segunda-feira, 10 de agosto de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura da Profecia de Ezequiel 2,8-3,4 - 11.08.2026

Terça-feira, 11 de Agosto de 2026
Santa Clara, virgem, Memória
19ª Semana do Tempo Comum


Ele alimentou minha alma com o mistério, e sua doçura desceu ao íntimo, como mel eterno, renovando silenciosamente o ser diante da presença divina.



Lectio Prophetiae Ezechielis

II, VIII-III, IV

VIII. Tu autem, fili hominis, audi quæ ego loquor ad te, et noli esse amarus sicut domus exasperans est, quoniam os tuum dedi in domum Israel.

8. Quanto a ti, filho do homem, escuta aquilo que te digo e não te tornes amargo como esta casa que se rebela, pois entreguei à tua boca uma palavra destinada à casa de Israel.

IX. Et ecce dedi faciem tuam valentiorem faciebus eorum, et frontem tuam duriorem frontibus eorum.

9. Eis que tornei o teu rosto firme diante dos seus rostos e a tua fronte resistente diante de suas frontes, para que permaneças interiormente firme diante daquilo que procura afastar tua alma de sua missão.

X. Ut adamantem, et ut silicem dedi faciem tuam, ne timeas eos, neque metuas a facie eorum, quia domus exasperans est.

10. Fiz o teu rosto como o diamante e como a pedra, para que não temas nem te perturbes diante deles, porque esta é uma casa que se rebela. Assim, a alma fortalecida pela verdade permanece firme sem se deixar dominar pela perturbação.

III. I. Et dixit ad me, fili hominis, omnia verba mea, quæ loquor ad te, suscipe auribus tuis, et in corde tuo audi.

1. E disse-me, filho do homem, recebe em teus ouvidos todas as minhas palavras que te falo e acolhe-as em teu coração. A verdade precisa ser recebida profundamente antes de transformar interiormente aquele que a escuta.

II. Et vade, ingredere ad domum Israel, et loqueris verba mea ad eos.

2. Vai, entra na casa de Israel e fala-lhes as minhas palavras. Aquilo que foi acolhido no interior deve tornar-se palavra viva, permitindo que a verdade recebida atravesse a existência e alcance sua manifestação.

III. Et aperuit os suum, et cibavit me volumine illo,

3. Então abriu a minha boca e fez-me alimentar-me daquele escrito. A palavra recebida não permanece exterior à alma, mas torna-se alimento interior e princípio de transformação.

IV. Et dixit ad me, fili hominis, venter tuus comedet, et viscera tua complebuntur volumine isto, quod ego do tibi. Et comedi illud, et factum est in ore meo sicut mel dulce.

4. E disse-me, filho do homem, alimenta-te com isto, e teu interior será preenchido por aquilo que te dou. Eu o comi, e tornou-se em minha boca doce como o mel. A verdade acolhida profundamente pode tornar-se uma doçura interior que transforma a consciência e conduz a alma para uma realidade mais elevada.

Verbum Domini

Reflexão

A alma encontra sua firmeza quando permanece interiormente voltada para aquilo que reconhece como verdadeiro.
A palavra recebida em profundidade transforma o interior antes de alcançar qualquer manifestação exterior.
O silêncio permite que a consciência distinga o que é passageiro daquilo que possui permanência.
A firmeza espiritual nasce quando a razão permanece serena diante das perturbações que atravessam a existência.
Aquilo que inicialmente parece exigente pode tornar-se doce quando é compreendido como caminho de amadurecimento interior.
O presente adquire profundidade quando a alma o habita com atenção e o oferece à verdade que a transcende.
Cada instante pode tornar-se ocasião de crescimento quando a vontade permanece ordenada ao bem e à verdade.
Assim, a alma aprende a receber a palavra, assimilá-la no silêncio e permitir que ela transforme todo o seu ser.

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domingo, 9 de agosto de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Coríntios 9,6-10 - 10.08.2026

Segunda-feira, 10 de Agosto de 2026
São Lourenço, diácono e mártir, Festa, Ano A
19ª Semana do Tempo Comum


Deus ama quem dá com alegria, pois na dádiva o instante se abre à eternidade, e o ser, desprendido, participa do Mistério divino em silêncio.


Segue o texto organizado conforme solicitado, mantendo o latim da Vulgata Clementina e colocando a tradução contemplativa logo abaixo de cada versículo.


