terça-feira, 5 de agosto de 2025

Primeira Leitura: Deuteronômio 6:4-13 - 09.08.2025

 


Admonitio ad timorem Dei et observantiam legis

Liber Deuteronomii 6,4-13 – Vulgata

4 Audi, Israël: Dominus Deus noster, Dominus unus est.
4 – Ouve, Israel: o Senhor nosso Deus é o único Senhor.

5 Diliges Dominum Deum tuum ex toto corde tuo, et ex tota anima tua, et ex tota fortitudine tua.
5 – Amarás o Senhor teu Deus com todo o teu coração, com toda a tua alma e com toda a tua força.

6 Eruntque verba hæc, quæ ego præcipio tibi hodie, in corde tuo:
6 – E estas palavras que hoje te ordeno estarão em teu coração:

7 Et narrabis ea filiis tuis: et meditaberis sedens in domo tua, et ambulans in itinere, dormiens atque consurgens.
7 – Tu as ensinarás a teus filhos, e delas falarás sentado em tua casa, andando pelo caminho, ao deitar-te e ao levantar-te.

8 Et ligabis ea quasi signum in manu tua: eruntque, et movebuntur inter oculos tuos.
8 – E as atarás como sinal em tua mão, e estarão por frontais entre os teus olhos.

9 Et scribes ea in liminibus domus tuæ, et in portis tuis.
9 – E as escreverás nos umbrais de tua casa e nas tuas portas.

10 Cumque introduxerit te Dominus Deus tuus in terram, pro qua juravit patribus tuis Abraham, Isaac, et Jacob: et dederit tibi civitates magnas et optimas, quas non ædificasti,
10 – Quando o Senhor teu Deus te introduzir na terra que jurou a teus pais, Abraão, Isaac e Jacó, e te der grandes e boas cidades que não edificaste,

11 Domos plenas cunctarum opum, quas non exstruxisti: cisternas quas non fodisti: vineas et oliveta, quæ non plantasti:
11 – Casas cheias de toda sorte de bens, que não encheste; cisternas cavadas, que não cavaste; vinhas e olivais, que não plantaste:

12 Et comederis, et saturatus fueris: cave diligenter ne obliviscaris Domini, qui eduxit te de terra Ægypti, de domo servitutis.
12 – E comeres e te saciares, guarda-te cuidadosamente para não esqueceres o Senhor, que te tirou da terra do Egito, da casa da servidão.

13 Dominum Deum tuum timebis, et ipsi servies, ac per nomen illius jurabis.
13 – Temerás o Senhor teu Deus, a Ele servirás, e por seu nome jurarás.

Reflexão:
A escuta que abre este texto não é apenas auditiva, mas interior: é um chamado à consciência desperta, à integração do ser. Amar com todo o coração, alma e força é reencontrar a unidade do humano no centro do divino. A liberdade não nasce do afastamento da Lei, mas de sua interiorização viva, que transforma mandamentos em princípios encarnados. Escrever nos umbrais da casa é inscrever no cotidiano a direção da existência. Aquele que se recorda do dom originário — da terra, da vida, da dignidade — não se curva aos ídolos passageiros. No vínculo com o Uno, floresce a alma livre.

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segunda-feira, 4 de agosto de 2025

Primeira Leitura: Deuteronômio 4:32-40 - 08.08.2025

 


Lectio prima – Deuteronomium 4,32-40

Dominus solus est Deus

32 Interroga de diebus antiquis, qui fuerunt ante te, ex die quo creavit Deus hominem super terram, a summo caelo usque ad summum ejus, si facta est aliquando hujuscemodi res, aut umquam cognitum est.
Investiga os tempos passados, que te precederam desde o dia em que Deus criou o ser humano sobre a terra, de uma extremidade do céu à outra, se jamais aconteceu algo tão grandioso ou se se ouviu algo semelhante.

33 Si audivit populus vocem Dei loquentis de medio ignis, sicut tu audisti, et vixit:
Acaso algum povo ouviu a voz de Deus falando do meio do fogo, como tu ouviste, e permaneceu vivo?

