sexta-feira, 11 de setembro de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura do Livro do Eclesiástico 27,33-28,9 - 13.09.2026

Domingo, 13 de Setembro de 2026
24º Domingo do Tempo Comum, Ano A
Hoje, omite-se a Memória de São João Crisóstomo, bispo e doutor da Igreja


Senhor, acolhe em nosso interior a tua presença, para que, neste instante, o perdão recebido de ti transforme nosso ser e o conduza à plenitude.



Lectio libri Ecclesiastici XXVII,XXXIII-XXVIII,IX

XXXIII. Ira et furor utraque execrabilia sunt, et vir peccator continens erit illorum.

  1. A ira e o furor são igualmente abomináveis, e o homem pecador permanecerá sujeito a eles.

XXVIII. Qui vindicari vult, a Domino inveniet vindictam, et peccata illius servans servabit.

  1. Quem deseja vingar-se encontrará no Senhor a justiça, e Ele conservará diante de si os pecados daquele que não os abandona.

II. Relinque proximo tuo nocenti te, et tunc deprecanti tibi peccata solventur.

  1. Perdoa a quem te fez mal, e, quando suplicares, teus pecados serão perdoados.

III. Homo homini servat iram, et a Deo quærit medellam.

  1. O homem guarda ira contra o homem e, ao mesmo tempo, procura de Deus a cura.

IV. Et in hominem similem sibi non habet misericordiam, et de peccatis suis deprecatur.

  1. Não tem compaixão daquele que é semelhante a si, e, contudo, suplica por seus próprios pecados.

V. Ipse dum caro sit reservat iram, et propitiationem petit a Deo. Quis exorabit pro delictis illius?

  1. Sendo ele próprio carne e sujeito à fragilidade, conserva a ira e pede a Deus misericórdia. Quem intercederá por seus pecados?

VI. Memento novissimorum, et desine inimicari.

  1. Recorda-te do fim e deixa de alimentar a inimizade.

VII. Tabitudo enim et mors imminent in mandatis.

  1. A enfermidade e a morte se aproximam, e permanecem diante daquele que guarda a ira.

VIII. Memorare timorem Dei, et non irascaris proximo.

  1. Recorda-te do temor de Deus e não te entregues à ira contra teu próximo.

IX. Memorare testamenti Altissimi, et despice ignorantiam proximi.

  1. Recorda-te da aliança do Altíssimo e não te detenhas na ignorância do teu próximo.

Reflexão:

  A ira aprisiona o instante quando transforma uma ferida passada em permanência interior.
  O coração encontra profundidade quando deixa de reproduzir aquilo que recebeu e retorna à sua origem.
  Perdoar não apaga o acontecido, mas impede que ele determine a forma futura do ser.
  No instante acolhido diante de Deus, a alma reencontra uma ordem mais profunda que o impulso imediato.
  Aquele que recorda seu próprio fim aprende a distinguir o essencial daquilo que passa.
  A presença divina sustenta interiormente essa maturação, conduzindo o ser da reação à consciência.
  Cada instante pode tornar-se encontro com a eternidade quando a alma se orienta para aquilo que permanece.
  Na plenitude dessa interioridade, o perdão manifesta que o ser amadurece quando retorna à fonte que o sustenta.

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PRIMEIRA LEITURA - Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 10,14-22 - 12.09.2026

Sábado, 12 de Setembro de 2026
23ª Semana do Tempo Comum, Ano Par (II)



Proclamatio Sancti Evangelii secundum Ioannem IV, XLIII-LIV

XLIII Post duos autem dies exiit inde et abiit in Galilæam.
43 Depois de dois dias, partiu dali e foi para a Galileia. (João 4,43)

XLIV Ipse enim Jesus testimonium perhibuit quia propheta in sua patria honorem non habet.
44 O próprio Jesus havia dado testemunho de que um profeta não recebe honra em sua própria pátria. (João 4,44)

XLV Cum ergo venisset in Galilæam, exceperunt eum Galilæi, cum omnia vidissent quæ fecerat Jerosolymis in die festo: et ipsi enim venerant ad diem festum.
45 Quando, pois, chegou à Galileia, os galileus o receberam, porque haviam visto tudo quanto fizera em Jerusalém durante a festa, pois também eles tinham ido à festa. (João 4,45)

