No instante em que a necessidade se torna presente, o Eterno sustenta o ser e conduz sua interioridade à plenitude, onde a existência encontra sentido.
Lectio Epistolae Sancti Pauli Apostoli ad Corinthios IV, VIb-XV
VI. Hæc autem, fratres, transfiguravi in me et Apollo, propter vos, ut in nobis discatis, ne supra quam scriptum est, unus adversus alterum infletur pro alio.
Isto, irmãos, apliquei a mim mesmo e a Apolo, por causa de vós, para que aprendais em nós a não ir além daquilo que está escrito, a fim de que ninguém se ensoberbeça em favor de um contra o outro.
VII. Quis enim te discernit? quid autem habes quod non accepisti? si autem accepisti, quid gloriaris quasi non acceperis?
Pois quem te distingue? E que possuis que não tenhas recebido? E, se o recebeste, por que te glorias como se não o tivesses recebido?
VIII. Jam saturati estis, jam divites facti estis, sine nobis regnatis, et utinam regnaretis, ut et nos vobiscum regnaremus.
Já estais saciados, já vos tornastes ricos, já reinais sem nós. E quisera eu que verdadeiramente reinásseis, para que também nós reinássemos convosco.
IX. Puto enim quod Deus nos Apostolos novissimos ostendit, tamquam morti destinatos, quia spectaculum facti sumus mundo, et Angelis, et hominibus.
Pois penso que Deus nos apresentou, a nós Apóstolos, como os últimos, destinados à morte, porque nos tornamos espetáculo diante do mundo, dos anjos e dos homens.
X. Nos stulti propter Christum, vos autem prudentes in Christo, nos infirmi, vos autem fortes, vos nobiles, nos autem ignobiles.
Nós somos considerados insensatos por causa de Cristo, enquanto vós sois prudentes em Cristo. Nós somos fracos, enquanto vós sois fortes. Vós sois honrados, enquanto nós somos desprezados.
XI. Usque in hanc horam et esurimus, et sitimus, et nudi sumus, et colaphis cædimur, et instabiles sumus,
Até esta hora padecemos fome e sede, estamos despojados, somos golpeados e permanecemos sem morada estável.
XII. Et laboramus operantes manibus nostris, maledicimur, et benedicimus, persecutionem patimur, et sustinemus.
Trabalhamos com nossas próprias mãos. Quando somos amaldiçoados, bendizemos. Quando perseguidos, suportamos com perseverança.
XIII. Blasphemamur, et obsecramus, tamquam purgamenta hujus mundi facti sumus, omnium peripsema usque adhuc.
Quando somos difamados, respondemos com súplica. Tornamo-nos como o que é desprezado deste mundo, como o que é considerado indigno de tudo, até o presente momento.
XIV. Non ut confundam vos, hæc scribo, sed ut filios meos carissimos moneo.
Não vos escrevo para vos envergonhar, mas para vos advertir como meus filhos muito amados.
XV. Nam si decem milia pedagogorum habeatis in Christo, sed non multos patres, nam in Christo Jesu per Evangelium ego vos genui.
Pois, ainda que tivésseis dez mil mestres em Cristo, não teríeis muitos pais, porque, em Cristo Jesus, eu vos gerei por meio do Evangelho.
Reflexão:
Aquilo que recebemos não nasce de nós, mas nos alcança desde uma origem que permanece silenciosamente presente.
O ser amadurece quando reconhece, com humildade, a fonte de tudo quanto possui.
Nenhuma grandeza exterior acrescenta profundidade àquilo que interiormente ainda não amadureceu.
A verdade recebida exige uma existência capaz de acolhê-la e torná-la realidade viva.
As adversidades não possuem poder absoluto sobre aquele que permanece interiormente ordenado ao bem.
O instante adquire profundidade quando a alma permanece firme diante daquilo que não passa.
A existência encontra sua medida quando reconhece que recebeu sua origem e caminha conscientemente para sua plenitude.
Assim, o ser amadurece na presença de Deus, até que aquilo que recebeu se torne plenamente aquilo que foi chamado a ser.
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