34 Si fecit Deus ut ingrederetur, et tolleret sibi gentem de medio nationum per tentationes, signa, atque portenta, per pugnam, et robustam manum, extentumque brachium, et horribile visum juxta omnia quae fecit pro vobis Dominus Deus vester in Aegypto, videntibus oculis tuis:
Houve algum deus que tentou vir e tomar para si uma nação do meio de outra, com provas, sinais, prodígios e combates, com mão forte e braço estendido, e grandes terrores, como fez por vós o Senhor vosso Deus no Egito, diante de teus olhos?

35 Ut scires quoniam Dominus ipse est Deus, et non est alius praeter eum.
Para que saibas que o Senhor é Deus, e não há outro além dele.

36 De caelo audire te fecit vocem suam, ut doceret te; et in terra ostendit tibi ignem suum maximum, et audisti verba illius de medio ignis:
Do céu fez-te ouvir a sua voz para te instruir; e sobre a terra mostrou-te o seu grande fogo, e ouviste suas palavras do meio do fogo.

37 Quia dilexit patres tuos, et elegit semen eorum post eos, eduxitque te praecedens in virtute sua magna ex Aegypto,
Porque amou teus pais e escolheu seus descendentes depois deles, tirou-te do Egito com seu grande poder, indo à tua frente.

38 Ut deleret nationes maximas, et fortiores te in introitu tuo, et introduceret te, daretque tibi terram earum in possessionem, sicut cernis in praesenti die.
Para destruir nações maiores e mais fortes do que tu, ao teu ingresso, e para te introduzir e dar-te a terra delas em herança, como vês neste dia.

39 Scito ergo hodie, et cogitato in corde tuo quod Dominus ipse sit Deus in caelo sursum, et in terra deorsum, et non est alius:
Reconhece hoje, pois, e grava em teu coração, que o Senhor é Deus em cima nos céus e embaixo na terra, e não há outro.

40 Custodi praecepta ejus atque mandata, quae ego praecipio tibi hodie: ut bene sit tibi, et filiis tuis post te, et permaneas in terra quam Dominus Deus daturus est tibi.
Guarda, pois, seus preceitos e mandamentos que hoje te ordeno, para que sejas feliz, tu e teus filhos depois de ti, e vivas longamente na terra que o Senhor teu Deus te dá.

Reflexão:
Nesta revelação, o cosmos se curva para acolher a singularidade do humano, convidado a escutar a Voz que vibra do meio do fogo. O chamado divino não aliena, mas desperta a consciência — revela que somos parte ativa do grande movimento da Criação. A história do povo eleito não é privilégio, mas figura do caminho de todo ser que deseja conhecer o Bem. A liberdade se revela na escuta e na escolha do bem maior, e a dignidade floresce quando reconhecemos a presença do Eterno como centro e fim da existência. Quem guarda a Palavra, caminha rumo à plenitude do ser.

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sábado, 2 de agosto de 2025

Primeira Leitura: Números 20:1-13 - 07.08.2025


 Aqua de Petra

Prima Lectio – Numeri 20,1-13
(Versio Vulgata cum translatione in linguam Lusitanam)

  1. Venerunt filii Israël, omnis congregatio, in desertum Sin mense primo, et mansit populus in Cades: mortua estque ibi Maria, et sepulta in eodem loco.
    Os filhos de Israel, toda a congregação, vieram ao deserto de Sin no primeiro mês, e o povo permaneceu em Cades; ali morreu Maria, e foi sepultada naquele lugar.

  2. Cumque indigeret aqua populus, convenerunt adversum Moysen et Aaron.
    Como não havia água para o povo, eles se reuniram contra Moisés e Aarão.

  3. Et sedit populus contra Moysen, atque ait: Utinam perissemus inter fratres nostros coram Domino.
    O povo se voltou contra Moisés, dizendo: “Quem dera tivéssemos perecido com nossos irmãos diante do Senhor!”

