governando a si mesmo e caminhando com dignidade diante da eternidade.
Lectio de Prophetia Danielis, III, XXV. XXXIV–XLIII
XXV
Et ambulabant in medio flammae laudantes Deum et benedicentes Domino.
25 Eles caminhavam no meio das chamas, louvando a Deus e bendizendo o Senhor. No interior da prova, o espírito aprende que a presença do Altíssimo sustenta cada instante da existência.
XXXIV
Ne, quaesumus, tradas nos in perpetuum propter nomen tuum et ne dissipes testamentum tuum.
34 Nós te suplicamos, não nos abandones para sempre por causa do teu Nome, e não anules tua aliança. A alma recorda que a fidelidade divina permanece acima das mudanças da história.
XXXV
Ne auferas misericordiam tuam a nobis propter Abraham dilectum tuum et Isaac servum tuum et Israel sanctum tuum.
35 Não afastes de nós tua misericórdia por causa de Abraão, teu amigo, de Isaac, teu servo, e de Israel, teu consagrado. Assim a consciência contempla a continuidade da promessa que atravessa as gerações.
XXXVI
Quibus locutus es multiplicaturum te semen eorum sicut stellas caeli et sicut arenam quae est in litore maris.
36 Tu lhes prometeste multiplicar sua descendência como as estrelas do céu e como a areia à beira do mar. O espírito reconhece que as promessas divinas pertencem a uma ordem que ultrapassa o tempo humano.
XXXVII
Quia Domine imminuti sumus plus quam omnes gentes sumusque humiles in universa terra hodie propter peccata nostra.
37 Senhor, hoje somos pequenos diante das nações e humilhados em toda a terra por causa de nossas faltas. A alma reconhece sua fragilidade e volta-se novamente para o Bem que a sustenta.
XXXVIII
Et non est in tempore hoc princeps et dux et propheta neque holocaustum neque sacrificium neque oblatio neque incensum neque locus primitiarum coram te.
38 Neste tempo não temos príncipe, nem guia, nem profeta, nem holocausto, nem sacrifício, nem oferta, nem incenso, nem lugar para apresentar as primícias diante de ti. Mesmo assim o coração humano permanece capaz de elevar-se interiormente ao Senhor.
XXXIX
Ut possimus invenire misericordiam tuam tamen in animo contrito et spiritu humilitatis suscipiamur.
39 Que possamos encontrar tua misericórdia e ser acolhidos com espírito humilde e coração contrito. Assim a interioridade torna-se espaço vivo de encontro com o Altíssimo.
XL
Sicut in holocausto arietum et taurorum et sicut in milibus agnorum pinguium sic fiat sacrificium nostrum in conspectu tuo hodie ut placeat tibi.
40 Que nossa entrega seja hoje diante de ti como o sacrifício de carneiros e touros e como milhares de cordeiros escolhidos. O coração sincero torna-se oferenda viva diante da presença eterna.
XLI
Quoniam non est confusio confidentibus in te.
41 Pois não haverá confusão para aqueles que confiam em ti. A alma que permanece fiel encontra firmeza na verdade que não passa.
XLII
Et nunc sequimur te in toto corde et timemus te et quaerimus faciem tuam.
42 Agora te seguimos de todo o coração, reverenciamos tua grandeza e buscamos tua face. O espírito descobre que cada instante pode tornar-se caminho de encontro com o Eterno.
XLIII
Ne confundas nos sed fac nobiscum iuxta mansuetudinem tuam et secundum multitudinem misericordiae tuae.
43 Não nos deixes confundidos, mas age conosco segundo tua bondade e a abundância de tua misericórdia. Assim a alma permanece aberta à ação silenciosa do Altíssimo.
Reflexão
A alma humana aprende a permanecer firme mesmo no interior das provações.
Quando o coração reconhece sua fragilidade, ele se volta para a fonte do bem.
Nesse retorno silencioso nasce uma força interior que sustenta o espírito.
A confiança purifica a consciência e restaura a ordem da vida.
Cada instante torna-se ocasião de fidelidade ao bem que ilumina o caminho.
O domínio interior conduz à serenidade diante das mudanças do mundo.
Assim o ser humano amadurece e aprende a caminhar com retidão.
E na quietude do coração encontra a presença que sustenta todas as coisas.
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