sábado, 22 de agosto de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura do Livro do Apocalipse de São João 21,9b-14 - 24.08.2026

Segunda-feira, 24 de Agosto de 2026
São Bartolomeu, Apóstolo, Festa, Ano A
21ª Semana do Tempo Comum


A cidade eterna repousa sobre fundamentos invisíveis; seus doze alicerces manifestam a ordem originária, enquanto os Apóstolos testemunham o Cordeiro como centro da existência.



Lectio Libri Apocalypsis Sancti Ioannis, XXI, IX-XIV

IX. Et venit unus de septem Angelis habentibus phialas plenas septem plagis novissimis, et locutus est mecum, dicens Veni, ostendam tibi sponsam, uxorem Agni.

9. E veio um dos sete Anjos que tinham as sete taças cheias das últimas sete pragas e falou comigo, dizendo Vem, e eu te mostrarei a Esposa, a mulher do Cordeiro. A realidade definitiva se revela como uma união perfeita entre a criatura e seu princípio, preparada para receber plenamente a presença daquele de quem procede.

X. Et sustulit me in spiritu in montem magnum et altum, et ostendit mihi civitatem sanctam Ierusalem descendentem de caelo a Deo.

10. E elevou-me em espírito a um monte grande e elevado, e mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, descendo do céu, da parte de Deus. A elevação interior permite contemplar a realidade em sua origem, enquanto a cidade que desce manifesta a presença divina acolhida no próprio coração da criação.

XI. Habentem claritatem Dei, lumen eius simile lapidi pretioso, tamquam lapidi iaspidis, sicut crystallum.

11. Ela possuía a glória de Deus, e sua luz era semelhante à de uma pedra preciosa, como o jaspe, resplandecente como o cristal. A luz divina não apenas ilumina a cidade, mas revela sua verdadeira natureza, fazendo aparecer aquilo que nela permanece ordenado à plenitude de sua origem.

XII. Et habebat murum magnum et altum, habentem portas duodecim, et in portis Angelos duodecim, et nomina inscripta, quae sunt nomina duodecim tribuum filiorum Israel.

12. Ela possuía uma muralha grande e elevada, com doze portas; junto às portas estavam doze Anjos, e nelas estavam inscritos os nomes das doze tribos dos filhos de Israel. A cidade manifesta uma ordem completa, na qual cada entrada conserva a memória de uma história conduzida por Deus até sua consumação.

XIII. Ab oriente portae tres, et ab aquilone portae tres, et ab austro portae tres, et ab occasu portae tres.

13. Ao oriente havia três portas, ao norte três portas, ao sul três portas e ao ocidente três portas. A distribuição perfeita das portas manifesta uma realidade plenamente ordenada, na qual todas as direções da criação convergem para uma única plenitude diante de Deus.

XIV. Et murus civitatis habens fundamenta duodecim, et in ipsis duodecim nomina duodecim Apostolorum Agni.

14. A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e sobre eles estavam os doze nomes dos doze Apóstolos do Cordeiro. Os fundamentos revelam uma realidade edificada sobre testemunhos que permanecem, pois a história dos Apóstolos está inscrita na própria estrutura da cidade que recebe sua plenitude no Cordeiro.

Verbum Domini

Reflexão

A cidade santa revela a plenitude preparada desde a origem.
Sua luz manifesta a presença que sustenta todas as coisas.
Os fundamentos recordam que toda existência necessita de uma origem verdadeira.
As doze portas exprimem uma ordem que conduz à plenitude.
O ser encontra sua maturidade quando reconhece aquilo que o sustenta.
A realidade visível alcança sua profundidade quando acolhe o invisível.
Os Apóstolos permanecem inscritos como testemunhas da verdade recebida.
No Cordeiro, a criação encontra sua consumação e sua paz.

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PRIMEIRA LEITURA - Leitura do Livro do Profeta Isaías 22,19-23 - 23.08.2026

Domingo, 23 de Agosto de 2026
21º Domingo do Tempo Comum, Ano A
Hoje, omite-se a Festa de Santa Rosa de Lima, virgem, Padroeira da América Latina


Eu o farei levar aos ombros a chave da casa de Davi, sinal da autoridade recebida do alto, que abre o mistério da eternidade interior.