  4. Cur eduxistis ecclesiam Domini in solitudinem, ut et nos et nostra jumenta moriamur?
    Por que trouxestes a assembleia do Senhor a este deserto, para morrermos aqui com os nossos animais?

  5. Quare nos fecistis ascendere de Ægypto, et adduxistis in locum istum pessimumm, qui seri non potest, qui nec ficum gignit, nec vineas, nec malogranata, insuper et aquam non habet ad bibendum?
    Por que nos fizestes sair do Egito para nos trazer a este lugar miserável, onde não há semente, nem figueiras, nem vinhas, nem romãs, e nem mesmo água para beber?

  6. Ingressusque Moyses et Aaron, relicta multitudine, tabernaculum fœderis, corruerunt proni in terram, et apparuit gloria Domini super eos.
    Moisés e Aarão, afastando-se da multidão, entraram na Tenda da Aliança e prostraram-se com o rosto por terra, e a glória do Senhor apareceu sobre eles.

  7. Locutusque est Dominus ad Moysen, dicens:
    E o Senhor falou a Moisés, dizendo:

  8. Tolle virgam, et congrega populum tu, et Aaron frater tuus, et loquimini ad petram coram eis, et dabit aquas suas. Cumque eduxeris aquam de petra, bibet omnis multitudo et jumenta ejus.
    Toma a vara, reúne o povo, tu e teu irmão Aarão, e falai à rocha diante deles, e ela dará suas águas. Assim farás sair água da rocha, e toda a multidão e seus animais beberão.

  9. Tulit ergo Moyses virgam, quæ erat in conspectu Domini, sicut præceperat ei.
    Então Moisés tomou a vara diante do Senhor, como lhe fora ordenado.

  10. Congregatique Moyses et Aaron populum ante petram, aitque eis: Audite, rebelles, num de petra hac vobis aquam poterimus ejicere?
    Moisés e Aarão reuniram o povo diante da rocha, e Moisés disse: “Ouvi agora, rebeldes: porventura poderemos fazer sair água desta rocha para vós?”

  11. Cumque elevasset Moyses manum, percussit duas vices petram virga, et egressæ sunt aquæ largissimæ, biberuntque populus et jumenta.
    Levantando a mão, Moisés feriu a rocha duas vezes com a vara, e jorrou muita água; o povo e os animais beberam.

  12. Dixitque Dominus ad Moysen et Aaron: Quia non credidistis mihi, ut sanctificaretis me coram filiis Israël, non introducetis hos populos in terram, quam dabo eis.
    O Senhor disse a Moisés e Aarão: “Porque não crestes em mim, para me santificardes diante dos filhos de Israel, não fareis entrar este povo na terra que lhes hei de dar.”

  13. Hæc est aqua contradictionis, ubi jurgati sunt filii Israël contra Dominum, et sanctificatus est in eis.
    Estas são as Águas da Contradição, onde os filhos de Israel contenderam contra o Senhor, e Ele foi santificado entre eles.

Reflexão:

Neste episódio, a rocha simboliza a dureza da matéria ainda não iluminada. A água que dela brota revela que até o mais árido pode ser fecundado pela Palavra viva. Mas a Palavra pede escuta, não imposição. Moisés, ao ferir a rocha com violência, afasta-se da confiança que transcende o controle. A verdadeira autoridade nasce da união interior com a Fonte, não do poder exterior. A Terra Prometida não é mero destino físico, mas estado de consciência onde o ser reconhece o divino que pulsa em tudo. Só quem confia na vida como processo pode guiar outros à liberdade que brota do interior.

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sexta-feira, 1 de agosto de 2025

Primeira Leitura: Daniel 7:9-10.13-14 - 06.08.2025

 


Lectio prima – Visio Gloriæ Filii Hominis

Danielis Prophetae (7,9-10.13-14) – Vulgata

9. Aspiciebam, donec throni positi sunt, et antiquus dierum sedit: vestimentum eius candor sicut nix, et capilli capitis eius quasi lana munda: thronus eius flammae ignis: rotae eius ignis accensus.
Eu contemplava, até que foram colocados tronos, e um Ancião de Dias sentou-se: seu manto era branco como a neve, e os cabelos de sua cabeça, como lã pura; seu trono era chama de fogo, e suas rodas, fogo ardente.