Epistola Secunda Sancti Pauli Apostoli ad Corinthios, 9,6-10

VI
Hoc autem dico: Qui seminat parce, parce et metet: et qui seminat in benedictionibus, de benedictionibus et metet.

6 Quem semeia com medida, também colherá com medida; e quem semeia na bênção, da bênção colherá, pois cada gesto realizado no tempo presente permanece aberto à plenitude que o transcende.

VII
Unusquisque prout destinavit in corde suo, non ex tristitia, aut ex necessitate: hilarem enim datorem diligit Deus.

7 Cada um ofereça segundo aquilo que determinou em seu coração, não por tristeza nem por constrangimento, pois Deus ama aquele que dá com alegria, quando o coração repousa na ordem interior.

VIII
Potens est autem Deus omnem gratiam abundare facere in vobis: ut in omnibus semper omnem sufficientiam habentes, abundetis in omne opus bonum,

8 Deus pode fazer abundar em vós toda graça, para que, possuindo em tudo a suficiência interior, vossa existência se eleve à plenitude de toda obra boa.

IX
Sicut scriptum est: Dispersit, dedit pauperibus: justitia ejus manet in saeculum saeculi.

9 Como está escrito, distribuiu e deu aos necessitados; sua justiça permanece pelos séculos, porque aquilo que nasce da ordem do coração não se extingue com a passagem dos instantes.

X
Qui autem administrat semen seminanti, et panem ad manducandum praestabit, et multiplicabit semen vestrum, et augebit incrementa frugum justitiae vestrae.

10 Aquele que oferece a semente ao semeador e o pão para alimento também multiplicará vossa semente e fará crescer os frutos da justiça, conduzindo a existência à sua plena realização.

Reflexão:

O coração encontra sua verdadeira medida quando repousa na ordem do eterno.
Cada instante pode tornar-se passagem para uma realidade mais profunda.
Dar com alegria significa agir sem permanecer prisioneiro daquilo que passa.
A alma amadurece quando governa seus movimentos pela serenidade interior.
Nada que procede do bem se perde diante da sucessão dos instantes.
Aquele que semeia com retidão prepara silenciosamente uma colheita que ultrapassa o tempo comum.
A existência encontra plenitude quando o presente se ordena àquilo que permanece.
Assim, o coração aprende a habitar o instante sem perder de vista a eternidade.

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sexta-feira, 7 de agosto de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura do Primeiro Livro dos Reis 19,9a.11-13a - 09.08.2026

Domingo, 9 de Agosto de 2026
19º Domingo do Tempo Comum, Ano A


Permanece sobre o monte, onde o instante se abre à eternidade, e tua consciência, diante do Inefável, repousa na presença do Senhor, em silêncio profundo.



Lectio libri tertii regum XIX, IXa, XI-XIIIa

IXa Cumque venisset illuc, mansit in spelunca.

9a Tendo chegado ao lugar, Elias permaneceu na caverna, recolhido à profundidade do silêncio, onde a alma se afasta do ruído exterior para permanecer diante do mistério de Deus.

XI Et ait ei: Egredere, et sta in monte coram Domino: et ecce Dominus transit. Et spiritus grandis et fortis subvertens montes, et conterens petras, ante Dominum: non in spiritu Dominus. Et post spiritum commotio: non in commotione Dominus.

11 E o Senhor lhe disse para sair e permanecer sobre o monte diante de sua presença. Então o Senhor passou. Um vento grande e impetuoso derrubava os montes e despedaçava as pedras diante do Senhor, mas o Senhor não estava no vento. Depois do vento veio o abalo, mas o Senhor não estava no abalo. Assim, aquilo que se manifesta com força e perturbação não constitui, por si mesmo, a plenitude da presença divina.

XII Et post commotionem ignis: non in igne Dominus. Et post ignem sibilus aurae tenuis.

12 Depois do abalo veio o fogo, mas o Senhor não estava no fogo. Depois do fogo veio o murmúrio de uma brisa suave. Quando todo ruído se aquieta, a alma percebe que a presença divina não necessita da violência do acontecimento, pois pode revelar-se na delicadeza silenciosa que alcança o mais profundo do ser.

XIIIa Quod cum audisset Elias, operuit vultum suum pallio, et egressus stetit in ostio speluncae.

13a Ao ouvir aquele murmúrio, Elias cobriu o rosto com o manto, saiu e permaneceu à entrada da caverna. O profeta reconheceu que a verdadeira aproximação do mistério exige reverência, silêncio e uma interioridade capaz de acolher a presença que se manifesta além de toda forma visível.

