Liber Primus Regum III, IV–XIII
IV Abi itaque rex in Gabaon ut immolaret ibi erat enim ibi excelsus maximus mille holocaustis obtulit Salomon super altare illud.
O rei dirige-se ao alto da montanha e oferece em abundância, sinal de que a alma, quando busca o Princípio, eleva tudo o que possui em entrega silenciosa ao Mistério que a sustenta.
V Apparuit autem Dominus Salomoni per somnium nocte dicens Postula quod vis ut dem tibi.
No silêncio profundo da noite interior, a Voz eterna aproxima-se e convida o coração a desejar não o transitório, mas aquilo que permanece para sempre.
VI Et ait Salomon Tu fecisti cum servo tuo David patre meo misericordiam magnam sicut ambulavit in conspectu tuo in veritate et iustitia et recto corde tecum custodisti ei misericordiam tuam grandem et dedisti ei filium sedentem super thronum eius sicut est hodie.
Reconhecendo a fidelidade que atravessa as gerações, a consciência percebe que a vida é continuidade de graça e que cada existência se apoia numa aliança invisível.
VII Et nunc Domine Deus meus tu regnare fecisti servum tuum pro David patre meo ego autem sum puer parvulus et ignorans egressum et introitum meum.
Diante do Infinito, todo poder se descobre pequeno, e a verdadeira sabedoria nasce da humildade que admite não saber conduzir-se sozinha.
VIII Et servus tuus in medio est populi quem elegisti populi infiniti qui numerari et supputari non potest prae multitudine.
O ser humano percebe-se inserido no vasto tecido da criação, rodeado por incontáveis vidas, chamado a agir com responsabilidade e consciência desperta.
IX Dabis ergo servo tuo cor docile ut iudicare possit populum tuum et discernere inter bonum et malum quis enim poterit iudicare populum istum populum tuum hunc multum.
O pedido volta-se ao interior e suplica um coração atento, capaz de discernir com clareza e escolher segundo a ordem que procede do alto.
X Placuit ergo sermo coram Domino quod Salomon postulasset huiuscemodi rem.
Tal desejo agrada ao Senhor, pois o anseio pela retidão harmoniza o espírito com a fonte do Ser.
XI Et dixit Dominus Salomoni Quia postulasti verbum hoc et non petisti tibi dies multos nec divitias aut animas inimicorum sed postulasti tibi sapientiam ad discernendum iudicium.
O Eterno reconhece o pedido que não se prende ao acúmulo nem ao domínio, mas busca a luz que orienta cada decisão.
XII Ecce feci tibi secundum sermones tuos et dedi tibi cor sapiens et intelligens in tantum ut nullus ante te similis tui fuerit nec post te surrecturus sit.
Então é concedida uma inteligência ampla e pacificada, como lâmpada acesa no íntimo, iluminando caminhos que antes eram obscuros.
XIII Sed et haec quae non postulasti dedi tibi divitias scilicet et gloriam ut nemo fuerit similis tui in regibus cunctis retro diebus.
E tudo o mais é acrescentado como consequência natural, pois quando o centro está ordenado, o restante encontra seu devido lugar.
Reflexão:
O coração que se inclina ao alto aprende a pedir o essencial
Quem busca a clareza interior recebe direção segura para cada passo
O silêncio torna-se mestre mais fiel que o ruído do mundo
A escolha reta nasce de uma consciência recolhida e vigilante
Nada externo sustenta o ser que perdeu o próprio eixo
A verdadeira grandeza manifesta-se na simplicidade do espírito atento
Cada instante pode tornar-se encontro com o que não passa
Assim a vida inteira converte-se em culto discreto e permanente
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