10. Fluvius ignis trahebatur, et egrediebatur a facie eius: millia millium ministrabant ei, et decies millies centena millia assistebant ei: iudicium sedit, et libri aperti sunt.
Um rio de fogo manava e saía de diante dele; milhares de milhares o serviam, e miríades de miríades estavam diante dele; o tribunal sentou-se, e os livros foram abertos.

13. Aspiciebam ergo in visione noctis, et ecce cum nubibus caeli quasi Filius hominis veniebat: et usque ad antiquum dierum pervenit, et in conspectu eius obtulerunt eum.
Eu contemplava, nas visões da noite, e eis que, com as nuvens do céu, vinha como que um Filho de homem; ele se aproximou do Ancião de Dias, e foi conduzido à sua presença.

14. Et dedit ei potestatem, et honorem, et regnum: et omnes populi, tribus, et linguae ipsi servient: potestas eius potestas aeterna, quae non auferetur: et regnum eius, quod non corrumpetur.
E foi-lhe dado poder, glória e reino; e todos os povos, tribos e línguas o serviam. Seu poder é um poder eterno que não passará, e seu reino não será destruído.

Reflexão:

Nesta visão, a eternidade toca o tempo e revela a direção do devir humano. O “Ancião de Dias” é a Origem que sustenta tudo, e o “Filho do Homem” é a imagem daquele que realiza plenamente a vocação da existência. Seu domínio eterno não oprime, mas eleva; não subjuga, mas convoca. A glória que lhe é entregue é o reflexo da liberdade acolhida na verdade. Servi-lo é integrar-se à harmonia do cosmos, onde cada ser encontra sua dignidade na convergência para o Bem maior. O rio de fogo é a purificação do ser, não a sua condenação. O juízo é luz, não sombra.

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quarta-feira, 30 de julho de 2025

Primeira Leitura: Números 12:1-13 - 05.08.2025


 Lectio Prima – Liber Numerorum 12,1-13

Feria Secunda – Hebdomada XVIII per Annum

1 Locuta est Maria et Aaron contra Moysen pro uxore Aethiopissa, quam duxerat:
Maria e Aarão falaram contra Moisés por causa da mulher etíope que ele havia tomado por esposa.

2 Dixeruntque: Numquid per solum Moysen locutus est Dominus? nonne et nobis similiter revelatus est? Quod cum audisset Dominus,
E disseram: Porventura falou o Senhor somente por Moisés? Não falou também por nós? O Senhor ouviu isto.

3 Erat autem Moyses vir mitissimus super omnes homines, qui morabantur in terra.
Moisés, porém, era um homem muito manso, mais do que todos os homens sobre a terra.

4 Statimque locutus est Dominus ad eum, et ad Aaron et Mariam: Egredimini vos tantum tres ad tabernaculum foederis. Cumque issent,
Imediatamente o Senhor falou a Moisés, a Aarão e a Maria: “Vinde vós três à tenda da reunião.” E, tendo eles ido,

5 Descendit Dominus in columna nubis, et stetit in introitu tabernaculi, vocavitque Aaron et Mariam. Qui cum issent,
O Senhor desceu na coluna de nuvem, e ficou à entrada da tenda; chamou Aarão e Maria. E, quando se aproximaram,

6 Dixit ad eos: Audite sermones meos: si quis fuerit inter vos propheta Domini, in visione apparebo ei, aut per somnium loquar ad illum.
Ele lhes disse: Escutai minhas palavras: se entre vós houver profeta do Senhor, a ele me manifestarei por visão, ou lhe falarei em sonhos.