Reflexão:

A alma sobe ao monte quando abandona a dispersão e se recolhe diante do mistério.
Nem todo poder exterior revela a presença daquele que sustenta todas as coisas.
O vento passa, o abalo cessa e o fogo se extingue, mas a presença permanece.
Existe uma profundidade onde o silêncio se torna mais eloquente que o ruído.
Elias aprende que o eterno pode tocar o instante sem destruir sua delicadeza.
O coração amadurece quando deixa de procurar Deus apenas no extraordinário.
Na quietude, a consciência reencontra sua origem e contempla sua verdadeira direção.
Diante da presença divina, o silêncio deixa de ser vazio e torna-se plenitude.

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quinta-feira, 6 de agosto de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura da Profecia de Habacuc 1,12-2,4 - 08.08.2026

Sábado, 8 de Agosto de 2026
São Domingos, presbítero, Memória
18ª Semana do Tempo Comum


O justo vive pela fé, porque a confiança abre a alma ao Eterno, onde o instante se une à eternidade e a existência encontra sentido.



Lectio Prophetiae Habacuc, I, XII–II, IV

I. XII. Numquid non tu a principio, Domine, Deus meus, sancte meus, et non moriemur ? Domine, in judicium posuisti eum, et fortem, ut corriperes, fundasti eum.

12. Não sois vós, Senhor, desde o princípio, meu Deus e meu Santo? E nós não pereceremos. Senhor, estabelecestes aquilo que nos ultrapassa para o juízo e firmastes o que permanece como instrumento de correção. Vós sois a origem que sustenta o ser através de todas as mudanças e a eternidade na qual nenhum instante se perde.

I. XIII. Mundi sunt oculi tui, ne videas malum, et respicere ad iniquitatem non poteris. Quare respicis super iniqua agentes, et taces devorante impio justiorem se ?

13. Vossos olhos são puros e não contemplam o mal como finalidade, nem podem aprovar a iniquidade. Por que, então, permitis que aquilo que é desordenado pareça dominar por algum tempo e permaneceis em silêncio enquanto aquilo que se afasta da verdade parece consumir aquele que busca a justiça? O silêncio divino, porém, não é ausência, mas profundidade onde o sentido ainda não se revelou inteiramente.

I. XIV. Et facies homines quasi pisces maris, et quasi reptile non habens principem.

14. Assim, os homens parecem como peixes do mar e como criaturas que se movem sem direção definida. Quando a consciência perde seu centro, a existência torna-se movimento sem orientação, submetida ao fluxo das circunstâncias e afastada da origem que poderia conferir unidade ao seu caminho.

I. XV. Totum in hamo sublevavit, traxit illud in sagena sua, et congregavit in rete suum. Super hoc lætabitur, et exsultabit.

15. Ele os recolhe como quem lança o anzol, os arrasta para sua rede e os reúne sob o domínio de sua própria força. E sobre isso se alegra e exulta. Assim também a alma pode ser envolvida por aquilo que a domina exteriormente quando deixa de permanecer unida à verdade que habita em sua profundidade.

I. XVI. Propterea immolabit sagenæ suæ, et sacrificabit reti suo, quia in ipsis incrassata est pars ejus, et cibus ejus electus.

16. Por isso, oferece sacrifício à sua própria rede e presta culto ao instrumento pelo qual se fortaleceu, porque nele encontrou sua porção e seu alimento escolhido. O coração humano pode transformar seus próprios instrumentos em absolutos quando se esquece de que somente Deus é a fonte última de toda plenitude.

I. XVII. Propter hoc ergo expandit sagenam suam, et semper interficere gentes non parcet.

17. Por isso, ele continua a lançar sua rede e não cessa de destruir aquilo que encontra. A força que se separa da verdade tende a multiplicar aquilo que domina, até que a própria desordem revele sua insuficiência e aquilo que parecia permanente manifeste sua transitoriedade.

II. I. Super custodiam meam stabo, et figam gradum super munitionem : et contemplabor ut videam quid dicatur mihi, et quid respondeam ad arguentem me.

1. Permanecerei vigilante em meu posto e firmarei meus passos sobre a fortaleza. Permanecerei contemplando para perceber o que me será revelado e compreender como responder quando minha própria consciência for chamada à verdade. A alma que permanece em vigília aprende a esperar acima da agitação e encontra, no silêncio, um lugar onde o sentido pode nascer.