Lectio Libri Isaiae XXII, 19-23

XIX
Et expellam te de statione tua, et de ministerio tuo deponam te.

19
Eu te afastarei da tua posição e te retirarei do ministério que te foi confiado. Assim, aquilo que parecia permanente será conduzido à transformação, para que se revele a verdadeira origem de toda autoridade e de todo serviço.

XX
Et erit in die illa, vocabo servum meum Eliacim, filium Helciæ.

20
Naquele dia, chamarei o meu servo Eliacim, filho de Helcias. Nele começará uma nova etapa, porque aquilo que Deus chama à existência recebe dele a força necessária para cumprir sua missão.

XXI
Et induam illum tunica tua, et cingulo tuo confortabo eum, et potestatem tuam dabo in manu ejus; et erit quasi pater habitantibus Jerusalem et domui Juda.

21
Eu o revestirei com a tua túnica, fortalecê-lo-ei com o teu cinturão e colocarei em suas mãos a autoridade. Ele será como um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá. Assim, a autoridade alcança sua verdadeira dignidade quando se torna expressão de responsabilidade, cuidado e fidelidade àquilo que recebeu.

XXII
Et dabo clavem domus David super humerum ejus; et aperiet, et non erit qui claudat; et claudet, et non erit qui aperiat.

22
Porei sobre seus ombros a chave da casa de Davi. Ele abrirá, e ninguém poderá fechar; fechará, e ninguém poderá abrir. A chave torna-se sinal de uma realidade confiada ao ser humano, na qual a decisão exterior encontra sua origem em uma ordem interior que procede de Deus.

XXIII
Et figam illum paxillum in loco fideli, et erit in solium gloriæ domui patris ejus.

23
Eu o fixarei como uma estaca em lugar firme, e ele será como um trono de glória para a casa de seu pai. Aquilo que é estabelecido na fidelidade encontra estabilidade para sustentar, através do tempo, aquilo que lhe foi confiado.

Reflexão

O chamado divino transforma a existência antes de manifestar sua obra exterior.
Aquilo que recebemos de Deus amadurece silenciosamente no interior do ser.
A verdadeira firmeza nasce quando a consciência encontra seu fundamento no eterno.
O instante pode acolher uma decisão que ultrapassa sua própria duração.
Toda missão autêntica exige uma interioridade capaz de permanecer fiel.
Os ombros que recebem a chave também recebem a responsabilidade de guardá-la.
O ser amadurece quando compreende que toda autoridade possui uma origem superior.
E aquilo que permanece unido a Deus encontra firmeza para cumprir sua missão.

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sexta-feira, 21 de agosto de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura do Livro do Profeta Isaías 9,1-6 - 22.08.2026

Sábado, 22 de Agosto de 2026
Bem-aventurada Virgem Maria Rainha, Memória
20ª Semana do Tempo Comum

Foi-nos dado um Filho, para que o eterno se manifeste no tempo, elevando o ser à consciência mais profunda de sua origem e plenitude interior.



Lectio libri Isaiae prophetae, IX, I-VI

I. Primo tempore alleviata est terra Zabulon et terra Nephthali: et novissimo aggravata est via maris trans Jordanem Galilaeae gentium.

1. No primeiro tempo, a terra de Zabulon e a terra de Neftali foram aliviadas, mas, no tempo posterior, foi honrada a estrada do mar, além do Jordão, na Galileia das nações. Assim, aquilo que parecia obscurecido começa a ser conduzido para uma manifestação mais profunda da luz.

II. Populus qui ambulabat in tenebris, vidit lucem magnam: habitantibus in regione umbrae mortis, lux orta est eis.

2. O povo que caminhava nas trevas viu uma grande luz, e para aqueles que habitavam na região da sombra da morte surgiu a luz. A existência, quando alcançada pela presença divina, desperta para uma realidade que ultrapassa a aparência imediata e revela uma dimensão mais profunda do ser.

III. Multiplicasti gentem, et non magnificasti laetitiam. Laetabuntur coram te, sicut qui laetantur in messe: sicut exsultant victores capta praeda, quando dividunt spolia.