7 At non talis servus meus Moyses, qui in omni domo mea fidelissimus est:
Mas não é assim com o meu servo Moisés: ele é o mais fiel em toda a minha casa.

8 Ore enim ad os loquor ei: et palam, et non per aenigmata et figuras Dominum videt. Quare ergo non timuistis detrahere servo meo Moysi?
Com ele falo boca a boca, abertamente, e não por enigmas; ele contempla a forma do Senhor. Por que, então, não temestes falar contra o meu servo Moisés?

9 Iratusque contra eos, abiit:
E, indignado contra eles, o Senhor retirou-se.

10 Nubes quoque recessit quae erat super tabernaculum: et ecce Maria apparuit candens lepra quasi nix. Cumque respexisset eam Aaron, et vidisset perfusam lepra,
E a nuvem que estava sobre a tenda se retirou, e eis que Maria se achava leprosa, branca como a neve. Quando Aarão a viu coberta de lepra,

11 Ait ad Moysen: Obsecro, domine mi, ne imponas nobis hoc peccatum, quod stulte commisimus:
Disse a Moisés: Rogo-te, meu senhor, não nos faças levar o peso deste pecado que tolamente cometemos.

12 Ne fiat haec quasi mortua, et ut abortivum quod proicitur de vulva matris suae: ecce iam media carne consumpta est.
Não permitas que ela seja como uma morta, como o aborto que sai do ventre materno, já meio consumido em sua carne.

13 Clamavitque Moyses ad Dominum, dicens: Deus, obsecro, sana eam.
E Moisés clamou ao Senhor, dizendo: Ó Deus, rogo-te, cura-a!

Reflexão:

A murmuração contra Moisés nasce da comparação e da pretensão de igualdade sem compreensão da vocação interior de cada ser. A verdadeira grandeza, no entanto, manifesta-se na mansidão de quem conhece seu lugar no fluxo do mistério. Moisés, homem fiel, transcende a ofensa e intercede com compaixão. Nesta cena, revela-se a dinâmica evolutiva da consciência: quando o espírito se eleva, aprende a responder ao erro com luz e não com juízo. A dignidade humana é respeitada quando reconhece-se que cada alma é chamada a um grau singular de comunhão com o Eterno. A liberdade não é nivelamento, mas fidelidade à vocação mais profunda. E a cura nasce do amor que compreende e não do poder que pune.

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Primeira Leitura: Números 11:4-15 - 04.08.2025


 Feria Secunda – Hebdomada XVIII per Annum

Lectio Prima – Liber Numerorum 11,4–15 (Vulgata Clementina)

4. Vulgus autem promiscuum, quod ascenderat cum eis, ardens desiderio, sedens et flens cum filiis Israël, dicebat: Quis dabit nobis ad vescendum carnes?
O populacho misturado que subira com eles, tomado de cobiça, sentava-se a chorar com os filhos de Israel e dizia: Quem nos dará carne para comer?

5. Recordamur piscium, quos comedebamus in Ægypto gratis: cucumeres, et melones, et porros, et cepas, et alios.
Lembramo-nos dos peixes que comíamos no Egito de graça; dos pepinos, melões, alhos-porros, cebolas e alhos.

6. Nunc autem anima nostra arida est: nihil aliud respiciunt oculi nostri, nisi manna.
Agora, porém, a nossa alma está seca; nada vemos senão este maná.

7. Erat autem manna quasi semen coriandri, coloris bdellii.
O maná era como semente de coentro, de cor semelhante ao bdélio.

8. Perambulabat populus, et colligens illud: et frangebant in mola, vel terebant in mortariis, et coquebant in olla, et faciebant ex eo collyridam saporis quasi panis oleati.
O povo o colhia andando pelos arredores; moía-o em moinhos ou pilava-o em pilões, cozia-o em panelas e fazia bolos com gosto semelhante ao de pão amassado com azeite.

9. Cumque descenderet ros nocte super castra, simul descendebat et manna.
E quando o orvalho caía de noite sobre o acampamento, também o maná caía com ele.