XLVI Venit ergo iterum in Cana Galilææ, ubi fecit aquam vinum. Et erat quidam regulus, cujus filius infirmabatur Capharnaum.
46 Veio novamente a Caná da Galileia, onde transformara a água em vinho. Havia ali um oficial do rei, cujo filho estava enfermo em Cafarnaum. (João 4,46)

XLVII Hic cum audisset quia Jesus adveniret a Judæa in Galilæam, abiit ad eum, et rogabat eum ut descenderet, et sanaret filium ejus: incipiebat enim mori.
47 Tendo ouvido que Jesus chegara da Judeia à Galileia, foi até Ele e pediu que descesse e curasse seu filho, pois este estava à beira da morte. (João 4,47)

XLVIII Dixit ergo Jesus ad eum: Nisi signa et prodigia videritis, non creditis.
48 Jesus lhe disse então que, se não vísseis sinais e prodígios, não acreditaríeis. (João 4,48)

XLIX Dicit ad eum regulus: Domine, descende priusquam moriatur filius meus.
49 O oficial do rei lhe disse que descesse antes que seu filho morresse. (João 4,49)

L Dicit ei Jesus: Vade, filius tuus vivit. Credidit homo sermoni quem dixit ei Jesus, et ibat.
50 Jesus lhe disse que fosse, pois seu filho vivia. O homem acreditou na palavra que Jesus lhe havia dito e partiu. (João 4,50)

LI Jam autem eo descendente, servi occurrerunt ei, et nuntiaverunt dicentes, quia filius ejus viveret.
51 Enquanto ele descia, seus servos vieram ao seu encontro e lhe anunciaram que seu filho vivia. (João 4,51)

LII Interrogabat ergo horam ab eis in qua melius habuerit. Et dixerunt ei: Quia heri hora septima reliquit eum febris.
52 Perguntou-lhes então a hora em que seu filho havia melhorado. Eles lhe responderam que, no dia anterior, à sétima hora, a febre o havia deixado. (João 4,52)

LIII Cognovit ergo pater quia illa hora erat in qua dixit ei Jesus: Filius tuus vivit: et credidit ipse et domus ejus tota.
53 O pai reconheceu que aquela era a mesma hora em que Jesus lhe dissera que seu filho vivia. E acreditou ele e toda a sua casa. (João 4,53)

LIV Hoc iterum secundum signum fecit Jesus cum venisset a Judæa in Galilæam.
54 Este foi o segundo sinal que Jesus realizou, quando veio da Judeia para a Galileia. (João 4,54)

Reflexão:

  A palavra recebida no instante certo pode revelar uma realidade que já começa a manifestar-se para além do que os sentidos alcançam.
  A confiança nasce quando o ser acolhe a verdade antes de possuir exteriormente a confirmação daquilo que foi anunciado.
  O homem parte porque a palavra de Cristo já se tornou, em seu interior, fundamento suficiente para o caminho.
  A hora do encontro entre a palavra e a realidade revela uma profundidade na qual o instante não é mera passagem.
  Aquilo que parecia distante torna-se presente quando a verdade recebida alcança o centro da existência e a orienta inteiramente.
  A cura manifesta exteriormente aquilo que a palavra de Cristo já havia realizado no interior daquele que acreditou.
  A plenitude não nasce da ansiedade diante do que virá, mas da permanência inteira na verdade recebida no momento presente.
  Assim, cada instante pode acolher a presença daquele que pronuncia a vida e conduz o ser à sua realização plena.

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quarta-feira, 9 de setembro de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 7,25-31 - 11.09.2026

Sexta-feira, 11 de Setembro de 2026
23ª Semana do Tempo Comum, Ano Par (II)



Epistula I ad Corinthios IX,16-19.22b-27

XVI
Nam si evangelizavero, non est mihi gloria: necessitas enim mihi incumbit: væ enim mihi est, si non evangelizavero.

16
Pois, se anuncio o Evangelho, isso não é para mim motivo de glória, mas uma necessidade interior que me foi confiada. Ai de mim se eu não anunciar o Evangelho.

XVII
Si enim volens hoc ago, mercedem habeo: si autem invitus, dispensatio mihi credita est.

