27º Domingo do Tempo Comum, Ano A
Hoje, omite-se a Memória de São Francisco de Assis, religioso
A vinha sagrada do Senhor habita na alma fiel, onde a presença do Eterno acolhe o instante presente para revelar a plenitude do ser.
Lectio Libri Isaiæ Prophetæ V, I-VII
I. Cantabo dilecto meo canticum patruelis mei vineæ suæ. Vinea facta est dilecto meo in cornu filio olei.
- Cantarei ao meu amado o canto do meu dileto sobre a sua vinha. Uma vinha foi confiada ao meu amado em um cômoro fértil e luminoso.
II. Et sæpivit eam, et lapides elegit ex ea, et plantavit eam electam, et ædificavit turrim in medio ejus, et torcular fodit in ea: et exspectavit ut faceret uvas, et fecit labruscas.
2. Cercou-a com solicitude, limpou-a de suas pedras, plantou nela cepas escolhidas, edificou uma torre no seu centro, escavou nela um lagar e esperou que produzisse uvas doces, mas ela deu apenas uvas azedas.
III. Nunc ergo, habitatores Jerusalem, et viri Juda, judicate inter me et vineam meam.
3. Agora, pois, ó habitantes de Jerusalém e homens de Judá, julgai entre a minha presença interior e a minha vinha.
IV. Quid est quod debui ultra facere vineæ meæ, et non feci ei? an quod exspectavi ut faceret uvas, et fecit labruscas?
4. Que mais devia eu ter feito por minha vinha que lhe não tenha feito? Por que motivo, esperando eu que produzisse uvas maduras, produziu ela frutos silvestres?
V. Et nunc ostendam vobis quid ego faciam vineæ meæ: auferam sæpem ejus, et erit in direptionem; diruam maceriam ejus, et erit in conculcationem.
5. Agora vos mostrarei o que farei à minha vinha. Removerei a sua sebe protetora e ela será devastada, derrubarei a sua muralha e ela será pisada.
VI. Et ponam eam desertam; non putabitur, et non fodietur: et ascendent vepres et spinæ; et nubibus mandabo ne pluant super eam imbrem.
6. Eu a deixarei deserta. Não será podada nem cultivada, nela crescerão sarças e espinhos e ordenarei às nuvens que não derramem sobre ela a chuva da graça.
VII. Vinea enim Domini exercituum domus Israel est, et vir Juda germen ejus delectabile: et exspectavi ut faceret judicium, et ecce iniquitas; et justitiam, et ecce clamor.
7. Pois a vinha do Senhor dos exércitos é a casa de Israel e o homem de Judá é o seu broto dileto. Ele esperava retidão e eis a desordem, esperava justiça e eis o clamor da dispersão.
Reflexão:
A vinha cultivada no âmago da consciência exige um cuidado constante e uma atenção vigilante ao instante vivido.
A presença suprema concede ao ser todas as condições para o desabrochar de uma vida plena e luminosa.
Quando o homem se dispersa no ilusionismo exterior, produz frutos estéreis que distanciam a alma de sua origem.
A negligência do recolhimento interior retira a proteção que sustenta a estabilidade da mente diante das vicissitudes.
A ausência de alinhamento com o princípio supremo entrega o ser à aridez e ao tumulto das paixões desordenadas.
A justiça e a retidão não são impositivas, mas o resultado natural de quem habita com fidelidade o agora.
Nada do que é transitório compensa o abandono da virtude gerada na profundeza do recolhimento interior.
Quem cultiva o bem no silêncio da alma permanece inabalável diante das transformações de todas as coisas.
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