3. Multiplicaste o povo e fizeste crescer sua alegria. Eles se alegrarão diante de ti como aqueles que se alegram na colheita e como os vencedores que exultam ao repartir os despojos. A alegria manifesta-se quando aquilo que estava oculto alcança sua realização e o ser reconhece a plenitude que recebeu de sua origem.

IV. Jugum enim oneris ejus, et virgam humeri ejus, et sceptrum exactoris ejus superasti, sicut in die Madian.

4. Pois quebraste o jugo que pesava sobre ele, a vara sobre seus ombros e o cetro daquele que o oprimia, como no dia de Madiã. A realidade que aprisionava a existência perde sua força quando uma ordem superior restaura o ser em sua verdade e o reconduz à plenitude de sua finalidade.

V. Quia omnis violenta praedatio cum tumultu, et vestimentum mistum sanguine, erit in combustionem, et cibus ignis.

5. Porque toda violência realizada no tumulto e toda veste manchada de sangue serão entregues à combustão e servirão de alimento ao fogo. Aquilo que pertence à desordem e à destruição não possui permanência diante da realidade que se orienta para a verdade, pois o que é contrário à plenitude acaba sendo consumido.

VI. Parvulus enim natus est nobis, et filius datus est nobis, et factus est principatus super humerum ejus: et vocabitur nomen ejus, Admirabilis, Consiliarius, Deus, Fortis, Pater futuri saeculi, Princeps pacis.

6. Porque um menino nasceu para nós e um filho nos foi dado; sobre seus ombros repousará o principado, e seu nome será Admirável, Conselheiro, Deus Forte, Pai do futuro século e Príncipe da paz. Nele, a eternidade manifesta sua presença no tempo, e a realidade humana é elevada à contemplação de uma plenitude que tem sua origem no próprio Deus.

Reflexão

A luz divina alcança o ser quando a existência se abre à sua origem.
O que estava oculto pode tornar-se presença e realidade manifesta.
A passagem das trevas para a luz revela uma transformação interior.
A verdade ilumina aquilo que permanece obscurecido na consciência.
O nascimento anunciado manifesta uma presença que ultrapassa o instante.
A existência encontra direção quando reconhece sua finalidade superior.
A paz nasce da ordenação interior diante da verdade eterna.
E a plenitude se revela quando o ser acolhe a luz que procede de Deus.

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quinta-feira, 20 de agosto de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura da Profecia de Ezequiel 37,1-14 - 21.08.2026

Sexta-feira, 21 de Agosto de 2026
São Pio X, papa, Memória
20ª Semana do Tempo Comum


Quando a Palavra do Senhor penetra o silêncio do ser, aquilo que parecia morto desperta, e a existência reencontra sua origem, sua verdade e plenitude.



Prophetia Ezechielis, XXXVII, I-XIV

I. Facta est super me manus Domini, et eduxit me in spiritu Domini, et dimisit me in medio campi, qui erat plenus ossibus.

1. A mão do Senhor veio sobre mim, e o seu Espírito conduziu-me para o meio de um campo repleto de ossos. Ali, onde a vida parecia ter desaparecido inteiramente, a Palavra revelou que aquilo que aos olhos humanos parecia encerrado ainda permanecia aberto à ação daquele que sustenta todo ser.

II. Et circumduxit me per ea in gyro. Erant autem multa valde super faciem campi, siccaque vehementer.

2. Ele me fez passar ao redor deles, e eram numerosos sobre toda a extensão do campo, extremamente secos. A secura manifesta o limite daquilo que já não possui força própria para retornar à plenitude, mas também prepara o espaço onde uma ação superior poderá restaurar a ordem perdida.

III. Et dixit ad me. Fili hominis, putasne vivent ossa ista? Et dixi. Domine Deus, tu nosti.

3. E disse-me. Filho do homem, acaso poderão estes ossos viver? Eu respondi. Senhor Deus, vós o sabeis. Diante do limite da compreensão humana, permanece o reconhecimento de que a origem e a finalidade da vida pertencem àquele que conhece profundamente o ser e suas possibilidades.