17
Se o faço por minha própria iniciativa, tenho uma recompensa. Mas, se não o faço por iniciativa própria, foi-me confiada uma missão que devo cumprir fielmente.

XVIII
Quæ est ergo merces mea? ut Evangelium prædicans, sine sumptu ponam Evangelium, ut non abutar potestate mea in Evangelio.

18
Qual é, então, a minha recompensa? É anunciar o Evangelho sem exigir compensação, para que a própria gratuidade da Palavra permaneça íntegra em mim e eu não faça uso indevido do poder que o Evangelho me confiou.

XIX
Nam cum liber essem ex omnibus, omnium me servum feci, ut plures lucrifacerem.

19
Pois, embora estivesse livre de todos, fiz-me servidor de todos, para alcançar muitos e conduzi-los à plenitude da salvação.

XXIIb
Omnibus omnia factus sum, ut omnes facerem salvos.

22
Fiz-me tudo para todos, para que, de todos os modos, pudesse conduzir alguns à salvação.

XXIII
Omnia autem facio propter Evangelium: ut particeps ejus efficiar.

23
E faço tudo por causa do Evangelho, para tornar-me participante de sua própria vida e de sua plenitude.

XXIV
Nescitis quod ii qui in stadio currunt, omnes quidem currunt, sed unus accipit bravium? Sic currite ut comprehendatis.

24
Não sabeis que, no estádio, todos correm, mas somente um recebe o prêmio? Correi, portanto, de modo a alcançá-lo.

XXV
Omnis autem qui in agone contendit, ab omnibus se abstinet, et illi quidem ut corruptibilem coronam accipiant: nos autem incorruptam.

25
Todo aquele que se empenha na luta exerce domínio sobre si em todas as coisas. Eles o fazem para receber uma coroa que passa, mas nós, para alcançar uma coroa incorruptível.

XXVI
Ego igitur sic curro, non quasi in incertum: sic pugno, non quasi aerem verberans.

26
Eu corro, portanto, não como quem corre sem direção. Luto não como quem golpeia o ar, mas com o ser inteiro orientado para aquilo que deve alcançar.

XXVII
Sed castigo corpus meum, et in servitutem redigo, ne forte cum aliis prædicaverim, ipse reprobus efficiar.

27
Mas disciplino o meu corpo e o submeto ao domínio daquilo que deve conduzir toda a minha existência, para que, depois de anunciar aos outros, eu mesmo não venha a ser considerado indigno.

Reflexão

A existência recebe sua verdade quando encontra uma direção que ultrapassa a dispersão do instante.
Paulo não corre em vão, porque seu movimento interior possui uma finalidade que ordena toda a sua vida.
O tempo deixa então de ser mera sucessão e torna-se caminho de amadurecimento para aquilo que permanece.
Cada instante pode participar de uma realidade maior quando é acolhido na unidade de uma finalidade verdadeira.
A disciplina interior não destrói o ser, mas reúne suas forças em torno daquilo que merece permanecer.
A coroa incorruptível manifesta uma plenitude que não depende daquilo que passa nem se desfaz com a passagem do tempo.
O homem alcança sua inteireza quando aquilo que realiza exteriormente corresponde à verdade que amadureceu em sua interioridade.
Assim, correr, lutar e perseverar tornam-se movimentos pelos quais a existência inteira se orienta para aquilo que não perece.

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terça-feira, 8 de setembro de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 8,1b-7.11-13 - 10.09.2026

Quinta-feira, 10 de Setembro de 2026
23ª Semana do Tempo Comum, Ano Par (II)


Quando ferimos a consciência do outro, tocamos a Cristo, que nos chama à verdade interior, onde cada ato recebe sentido e plenitude diante de Deus.



Lectio Epistolae Beati Pauli Apostoli ad Corinthios I, VIII, 1b-7, XI-XIII

1b De iis autem quæ idolis sacrificantur, scimus quia omnes scientiam habemus. Scientia inflat, caritas vero ædificat.

1b Quanto às carnes sacrificadas aos ídolos, sabemos que todos temos conhecimento. O conhecimento pode encher o coração de si mesmo, mas o amor edifica e conduz o ser à sua verdadeira maturidade.

II Si quis autem se existimat scire aliquid, nondum cognovit quemadmodum oporteat eum scire.

