Eis o sonhador que revela o Alto; não o suprimamos, mas deixemos morrer o orgulho, para que o instante floresça em consciência eterna.
Lectio de Libro Genesis, XXXVII, III-IV, XII-XIIIa, XVIIb-XXVIII
III
Israel autem diligebat Ioseph super omnes filios suos, eo quod in senectute genuisset eum: fecitque ei tunicam polymitam.
Israel amava José acima dos outros filhos, pois o gerara na maturidade dos dias, e revestiu-o com túnica de muitas cores, sinal de uma eleição que nasce no tempo e aponta para o desígnio eterno.
IV
Videntes autem fratres eius quod a patre plus cunctis filiis amaretur, oderant eum, nec poterant ei quidquam pacifice loqui.
Os irmãos, percebendo a predileção, deixaram-se dominar pela sombra interior, incapazes de reconhecer que cada chamado possui medida própria no horizonte invisível.
XII
Cumque fratres illius in pascendis gregibus patris morarentur in Sichem.
Enquanto os irmãos apascentavam os rebanhos em Siquém, o curso ordinário da vida preparava silenciosamente um acontecimento de maior profundidade.
XIIIa
Dixitque Israel ad Ioseph: Fratres tui pascunt oves in Sichem: veni, mittam te ad eos.
Israel envia José ao encontro dos irmãos, e o envio revela que toda missão nasce de uma confiança que ultrapassa o instante imediato.
XVIIb
Abierunt in Dothain.
Eles partiram para Dotaim, e o caminho tornou-se cenário onde o visível e o invisível se entrelaçam no desígnio superior.
XVIII
Qui cum vidissent eum procul, antequam accederet ad eos, cogitaverunt illum occidere.
Ao vê-lo de longe, decidiram suprimi-lo, como se fosse possível calar o sonho que aponta para além do agora.
XIX
Et mutuo loquebantur: Ecce somniator venit.
Diziam entre si que o sonhador se aproximava, sem perceber que o sonho verdadeiro procede de uma altura que não pode ser destruída.
XX
Venite, occidamus eum, et mittamus in cisternam veterem, dicemusque: Fera pessima devoravit eum: et tunc apparebit quid illi prosint somnia sua.
Planejaram lançá-lo na cisterna, imaginando que assim venceriam o sentido anunciado, mas o propósito oculto amadurecia além de seus cálculos.
XXI
Audiens autem hoc Ruben, nitebatur liberare eum de manibus eorum, et dicebat: Non interficiamus animam eius.
Rúben procurou livrá-lo, pois mesmo em meio à sombra permanece no coração humano uma centelha que recorda o valor da vida.
XXII
Nec effundatis, inquit, sanguinem: sed proiicite eum in cisternam hanc quae est in solitudine, manusque vestras servate innoxias: hoc autem dicebat, volens eruere eum de manibus eorum, et reddere patri suo.
Sugeriu lançá-lo na cisterna sem derramar sangue, buscando preservar a vida, ainda que de modo imperfeito, sob o olhar do Altíssimo.
XXIII
Igitur cum venisset Ioseph ad fratres suos, nudaverunt eum tunica polymita.
Quando José chegou, retiraram-lhe a túnica, como se pudessem despir o eleito daquilo que lhe fora concedido pelo Pai.
XXIV
Miseruntque eum in cisternam veterem, quae non habebat aquam.
Lançaram-no na cisterna seca, imagem do esvaziamento que precede a elevação segundo a medida do Alto.
XXV
Et sedentes ut comederent panem, viderunt Ismaelitas viatores venire de Galaad, et camelos eorum portantes aromata, et resinam, et stacten in Aegyptum.
Enquanto comiam, viram mercadores a caminho do Egito, e o curso da história revelava uma direção mais ampla do que seus intentos.
XXVI
Dixit ergo Iudas fratribus suis: Quid nobis prodest si occiderimus fratrem nostrum, et celaverimus sanguinem ipsius.
Judá questionou o proveito do homicídio, pois até mesmo o cálculo humano reconhece limites diante da gravidade do ato.
XXVII
Melius est ut vendatur Ismaelitis, et manus nostrae non polluantur: frater enim et caro nostra est.
Propôs vendê-lo, lembrando que era seu irmão, e assim a consciência, ainda obscurecida, preservou um vínculo essencial.
XXVIII
Quod cum audissent fratres eius, transierunt Madianitae negotiatores: extrahentesque Ioseph de cisterna, vendiderunt eum Ismaelitis viginti argenteis: qui duxerunt eum in Aegyptum.
Retiraram José da cisterna e o venderam por moedas de prata, conduzindo-o ao Egito, onde o aparente declínio se tornaria preparação para um desígnio mais alto.
Reflexão
O sonho autêntico nasce de uma fonte que supera o instante.
A rejeição humana não anula o propósito inscrito no ser.
Há uma profundidade onde cada queda é preparação para elevação.
O mal praticado não escapa ao horizonte do sentido último.
A consciência é chamada a escolher segundo uma medida superior.
O sofrimento pode tornar-se escola de maturidade interior.
O tempo aparente oculta uma ordem que conduz silenciosamente os acontecimentos.
Quem persevera no bem participa da firmeza que não se dissolve.
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