O Senhor penetra o íntimo dos corações, revela silenciosamente seus desígnios e conduz cada ser à verdade, onde sua origem encontra plenitude.
Lectio Epistolae beati Pauli Apostoli ad Corinthios I, IV, I-V
I. Sic nos existimet homo ut ministros Christi, et dispensatores mysteriorum Dei.
Que cada um nos considere como ministros de Cristo e dispensadores dos mistérios de Deus.
II. Hic jam quaeritur inter dispensatores ut fidelis quis inveniatur.
Ora, o que se exige dos administradores é que cada um seja encontrado fiel.
III. Mihi autem pro minimo est ut a vobis judicer, aut ab humano die, sed neque meipsum judico.
Quanto a mim, pouco me importa ser julgado por vós ou por um julgamento humano. Nem sequer eu mesmo me julgo.
IV. Nihil enim mihi conscius sum, sed non in hoc justificatus sum, qui autem judicat me, Dominus est.
De nada me acusa a consciência, mas nem por isso estou justificado. Aquele que me julga é o Senhor.
V. Itaque nolite ante tempus judicare, quoadusque veniat Dominus, qui et illuminabit abscondita tenebrarum, et manifestabit consilia cordium, et tunc laus erit unicuique a Deo.
Portanto, não julgueis antes do tempo, até que venha o Senhor. Ele iluminará o que está oculto nas trevas e manifestará os desígnios dos corações. Então, cada um receberá de Deus o seu louvor.
Reflexão:
A existência humana não se revela inteiramente na superfície dos acontecimentos, pois sua verdade amadurece no interior diante daquele que conhece sua origem.
O ser recebe uma missão que ultrapassa o reconhecimento exterior e encontra seu fundamento na fidelidade silenciosa ao que lhe foi confiado.
Nenhum julgamento humano alcança completamente aquilo que permanece oculto no íntimo, onde cada intenção possui sua própria profundidade.
Também o próprio julgamento sobre si permanece incompleto, porque a consciência humana não contempla toda a realidade de seu ser.
Existe uma medida superior à aparência, uma verdade que atravessa o instante e reúne passado, presente e finalidade numa única ordem.
A espera pelo Senhor não significa vazio, mas amadurecimento diante daquele que ilumina aquilo que ainda permanece escondido.
Quando o oculto se manifesta, cada ser encontra sua verdade diante da origem que o sustenta e conhece aquilo que realmente se tornou.
Então a existência deixa de buscar sua medida no olhar exterior e repousa na verdade que recebe de Deus sua plena realização.
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