2 Se alguém julga conhecer alguma coisa, ainda não conheceu como deveria conhecer. O verdadeiro conhecimento somente alcança sua plenitude quando reconhece a profundidade daquilo que busca conhecer.

III Si quis autem diligit Deum, hic cognitus est ab eo.

3 Mas, se alguém ama a Deus, este é conhecido por Ele. O amor estabelece uma comunhão mais profunda, na qual a criatura permanece diante daquele de quem recebe seu próprio ser.

IV De escis autem quæ idolis immolantur, scimus quia nihil est idolum in mundo, et quod nullus est Deus, nisi unus.

4 Quanto aos alimentos oferecidos aos ídolos, sabemos que um ídolo nada é no mundo e que não existe outro Deus senão o Único.

V Nam etsi sunt qui dicantur dii sive in cælo, sive in terra, siquidem sunt dii multi, et domini multi.

5 Pois, ainda que existam aqueles que sejam chamados deuses, seja no céu, seja na terra, visto que há muitos que recebem esse nome e muitos que são chamados senhores.

VI nobis tamen unus est Deus, Pater, ex quo omnia, et nos in illum, et unus Dominus Jesus Christus, per quem omnia, et nos per ipsum.

6 Para nós, porém, existe um só Deus, o Pai, de quem tudo procede e para quem existimos, e um só Senhor, Jesus Cristo, por meio de quem tudo existe e por meio de quem nós também existimos.

VII Sed non in omnibus est scientia. Quidam autem cum conscientia usque nunc idoli, quasi idolothytum manducant, et conscientia ipsorum cum sit infirma, polluitur.

7 Mas nem todos possuem esse conhecimento. Alguns, ainda ligados em sua consciência ao ídolo, comem o alimento como se fosse realmente oferecido a ele, e sua consciência, sendo frágil, torna-se contaminada.

XI Et peribit infirmus in tua scientia, frater, propter quem Christus mortuus est.

11 E assim, por causa do teu conhecimento, perecerá o irmão fraco, por quem Cristo morreu. O conhecimento que não se deixa conduzir pelo amor pode perder sua verdade interior e ferir aquele cuja vida foi assumida por Cristo.

XII Sic autem peccantes in fratres, et percutientes conscientiam eorum infirmam, in Christum peccatis.

12 Pecando assim contra os irmãos e ferindo sua consciência, que é frágil, é contra Cristo que pecais. Aquilo que acontece no interior do outro não é indiferente àquele que permanece unido a Cristo.

XIII Quapropter si esca scandalizat fratrem meum, non manducabo carnem in æternum, ne fratrem meum scandalizem.

13 Por isso, se um alimento leva meu irmão à queda, jamais comerei carne, para não levar meu irmão à queda.

Reflexão:

O conhecimento alcança sua verdade quando permanece unido ao amor que reconhece sua origem.
Aquilo que sabemos somente amadurece quando deixa de alimentar a própria grandeza e começa a edificar o ser.
O instante revela aquilo que já foi formado silenciosamente no interior.
Toda consciência possui uma profundidade que pede respeito, atenção e cuidado.
Cristo permanece no centro da existência como aquele por quem tudo recebe seu ser e seu sentido.
A verdadeira maturidade nasce quando a verdade recebida se transforma em presença interior e responsabilidade diante do outro.
Então o conhecimento deixa de ser posse e torna-se caminho para uma compreensão mais profunda da origem.
E o coração, unido à sua fonte, encontra no amor a plenitude de sua realização.

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segunda-feira, 7 de setembro de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 7,25-31 - 09.09.2026

Quarta-feira, 9 de Setembro de 2026
23ª Semana do Tempo Comum, Ano Par (II)


Permanece inteiro diante de Deus no instante e acolhe com serenidade aquilo que a vida te oferece sem fazer do passageiro o fundamento do ser.



Lectio Epistulae Primae Beati Pauli Apostoli ad Corinthios, VII, XXV-XXXI

XXV. De virginibus autem præceptum Domini non habeo. Consilium autem do, tamquam misericordiam consecutus a Domino, ut sim fidelis.

  1. Quanto às virgens, não recebi do Senhor um preceito. Dou, porém, um conselho, como alguém que alcançou do Senhor misericórdia para permanecer fiel.