10. Audivit ergo Moyses populum flentem per familias suas, unumquemque ad ostium tabernaculi sui. Iratusque est furor Domini valde: sed et Moysi displicebat.
Moisés ouviu o povo chorar pelas famílias, cada um à porta da sua tenda. A ira do Senhor acendeu-se muito, e também pareceu mal aos olhos de Moisés.

11. Et ait ad Dominum: Cur afflixisti servum tuum? Quare non inveni gratiam coram te, et imposuisti onus universi populi hujus super me?
E disse ao Senhor: Por que afligiste teu servo? Por que não encontrei graça diante de ti, visto que colocaste sobre mim o peso de todo este povo?

12. Numquid ego concepi omnem hunc populum, vel genui eum, ut dicas mihi: Porta eum in sinu tuo, sicut portare solet nutrix infantulum, in terram, quam jurasti patribus ejus?
Acaso concebi todo este povo, ou o gerei, para que me digas: Leva-o no teu seio, como a ama carrega o lactente, até a terra que juraste a seus pais?

13. Unde mihi carnes, ut dem universo populo huic? Flent contra me, dicentes: Da nobis carnes, ut comedamus.
Donde me viriam carnes para dar a todo este povo? Pois choram diante de mim, dizendo: Dá-nos carne para comermos.

14. Non possum solus sustinere omnem hunc populum, quia gravis est mihi.
Não posso sozinho suportar todo este povo, pois é pesado demais para mim.

15. Sed si ita putas, obsecro ut interficias me, et inveniam gratiam in oculis tuis: ne videam malum meum.
Mas se é assim que pensas, rogo-te que me mates e ache eu graça aos teus olhos, para que eu não veja mais a minha miséria.

Reflexão:
O clamor do povo e o cansaço de Moisés revelam o drama da liberdade: ela exige responsabilidade e não suporta o retorno à escravidão disfarçada de conforto. O maná, dom puro da providência, é rejeitado por aqueles que desejam as ilusões do passado. Mas a evolução do espírito requer desapego do conhecido e confiança no invisível. Moisés, sobrecarregado, reconhece os limites da própria força — e assim se abre à possibilidade de uma nova colaboração. A dignidade da pessoa surge quando ela é chamada não a dominar, mas a cooperar com a Fonte que tudo sustenta, em fidelidade e coragem.

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terça-feira, 29 de julho de 2025

Primeira Leitura: Eclesiastes 1:2; 2:21-23 - 03.08.2025

 


Lectio prima – Dominica XVIII per Annum – Anno C

Liber Ecclesiastes 1,2; 2,21–23

1,2 Vanitas vanitatum, dixit Ecclesiastes; vanitas vanitatum, et omnia vanitas.
Vaidade das vaidades, disse o Eclesiastes; vaidade das vaidades, tudo é vaidade.

2,21 Nam quid proderit homini de universo labore suo, et cogitatione cordis, qua sub sole fatigatus est?
Pois que aproveita ao homem todo o seu trabalho e o esforço do seu coração, com que se afadigou debaixo do sol?

2,22 Cuncti dies eius doloribus, et moerori occupantur, nec per noctem mens eius requiescit: et haec nonne vanitas est?
Todos os seus dias são cheios de dores, e seus trabalhos de tristeza; nem mesmo de noite descansa o seu coração. E isso não é também vaidade?

2,23 Sic ergo vanitas est et hoc.
Assim também isto é vaidade.

Reflexão:

A Escritura nos leva a confrontar o limite do esforço humano quando desconectado de um sentido maior. Não se trata de negar o valor do trabalho, mas de libertá-lo da ilusão de que ele, por si só, realiza o ser. Toda construção sem alma se desfaz no tempo. O homem, chamado a crescer para além do visível, não encontra repouso no mero acúmulo de feitos. A verdadeira obra é a do espírito em evolução, que transforma o cansaço em sabedoria e o tempo em eternidade. Só quando o labor se torna expressão do ser, nasce a dignidade que não passa.

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