IV. Et dixit ad me. Vaticinare de ossibus istis, et dices eis. Ossa arida, audite verbum Domini.

4. E disse-me. Profetiza sobre estes ossos e dize-lhes. Ossos ressequidos, escutai a palavra do Senhor. A Palavra alcança aquilo que parecia incapaz de responder, porque a realidade mais profunda do ser não se encerra naquilo que sua aparência presente manifesta.

V. Haec dicit Dominus Deus ossibus his. Ecce ego intromittam in vos spiritum, et vivetis.

5. Assim diz o Senhor Deus a estes ossos. Eis que farei entrar em vós o espírito, e vivereis. A vida não nasce apenas da estrutura exterior, mas do sopro que restitui ao ser sua capacidade de permanecer unido à fonte de onde procede.

VI. Et dabo super vos nervos, et succrescere faciam super vos carnes, et superextendam in vobis cutem, et dabo vobis spiritum, et vivetis, et scietis quia ego Dominus.

6. Porei tendões sobre vós, farei crescer a carne, estenderei sobre vós a pele e vos darei o espírito, e vivereis. Então reconhecereis que eu sou o Senhor. A restauração acontece como uma recomposição progressiva do ser, até que aquilo que estava disperso encontre novamente sua forma e sua unidade sob a ação daquele que lhe dá existência.

VII. Et prophetavi sicut praeceperat mihi. Factus est autem sonitus, prophetante me, et ecce commotio, et accesserunt ossa ad ossa, unumquodque ad juncturam suam.

7. Profetizei conforme me fora ordenado, e, enquanto eu profetizava, ouviu-se um ruído e aconteceu um movimento. Os ossos aproximaram-se uns dos outros, cada qual encontrando sua própria articulação. Aquilo que estava separado começou a reencontrar sua ordem, mostrando que a restauração verdadeira não consiste em simples acréscimo, mas na recuperação da unidade interior.

VIII. Et vidi, et ecce super ea nervi et carnes ascenderunt, et extenta est in eis cutis desuper, et spiritum non habebant.

8. E vi, e havia sobre eles tendões e carne, e a pele os revestia por cima, mas ainda não havia neles espírito. A forma havia sido restaurada, mas a forma, por si mesma, ainda não constituía a plenitude da vida. O ser necessita de um princípio interior que anime aquilo que exteriormente já foi recomposto.

IX. Et dixit ad me. Vaticinare ad spiritum, vaticinare, fili hominis, et dices ad spiritum. Haec dicit Dominus Deus. A quatuor ventis veni, spiritus, et insuffla super interfectos istos, et reviviscant.

9. E disse-me. Profetiza ao espírito, profetiza, filho do homem, e dize ao espírito. Assim diz o Senhor Deus. Vem dos quatro ventos, ó espírito, e sopra sobre estes mortos, para que revivam. O sopro divino alcança a profundidade que nenhuma forma exterior consegue produzir por si mesma e desperta novamente aquilo que permanecia silencioso.

X. Et prophetavi sicut praeceperat mihi, et ingressus est in ea spiritus, et vixerunt, steteruntque super pedes suos, exercitus grandis nimis valde.

10. Profetizei conforme me fora ordenado, e o espírito entrou neles. Eles viveram e se levantaram sobre os próprios pés, formando um grande exército. A vida recebida manifesta sua força quando o ser recupera sua unidade, sua orientação e sua capacidade de permanecer de pé diante da existência.

XI. Et dixit ad me. Fili hominis, ossa haec universa, domus Israel est. Ipsi dicunt. Aruerunt ossa nostra, et periit spes nostra, et abscissi sumus.

11. E disse-me. Filho do homem, todos estes ossos são a casa de Israel. Eles dizem. Nossos ossos estão ressequidos, nossa esperança desapareceu e fomos separados. A experiência do esvaziamento revela o momento em que a criatura já não encontra em suas próprias forças a razão suficiente para sustentar sua esperança.

XII. Propterea vaticinare, et dices ad eos. Haec dicit Dominus Deus. Ecce ego aperiam tumulos vestros, et educam vos de sepulchris vestris, populus meus, et inducam vos in terram Israel.

12. Por isso, profetiza e dize-lhes. Assim diz o Senhor Deus. Eis que abrirei os vossos túmulos, farei sair-vos de vossas sepulturas, meu povo, e vos conduzirei à terra de Israel. O túmulo deixa de ser a palavra definitiva sobre o ser, porque o Senhor pode abrir aquilo que parecia definitivamente fechado e conduzir a existência para uma nova condição de plenitude.