XXVI. Existimo ergo hoc bonum esse propter instantem necessitatem, quoniam bonum est homini sic esse.

  1. Considero, portanto, que isto é bom diante da necessidade presente, pois é bom ao ser humano permanecer assim, recolhido na condição em que se encontra.

XXVII. Alligatus es uxori? Noli quærere solutionem. Solutus es ab uxore? Noli quærere uxorem.

  1. Estás ligado a uma esposa? Não procures romper esse vínculo. Estás sem esposa? Não procures uma nova união.

XXVIII. Si autem acceperis uxorem, non peccasti. Et si nupserit virgo, non peccavit. Tribulationem tamen carnis habebunt hujusmodi. Ego autem vobis parco.

  1. Se, porém, te casares, não pecaste. E, se uma virgem se casar, não pecou. Contudo, tais pessoas terão aflições próprias da condição humana. Eu, porém, vos poupo.

XXIX. Hoc itaque dico, fratres. Tempus breve est. Reliquum est, ut et qui habent uxores, tamquam non habentes sint.

  1. Digo-vos, portanto, irmãos. O tempo é breve. Resta que os que têm esposa vivam como se não possuíssem, permanecendo interiormente voltados para aquilo que não passa.

XXX. Et qui flent, tamquam non flentes. Et qui gaudent, tamquam non gaudentes. Et qui emunt, tamquam non possidentes.

  1. E os que choram, como se não chorassem. E os que se alegram, como se não se alegrassem. E os que compram, como se não possuíssem.

XXXI. Et qui utuntur hoc mundo, tamquam non utantur. Præterit enim figura hujus mundi.

  1. E os que se servem deste mundo, como se dele não se servissem. Pois passa a forma deste mundo.

Reflexão:

O tempo que passa não esgota a profundidade daquele instante que se abre diante da presença eterna.
Aquilo que possuímos permanece passageiro, enquanto o ser amadurece em uma realidade que não passa.
A Palavra convida a permanecer interiormente inteiro diante de tudo aquilo que atravessa nossa existência.
O vínculo exterior não precisa dominar o centro do ser quando a origem permanece reconhecida.
A alegria e a dor podem atravessar o instante sem determinar a plenitude daquele que permanece diante de Deus.
Tudo passa em sua forma, mas aquilo que encontra sua origem pode amadurecer silenciosamente para uma realidade maior.
O instante torna-se fecundo quando o ser não se perde naquilo que passa, mas acolhe aquilo que permanece.
Assim, a existência encontra sua unidade quando cada momento é vivido diante daquele em quem toda realização encontra sua origem.

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domingo, 6 de setembro de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura da Profecia de Miquéias 5,1-4a - 08.09.2026

Terça-feira, 8 de Setembro de 2026
Natividade da Bem-aventurada Virgem Maria, Festa, Ano A
23ª Semana do Tempo Comum


Deus não abandona seu povo à espera, mas o conduz silenciosamente até que uma mãe dê à luz aquele que traz Sua presença eterna ao mundo.



Lectio Prophetiae Michaeae V, I-IV

I Nunc vastaberis, filia latronis. Obsidionem posuerunt super nos : in virga percutient maxillam judicis Israël.

1 Agora serás devastada, filha do saqueador. Puseram cerco contra nós. Com uma vara ferirão a face do juiz de Israel.

II Et tu, Bethlehem Ephrata, parvulus es in millibus Juda ; ex te mihi egredietur qui sit dominator in Israël, et egressus ejus ab initio, a diebus æternitatis.

2 E tu, Belém de Efrata, pequena entre os milhares de Judá, de ti sairá para mim aquele que será o dominador em Israel, e sua origem está desde o princípio, desde os dias da eternidade.

III Propter hoc dabit eos usque ad tempus in quo parturiens pariet, et reliquiæ fratrum ejus convertentur ad filios Israël.

3 Por isso, ele os entregará até o tempo em que aquela que está para dar à luz tiver dado à luz, e então o restante de seus irmãos retornará aos filhos de Israel.

IV Et stabit, et pascet in fortitudine Domini, in sublimitate nominis Domini Dei sui : et convertentur, quia nunc magnificabitur usque ad terminos terræ.

4 E ele permanecerá e apascentará com a força do Senhor, na majestade do nome do Senhor, seu Deus. E eles retornarão, porque agora sua grandeza se estenderá até os confins da terra.