II. II. Et respondit mihi Dominus, et dixit : Scribe visum, et explana eum super tabulas, ut percurrat qui legerit eum.

2. E o Senhor me respondeu e disse. Escreve a visão e torna claro aquilo que contemplaste, para que aquele que a leia possa percorrer seu significado. A verdade recebida no interior pede forma e expressão, porque aquilo que foi contemplado em profundidade pode iluminar o caminho quando se torna inteligível à consciência.

II. III. Quia adhuc visus procul ; et apparebit in finem, et non mentietur : si moram fecerit, exspecta illum, quia veniens veniet, et non tardabit.

3. Porque a visão ainda está distante, mas aparecerá no momento determinado e não enganará. Se parecer demorar, espera por ela, porque certamente virá e não tardará. Aquilo que pertence à plenitude do ser não obedece à impaciência do instante. Há realidades que precisam amadurecer até que possam manifestar sua verdade sem que nada de essencial lhes falte.

II. IV. Ecce qui incredulus est, non erit recta anima ejus in semetipso ; justus autem in fide sua vivet.

4. Eis que aquele que permanece sem confiança não encontrará retidão dentro de si mesmo, porque sua alma se dispersará entre aquilo que passa e aquilo que deseja possuir. O justo, porém, viverá pela sua fé, pois sua existência encontra fundamento numa confiança que ultrapassa a aparência, permanece diante da espera e reconhece, no interior do instante, a presença daquele que não passa.

Reflexão

A alma que vigia aprende a permanecer diante do mistério sem exigir que tudo se revele imediatamente.
O silêncio não é vazio quando nele a consciência se abre para aquilo que permanece.
A espera amadurece o ser e purifica a necessidade de compreender antes do tempo.
A visão recebida no interior precisa primeiro criar raízes antes de alcançar sua plena manifestação.
O homem justo não se sustenta apenas naquilo que seus sentidos conseguem confirmar.
Sua existência encontra firmeza quando reconhece uma realidade mais profunda que a sucessão dos acontecimentos.
A fé permite habitar o instante sem ser absorvido pelaquilo que passa e sem perder aquilo que permanece.
Assim, a alma aprende que aquilo que vem de Deus possui seu próprio momento de revelação e jamais chega tarde à eternidade.

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quarta-feira, 5 de agosto de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura da Profecia de Naum 2,1.3; 3,1-3.6-7 - 07.08.2026

Sexta-feira, 7 de Agosto de 2026
18ª Semana do Tempo Comum, Ano Par (II)

Ai de ti, alma que transforma a verdade em sombra, pois toda existência afastada da luz eterna recolhe, em si mesma, o fruto de sua própria desordem interior.


Lectio Prophetiae Nahum, II, I.III; III, I-III.VI-VII

II

I. Ascendit qui dispergat coram te, qui custodiat obsidionem. Contemplare viam, conforta lumbos, robora virtutem valde.

1. Eis que se levanta aquele que há de dispersar diante de ti e romper o cerco que te aprisiona. Contempla o caminho, fortalece o íntimo de teu ser e firma profundamente a tua força, para que permaneças atento diante daquilo que Deus faz nascer no silêncio.

III. Clypeus fortium ejus ignitus, viri exercitus in coccineis, igneae habenae currus in die praeparationis ejus, et agitatores consopiti sunt.

3. O escudo dos seus valentes resplandece como fogo, e os homens do exército estão revestidos de vermelho. As rédeas dos carros ardem no dia de sua preparação, enquanto os condutores permanecem como que tomados pelo sono. Assim, aquilo que parece força exterior revela também a fragilidade de tudo o que não permanece diante da eternidade.

III

I. Vae civitas sanguinum, universa mendacii dilaceratione plena! Non recedet a te rapina.

1. Ai da cidade marcada pelo sangue, inteiramente dilacerada pela mentira e repleta de desordem. A rapina não se afastará de ti enquanto o coração permanecer distante da verdade e aprisionado àquilo que passa.

II. Vox flagelli, et vox impetus rotae, et equi frementis, et quadrigae ferventis, et equitis ascendentis.

2. Ouve-se a voz do açoite, o estrondo do ímpeto das rodas, o relinchar do cavalo e o movimento ardente dos carros, enquanto se levanta o cavaleiro. Tudo aquilo que irrompe com violência manifesta a agitação de uma existência que perdeu a quietude de seu centro.

III. Et micantis gladii, et fulgurantis hastae, et multitudinis interfectae, et gravis ruinae; nec est finis cadaverum, et corruent in corporibus suis.