XIII. Et scietis quia ego Dominus, cum aperuero sepulchra vestra, et eduxero vos de tumulis vestris, popule meus.

13. E sabereis que eu sou o Senhor quando eu abrir as vossas sepulturas e vos fizer sair dos vossos túmulos, meu povo. O conhecimento de Deus nasce também da experiência de sua ação sobre aquilo que ultrapassa as possibilidades humanas, revelando que o fim aparente não constitui o fim verdadeiro.

XIV. Et dedero spiritum meum in vobis, et vixeritis, et requiescere vos faciam super humum vestram, et scietis quia ego Dominus locutus sum, et feci, ait Dominus Deus.

14. Porei em vós o meu espírito, e vivereis. Eu vos estabelecerei novamente sobre a vossa terra, e sabereis que eu sou o Senhor. Eu falei e eu o realizei, diz o Senhor Deus. A Palavra divina não permanece apenas como promessa, mas alcança a realidade e conduz o ser à sua restauração, fazendo da existência renovada uma resposta viva àquele que a chamou à plenitude.

Reflexão:

O silêncio do ser não significa ausência, pois a origem permanece sustentando aquilo que ainda pode renascer.
Aquilo que parece encerrado pode conservar uma possibilidade que somente uma ação superior consegue despertar.
A Palavra alcança a profundidade onde a forma exterior já não encontra força para restaurar-se.
O espírito reúne novamente aquilo que estava disperso e conduz cada realidade à sua unidade própria.
A verdadeira renovação começa quando a pessoa reconhece que sua existência não termina nos seus limites presentes.
Cada instante pode acolher uma transformação interior capaz de orientar novamente a inteligência, a vontade e o coração.
Aquele que reconhece sua origem aprende a permanecer firme diante daquilo que ainda não compreende plenamente.
Quando o sopro divino penetra o ser, a existência reencontra sua direção e caminha para a plenitude.

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terça-feira, 18 de agosto de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura da Profecia de Ezequiel 36,23-28 - 20.08.2026

Quinta-feira, 20 de Agosto de 2026
São Bernardo, abade e doutor da Igreja, Memória
20ª Semana do Tempo Comum


Recebereis um coração renovado, e um espírito novo habitará vossa interioridade, reorientando o ser para sua origem, conduzindo-o conscientemente à plenitude, à realização eterna.



Lectio Prophetiae Ezechiel, XXXVI, XXIII-XXVIII

XXIII
Et sanctificabo nomen meum magnum quod pollutum est inter gentes, quod polluistis in medio earum: ut sciant gentes quia ego Dominus, ait Dominus exercituum, cum sanctificatus fuero in vobis coram eis.

23. Santificarei o meu grande nome, que foi profanado entre as nações e que vós profanastes no meio delas. Assim, as nações reconhecerão que eu sou o Senhor, quando, por meio de vós, minha santidade se manifestar diante de seus olhos.

XXIV
Tollam quippe vos de gentibus, et congregabo vos de universis terris, et adducam vos in terram vestram.

24. Eu vos retirarei dentre as nações, vos reunirei de todas as terras e vos conduzirei novamente à vossa terra, reunindo aquilo que estava disperso e reconduzindo a existência à sua origem.

XXV
Et effundam super vos aquam mundam, et mundabimini ab omnibus inquinamentis vestris, et ab universis idolis vestris mundabo vos.

25. Derramarei sobre vós uma água pura, e sereis purificados de todas as vossas impurezas. Purificarei também aquilo que ocupou indevidamente o centro de vosso ser, para que a interioridade novamente se abra à verdade.

XXVI
Et dabo vobis cor novum, et spiritum novum ponam in medio vestri: et auferam cor lapideum de carne vestra, et dabo vobis cor carneum.

26. Eu vos darei um coração novo e colocarei em vosso interior um espírito novo. Retirarei de vós o coração endurecido e vos darei um coração vivo, capaz de acolher, contemplar e responder à realidade que o chama à plenitude.

XXVII
Et spiritum meum ponam in medio vestri: et faciam ut in praeceptis meis ambuletis, et judicia mea custodiatis et operemini.