Reflexão:

A pequenez de Belém guarda uma profundidade que ultrapassa aquilo que os olhos conseguem reconhecer.
O que parece pequeno diante do tempo pode acolher uma realidade que procede da eternidade.
A origem permanece silenciosa enquanto a manifestação ainda não alcança sua hora.
O nascimento revela aquilo que amadureceu invisivelmente antes de tornar-se presença entre os homens.
Assim, o instante recebe uma profundidade que não pode ser medida pela duração que o envolve.
O ser amadurece quando permanece unido à sua origem e permite que nela encontre seu verdadeiro sentido.
Em Cristo, aquilo que vem da eternidade entra no tempo e conduz a existência para sua plenitude.
E a presença divina transforma o instante em lugar de realização, onde o eterno se manifesta sem deixar de ser eterno.

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sábado, 5 de setembro de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 5,1-8 - 07.09.2026

Segunda-feira, 7 de Setembro de 2026
23ª Semana do Tempo Comum, Ano Par (II)


Quando Cristo habita o instante, aquilo que estava oculto encontra sua plenitude, e a vida, reconciliada com sua origem, manifesta a verdade em seu ser.



Lectio Epistolæ I Beati Pauli Apostoli ad Corinthios V, I-VIII

I. Omnino auditur inter vos fornicatio, et talis fornicatio, qualis nec inter gentes, ita ut uxorem patris sui aliquis habeat.

  1. É de fato conhecida entre vós uma imoralidade, e uma imoralidade tal como nem entre os pagãos se encontra, a ponto de alguém ter a mulher de seu próprio pai.

II. Et vos inflati estis, et non magis luctum habuistis, ut tollatur de medio vestrum qui hoc opus fecit.
2. E vós permanecestes ensoberbecidos, em vez de vos entristecerdes, para que fosse afastado do meio de vós aquele que praticou tal ação.

III. Ego quidem absens corpore, præsens autem spiritu, jam judicavi ut præsens eum, qui sic operatus est,
3. Quanto a mim, embora ausente no corpo, estou presente em espírito e já julguei, como se estivesse presente, aquele que assim procedeu.

IV. In nomine Domini nostri Jesu Christi, congregatis vobis et meo spiritu, cum virtute Domini nostri Jesu,
4. Em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, estando vós reunidos, juntamente com o meu espírito, e pelo poder de nosso Senhor Jesus,

V. Tradere hujusmodi Satanæ in interitum carnis, ut spiritus salvus sit in die Domini nostri Jesu Christi.
5. entregar tal homem a Satanás, para a destruição da carne, a fim de que o espírito seja salvo no dia de nosso Senhor Jesus Cristo.

VI. Non est bona gloriatio vestra. Nescitis quia modicum fermentum totam massam corrumpit?
6. Não é boa a vossa vanglória. Não sabeis que um pouco de fermento corrompe toda a massa?

VII. Expurgate vetus fermentum, ut sitis nova conspersio, sicut estis azymi. Etenim Pascha nostrum immolatus est Christus.
7. Purificai o fermento velho, para que sejais uma nova massa, assim como sois ázimos. Pois Cristo, nossa Páscoa, foi imolado.

VIII. Itaque epulemur, non in fermento veteri, neque in fermento malitiæ et nequitiæ, sed in azymis sinceritatis et veritatis.
8. Celebremos, portanto, não com o fermento velho, nem com o fermento da malícia e da perversidade, mas com os ázimos da sinceridade e da verdade.

Reflexão:

O instante recebe sua profundidade quando a verdade encontra espaço para transformar o interior.
O que precisa ser purificado começa no silêncio onde o ser reconhece sua própria desordem.
A existência amadurece quando abandona aquilo que obscurece sua origem e acolhe uma forma nova.
Cristo, nossa Páscoa, manifesta no tempo a plenitude que procede de uma realidade eterna.
O fermento antigo representa aquilo que, permanecendo oculto, pode alcançar toda a interioridade.
A sinceridade e a verdade ordenam o ser para aquilo que corresponde à sua origem.
Assim, cada instante pode tornar-se lugar de purificação, maturação e manifestação da vida recebida.
Na presença de Deus, a existência encontra sua plenitude quando se torna íntegra diante da verdade.

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