Recebestes o Espírito pela prática da Lei ou pela fé que acolhe a pregação da Palavra, permitindo à presença divina realizar em vós a plenitude?
Lectio Epistolae Sancti Pauli Apostoli ad Galatas III,I-V
I. O insensati Galatae, quis vos fascinavit non obedire veritati, ante quorum oculos Jesus Christus præscriptus est, in vobis crucifixus?
1. Ó insensatos gálatas, quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, diante de cujos olhos Jesus Cristo foi apresentado como crucificado entre vós?
II. Hoc solum a vobis volo discere: ex operibus legis Spiritum accepistis, an ex auditu fidei?
2. Quero saber de vós somente isto. Recebestes o Espírito pelas obras da Lei ou pela escuta da fé?
III. sic stulti estis, ut cum Spiritu cœperitis, nunc carne consummemini?
3. Sois tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, agora procureis alcançar pela carne a consumação daquilo que em vós começou?
IV. tanta passi estis sine causa? si tamen sine causa.
4. Teríeis padecido tudo isso em vão? Se é que verdadeiramente foi em vão.
V. Qui ergo tribuit vobis Spiritum, et operatur virtutes in vobis: ex operibus legis, an ex auditu fidei?
5. Aquele, pois, que vos concede o Espírito e realiza maravilhas em vós, o faz pelas obras da Lei ou pela escuta da fé?
Reflexão:
O Espírito recebido não permanece exterior ao ser, mas penetra sua interioridade e nela inaugura uma transformação silenciosa.
A fé acolhida não é apenas conhecimento, mas presença que alcança o íntimo e orienta o ser para sua origem.
Aquilo que Deus inicia no interior possui uma profundidade que não depende da sucessão dos acontecimentos exteriores.
O instante acolhido diante de Deus pode tornar-se plenitude, porque nele o ser recebe uma presença que o conduz à realização.
A ação divina precede aquilo que os sentidos reconhecem e amadurece silenciosamente aquilo que deverá manifestar-se.
O Espírito não conduz o ser para fora de sua verdade, mas para a profundidade na qual sua existência encontra seu fundamento.
A fé permite permanecer diante dessa ação divina, acolhendo sua presença sem reduzir o mistério ao que já pode ser compreendido.
Assim, o ser encontra na presença de Deus a origem que o sustenta e a plenitude para a qual sua existência se orienta.
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