27. Colocarei o meu espírito no vosso interior e farei com que caminheis segundo minha vontade, guardando meus preceitos e realizando em vossa existência aquilo que foi reconhecido como verdadeiro.

XXVIII
Et habitabitis in terra quam dedi patribus vestris: et eritis mihi in populum, et ego ero vobis in Deum.

28. Habitareis na terra que dei aos vossos antepassados, e sereis para mim um povo, enquanto eu serei para vós o vosso Deus. Assim, a existência reencontrará sua morada, sua origem e sua finalidade na presença daquele que a conduz à plenitude.

Reflexão

O coração renovado torna-se morada de uma realidade mais profunda.
A purificação interior prepara o ser para uma nova forma de existência.
A água simboliza a passagem da dispersão para a unidade interior.
O coração vivo acolhe aquilo que procede da origem eterna.
O espírito recebido transforma a possibilidade em realização consciente.
A existência encontra sua direção quando reconhece sua finalidade superior.
O presente torna-se lugar de encontro entre origem, realização e plenitude.
Quando o ser se abre à presença divina, sua existência começa a habitar aquilo para que foi criada.

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segunda-feira, 17 de agosto de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura da Profecia de Ezequiel 34,1-11 - 19.08.2026

Quarta-feira, 19 de Agosto de 2026
20ª Semana do Tempo Comum, Ano Par (II)


Senhor, retira teu ser do domínio que o consome, conduzindo-o ao interior da verdade, onde sua existência amadurece e encontra sua finalidade eterna.



Lectio Prophetiae Ezechielis, XXXIV, I-XI

I

Et factum est verbum Domini ad me, dicens.

1. A palavra do Senhor veio a mim e revelou que, antes de toda manifestação exterior, existe uma realidade interior que recebe sua forma pela escuta e pela presença de Deus.

II

Fili hominis, propheta de pastoribus Israël, propheta, et dices pastoribus. Hæc dicit Dominus Deus. Væ pastoribus Israël, qui pascebant semetipsos. Nonne greges a pastoribus pascuntur?

2. Filho do homem, profetiza acerca dos pastores de Israel e anuncia-lhes a palavra do Senhor. Ai daqueles que deveriam conduzir, mas voltaram o cuidado para si mesmos. Não foram chamados para alimentar o próprio centro, mas para guardar aquilo que lhes foi confiado.

III

Lac comedebatis, et lanis operiebamini, et quod crassum erat occidebatis. Gregem autem meum non pascebatis.

3. Alimentáveis-vos do leite e cobríeis-vos com a lã, aproveitando aquilo que era mais abundante, mas não alimentáveis o rebanho. Assim, aquilo que deveria servir à vida tornou-se finalidade em si mesmo, e a existência perdeu sua orientação para o bem que a transcende.

IV

Quod infirmum fuit non consolidastis, et quod ægrotum non sanastis. Quod confractum est non alligastis, et quod abjectum est non reduxistis, et quod perierat non quæsistis. Sed cum austeritate imperabatis eis, et cum potentia.

4. Não fortalecestes o que estava fraco, não curastes o que estava enfermo, não reunistes o que estava quebrado, não reconduzistes o que se havia afastado e não procurastes aquilo que se perdera. Pelo contrário, governastes com dureza e força, esquecendo que toda autoridade verdadeira deve conduzir a realidade para sua finalidade e não submetê-la ao próprio domínio.

V

Et dispersæ sunt oves meæ, eo quod non esset pastor. Et factæ sunt in devorationem omnium bestiarum agri, et dispersæ sunt.

5. Por não haver verdadeiro pastor, minhas ovelhas se dispersaram e tornaram-se vulneráveis às forças que as devoravam. Quando o princípio que reúne a existência desaparece, aquilo que deveria possuir unidade interior perde sua direção e se fragmenta.

VI

Erraverunt greges mei in cunctis montibus, et in universo colle excelso. Et super omnem faciem terræ dispersi sunt greges mei, et non erat qui requireret. Non erat, inquam, qui requireret.