3. Brilha a espada e fulgura a lança, enquanto se multiplica a destruição e se torna pesada a ruína. Não há fim para os corpos abatidos, e eles caem sobre aquilo que resta de sua própria existência. Assim se revela a transitoriedade de toda grandeza que se afasta da verdade e transforma o poder passageiro em fundamento de sua própria permanência.

VI. Et projiciam super te abominationes, et contumeliis te afficiam, et ponam te in exemplum.

6. Lançarei sobre ti aquilo que é abominável, exporei diante de ti aquilo que ocultaste e te colocarei como exemplo. Aquilo que permanece escondido no interior não pode permanecer indefinidamente oculto diante da verdade, pois chega o momento em que o ser é chamado a contemplar aquilo que realmente se tornou.

VII. Et erit. Omnis qui viderit te resiliet a te, et dicet. Vastata est Ninive. Quis commovebit super te caput? Unde quaeram consolatorem tibi?

7. E acontecerá que todo aquele que te contemplar se afastará de ti e dirá. Ninive está devastada. Quem poderá inclinar-se sobre ti em compaixão. Onde encontrarei alguém que possa trazer-te consolação. Assim desaparece aquilo que parecia invencível, e permanece somente a verdade diante da qual nenhuma aparência pode subsistir.

Reflexão:

A alma precisa atravessar o ruído exterior para reencontrar o silêncio onde sua verdade permanece.

Tudo aquilo que nasce da soberba possui em si mesmo a semente da própria queda.

Aquele que governa os movimentos interiores encontra uma força que não depende das circunstâncias.

O coração amadurece quando aprende a permanecer firme diante daquilo que passa.

Nenhuma grandeza exterior consegue sustentar aquilo que perdeu sua ordem diante do eterno.

A verdade pode permanecer oculta durante algum tempo, mas não deixa de chamar a consciência ao despertar.

Quando tudo o que é passageiro se desfaz, permanece aquilo que foi verdadeiramente formado no interior.

A alma que se recolhe em Deus encontra, no silêncio, a direção que nenhuma agitação exterior pode oferecer.

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terça-feira, 4 de agosto de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura da Profecia de Daniel 7,9-10.13-14 - 06.08.2026

Quinta-feira, 6 de Agosto de 2026
Transfiguração do Senhor, Festa, Ano A
18ª Semana do Tempo Comum

Seu manto resplandecia em brancura absoluta, sinal da pureza eterna que envolve o mistério divino e eleva a alma ao silêncio da contemplação sagrada interior.


Lectio Prophetiae Danielis, VII, IX-X, XIII-XIV

IX

Aspiciebam donec throni positi sunt, et antiquus dierum sedit. Vestimentum ejus candidum quasi nix, et capilli capitis ejus quasi lana munda: thronus ejus flammæ ignis: rotæ ejus ignis accensus.

9 Eu contemplava, até que foram colocados os tronos, e o Ancião de Dias se assentou. Sua veste era branca como a neve, e os cabelos de sua cabeça eram como lã puríssima. Seu trono era como chama de fogo, e suas rodas, como fogo ardente. Diante dessa visão, o espírito percebe que, acima da sucessão de tudo o que passa, existe uma realidade cuja eternidade não envelhece, cuja pureza não se altera e cujo ser permanece na plenitude de sua própria luz.

X

Fluvius igneus rapidusque egrediebatur a facie ejus. Millia millium ministrabant ei, et decies millies centena millia assistebant ei: judicium sedit, et libri aperti sunt.

10 Um rio de fogo, rápido e impetuoso, saía de sua presença. Milhares de milhares o serviam, e miríades incontáveis permaneciam diante dele. O julgamento se estabeleceu, e os livros foram abertos. Tudo aquilo que permanece oculto no interior da criatura encontra-se diante da verdade que conhece todas as coisas, enquanto a existência é chamada a reconhecer aquilo que nela possui realidade duradoura.

XIII

Aspiciebam ergo in visione noctis, et ecce cum nubibus cæli quasi filius hominis veniebat, et usque ad antiquum dierum pervenit: et in conspectu ejus obtulerunt eum.

13 Eu contemplava, nas visões da noite, e eis que, com as nuvens do céu, vinha alguém semelhante ao Filho do Homem. Ele aproximou-se do Ancião de Dias e foi apresentado diante de sua presença. Aquele que vem das alturas manifesta, no interior da história, uma realidade que ultrapassa a simples sucessão dos acontecimentos e conduz a criatura ao encontro daquele princípio eterno de onde procede toda plenitude.