6. Meus rebanhos vaguearam por todos os montes e por todas as colinas elevadas. Espalharam-se sobre toda a face da terra, e não havia quem os procurasse. Não havia quem penetrasse o silêncio de sua dispersão para reconduzi-los à unidade de sua origem.

VII

Propterea, pastores, audite verbum Domini.

7. Por isso, pastores, escutai a palavra do Senhor. A verdadeira orientação começa quando o ser deixa de ouvir apenas a si mesmo e se abre à Palavra que o chama para além de sua própria medida.

VIII

Vivo ego, dicit Dominus Deus, quia pro eo quod facti sunt greges mei in rapinam, et oves meæ in devorationem omnium bestiarum agri, eo quod non esset pastor. Neque enim quæsierunt pastores mei gregem meum, sed pascebant pastores semetipsos, et greges meos non pascebant.

8. Por minha vida, diz o Senhor Deus, porque meus rebanhos se tornaram presa e minhas ovelhas alimento das feras, por não haver pastor. Meus pastores não procuraram meu rebanho, mas alimentaram a si mesmos. Quando o cuidado se fecha sobre o próprio centro, perde-se a finalidade pela qual a existência recebeu sua missão.

IX

Propterea, pastores, audite verbum Domini.

9. Por isso, pastores, escutai a palavra do Senhor. O chamado retorna, porque a verdade não abandona o ser quando este se afasta dela, mas permanece convocando-o ao reencontro com sua origem.

X

Hæc dicit Dominus Deus. Ecce ego ipse super pastores. Requiram gregem meum de manu eorum, et cessare faciam eos, ut ultra non pascant gregem, nec pascant amplius pastores semetipsos. Et liberabo gregem meum de ore eorum, et non erit ultra eis in escam.

10. Assim diz o Senhor Deus. Eu mesmo virei sobre os pastores. Retomarei deles o meu rebanho e farei cessar aquele domínio que desviou sua finalidade. Libertarei o meu rebanho daquilo que o consumia, para que aquilo que foi destinado à vida não permaneça submetido àquilo que o destrói.

XI

Quia hæc dicit Dominus Deus. Ecce ego ipse requiram oves meas, et visitabo eas.

11. Porque assim diz o Senhor Deus. Eu mesmo procurarei minhas ovelhas e irei ao encontro delas. O próprio Deus entra no espaço da dispersão para reencontrar aquilo que havia se afastado, restaurando silenciosamente a unidade perdida e conduzindo cada ser novamente à sua origem.

Reflexão

A existência encontra sua unidade quando reconhece a origem que a sustenta.
Nenhum ser alcança sua plenitude quando transforma a si mesmo em finalidade absoluta.
A consciência amadurece quando aprende a ordenar seus movimentos interiores.
Cada instante pode tornar-se ocasião para retomar o caminho essencial.
A verdadeira força nasce do domínio sereno sobre aquilo que desordena o interior.
O ser não precisa permanecer determinado pelo estado em que se encontra.
A Palavra divina chama continuamente a existência para uma forma mais elevada.
E aquilo que retorna à sua origem reencontra o sentido profundo de sua própria existência.

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domingo, 16 de agosto de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura da Profecia de Ezequiel 28,1-10 - 18.08.2026

Terça-feira, 18 de Agosto de 2026
20ª Semana do Tempo Comum, Ano Par (II)


És criatura e não Deus, mas, quando teu pensamento pretende igualar-se ao Eterno, a razão perde a medida de sua própria origem e limitação interior.



Lectio Prophetiae Ezechielis, XXVIII, I–X

I. Et factus est sermo Domini ad me, dicens.

1. E veio a mim a palavra do Senhor, revelando que a existência recebe sua verdadeira orientação quando se abre à realidade que a transcende.

II. Fili hominis, dic principi Tyri: Haec dicit Dominus Deus: Eo quod elevatum est cor tuum, et dixisti: Deus ego sum, et in cathedra Dei sedi in corde maris, cum sis homo, et non Deus: et dedisti cor tuum quasi cor Dei.

2. Filho do homem, dize ao príncipe de Tiro. Assim fala o Senhor Deus. Porque teu coração se elevou e disseste, Eu sou Deus e assento-me no trono de Deus, no coração do mar, embora sejas homem e não Deus, e fizeste teu coração semelhante ao coração de Deus. Quando a criatura pretende ocupar o lugar do Eterno, perde a medida de sua própria origem e transforma sua consciência em espelho de uma grandeza que não lhe pertence.

III. Ecce sapientior es tu Daniele: omne secretum non est absconditum a te.

3. Eis que te consideras mais sábio que Daniel e nenhum mistério parece oculto aos teus olhos. Entretanto, o conhecimento que não reconhece seu próprio limite transforma-se em ilusão, pois conhecer muitas coisas não significa possuir a origem última de todas elas.

IV. In sapientia et prudentia tua fecisti tibi fortitudinem, et acquisisti aurum et argentum in thesauris tuis.

4. Pela tua sabedoria e prudência adquiriste força para ti e acumulaste ouro e prata em teus tesouros. Porém, aquilo que foi recebido como instrumento pode tornar-se uma aparência de autossuficiência quando o ser esquece que nenhuma realidade criada possui em si mesma o fundamento de sua existência.

V. In multitudine sapientiae tuae, et in negotiatione tua multiplicasti tibi fortitudinem, et elevatum est cor tuum in robore tuo.

5. Pela abundância de tua sabedoria e por tua atividade multiplicaste tua força, e teu coração se elevou por causa de teu próprio poder. Assim, aquilo que deveria servir ao amadurecimento do ser pode tornar-se motivo de exaltação, quando a criatura confunde aquilo que recebeu com aquilo que ela própria é em sua origem.

VI. Propterea haec dicit Dominus Deus: Eo quod elevatum est cor tuum quasi cor Dei.

6. Por isso, assim fala o Senhor Deus. Porque teu coração se elevou como se fosse o coração de Deus. O desvio começa quando a criatura deixa de contemplar o Eterno como origem e passa a contemplar a si mesma como medida última da realidade.

VII. Idcirco ecce ego adducam super te alienos, robustissimos gentium: et nudabunt gladios suos super pulchritudinem sapientiae tuae, et polluent decorem tuum.

7. Por isso, eis que trarei contra ti estrangeiros, os mais poderosos entre as nações. Eles despojarão com suas espadas a aparência de tua sabedoria e profanarão teu esplendor. Aquilo que parecia permanente será revelado em sua condição passageira, e aquilo que parecia possuir consistência absoluta descobrirá sua fragilidade.

VIII. Interficient, et detrahent te: et morieris in interitu occisorum in corde maris.

8. Eles te ferirão e te derrubarão, e morrerás com a morte daqueles que perecem no coração do mar. A existência que se fecha sobre sua própria grandeza encontra finalmente o limite que nenhuma acumulação consegue ultrapassar.

IX. Numquid dicens loqueris: Deus ego sum, coram interficientibus te, cum sis homo, et non Deus, in manu occidentium te?

9. Acaso ainda dirás, Eu sou Deus, diante daqueles que te ferem, embora sejas homem e não Deus, nas mãos daqueles que te vencem? Quando a realidade se manifesta em sua verdade última, toda pretensão de autossuficiência perde sua aparência e a criatura reencontra a medida de seu próprio ser.

X. Morte incircumcisorum morieris in manu alienorum, quia ego locutus sum, ait Dominus Deus.

10. Morrerás com a morte dos incircuncisos, pela mão dos estrangeiros, porque Eu o disse, afirma o Senhor Deus. A palavra divina permanece como medida diante da qual toda realidade criada precisa reconhecer sua origem, seu limite e seu destino.

Reflexão

A criatura encontra sua grandeza quando reconhece a Fonte de onde recebeu o ser.
Nenhuma inteligência criada contém em si a plenitude do mistério que procura compreender.
O conhecimento amadurece quando deixa de transformar-se em pretensão de domínio absoluto.
Aquilo que parece permanente revela sua fragilidade diante da passagem do tempo.
Somente aquilo que se orienta para o Eterno pode atravessar interiormente o instante passageiro.
A verdadeira sabedoria consiste em permanecer diante da realidade sem usurpar seu fundamento.
Quando o coração abandona a própria exaltação, começa a reencontrar sua ordem mais profunda.
E, nessa ordem, o ser reconhece que sua plenitude nasce da comunhão com Aquele que permanece.

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