XIV

Et dedit ei potestatem, et honorem, et regnum: et omnes populi, tribus, et linguæ ipsi servient: potestas ejus, potestas æterna, quæ non auferetur: et regnum ejus, quod non corrumpetur.

14 E foi-lhe dado poder, honra e reino, para que todos os povos, tribos e línguas o servissem. Seu poder é eterno e jamais lhe será retirado, e seu reino não será destruído. Nele, aquilo que passa encontra sua medida diante daquilo que permanece, e toda a existência reconhece uma soberania que não depende da mudança, do desgaste ou da corrupção das coisas temporais.

Reflexão

A visão de Daniel revela uma realidade que ultrapassa a aparência e a sucessão dos acontecimentos.
Diante do Eterno, tudo aquilo que passa encontra seu verdadeiro peso e sua justa medida.
A alma aprende a não entregar seu centro interior às coisas que mudam incessantemente.
A serenidade nasce quando o espírito reconhece que nem toda mudança possui autoridade sobre sua verdade mais profunda.
O Filho do Homem manifesta uma realeza que não envelhece, não se dissolve e não depende da instabilidade do mundo.
Contemplar essa realidade significa ordenar o pensamento segundo aquilo que permanece diante da verdade.
O coração encontra firmeza quando aprende a distinguir o transitório do que possui plenitude duradoura.
Assim, a existência pode atravessar o tempo sem perder de vista aquele Reino que não será destruído.

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segunda-feira, 3 de agosto de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura do Livro do Profeta Jeremias 31,1-7 - 05.08.2026

Quarta-feira, 5 de Agosto de 2026
18ª Semana do Tempo Comum, Ano Par (II)


Amei-te com amor eterno, fonte que sustenta toda existência, onde a alma encontra repouso, acolhe a plenitude da presença divina e renasce para a comunhão permanente.



Lectio libri Ieremiae XXXI, I-VII

I In tempore illo, dicit Dominus, ero Deus universis cognationibus Israël, et ipsi erunt mihi in populum.
1 Naquele tempo, diz o Senhor, serei Deus de todas as famílias de Israel, e elas serão para mim um povo reunido na fidelidade da aliança.

II Hæc dicit Dominus : Invenit gratiam in deserto populus qui remanserat a gladio : vadet ad requiem suam Israël.
2 Assim fala o Senhor, o povo que escapou da espada encontrou graça no deserto, e Israel caminha para o repouso que lhe foi preparado.

III Longe Dominus apparuit mihi. Et in caritate perpetua dilexi te : ideo attraxi te, miserans.
3 O Senhor apareceu-me de longe, e com amor eterno te amei; por isso te atraí com compaixão.

IV Rursumque ædificabo te, et ædificaberis, virgo Israël : adhuc ornaberis tympanis tuis, et egredieris in choro ludentium.
4 Outra vez te edificarei, ó virgem de Israel, e serás reconstruída; ainda te adornarás com os teus tamboris e sairás ao coro dos que se alegram.

V Adhuc plantabis vineas in montibus Samariæ : plantabunt plantantes, et donec tempus veniat, non vindemiabunt.
5 Ainda plantarás vinhas nos montes de Samaria; plantarão os que plantam, e, até que chegue o tempo devido, não colherão os frutos.

VI Quia erit dies in qua clamabunt custodes in monte Ephraim : Surgite, et ascendamus in Sion ad Dominum Deum nostrum.
6 Chegará o dia em que os vigias clamarão no monte de Efraim, levantemo-nos e subamos a Sião, ao Senhor nosso Deus.

VII Quia hæc dicit Dominus : Exsultate in lætitia, Jacob, et hinnite contra caput gentium : personate, et canite, et dicite : Salva, Domine, populum tuum, reliquias Israël.
7 Porque assim diz o Senhor, exultai de alegria, ó Jacó, e elevai o canto diante das nações, proclamai, entoai e dizei, salva, Senhor, o teu povo, as tuas relíquias de Israel.

Reflexão

O deserto não é vazio quando Deus o visita.
A espera purifica o coração e despoja as ilusões.
O repouso verdadeiro nasce da fidelidade do Alto.
A alma firme não se rende ao rumor das circunstâncias.
Quem sustenta a vigilância interior aprende a permanecer.
O tempo amadurece em silêncio aquilo que é eterno.
A esperança antiga renova a casa do espírito.
E a paz cresce onde a presença divina habita.

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