quinta-feira, 27 de agosto de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura do Livro do Profeta Jeremias 1,17-19 - 29.08.2026

Sábado, 29 de Agosto de 2026
Martírio de São João Batista, Memória
21ª Semana do Tempo Comum


Quando o Eterno se comunica ao coração, a verdade amadurece em silêncio, sustenta o ser na presença divina e conduz sua existência à plenitude.



Lectio Libri Ieremiae 1,17-19

XVII. Tu ergo, accinge lumbos tuos, et surge, et loquere ad eos omnia quæ ego præcipio tibi. Ne formides a facie eorum, nec enim timere te faciam vultum eorum.

  1. Tu, porém, cinge os teus rins, levanta-te e fala-lhes tudo quanto eu te ordeno. Não temas diante deles, pois não permitirei que o temor de sua presença te domine.

XVIII. Ego quippe dedi te hodie in civitatem munitam, et in columnam ferream, et in murum æreum, super omnem terram, regibus Juda, principibus ejus, et sacerdotibus, et populo terræ.

  1. Eu mesmo te estabeleci hoje como cidade fortificada, como coluna de ferro e como muralha de bronze diante de toda esta terra, diante dos reis de Judá, de seus príncipes, de seus sacerdotes e de todo o povo da terra.

XIX. Et bellabunt adversum te, et non prævalebunt, quia ego tecum sum, ait Dominus, ut liberem te.

  1. Eles combaterão contra ti, mas não prevalecerão, porque Eu estou contigo, diz o Senhor, para te livrar.

Reflexão:

A Palavra divina não apenas alcança o homem, mas o reúne interiormente para a missão que lhe foi confiada.
O instante da convocação contém uma profundidade que não se mede pela duração exterior do acontecimento.
Jeremias é chamado a levantar-se porque a presença recebida já amadureceu nele uma firmeza que não dependia das circunstâncias.
A verdadeira fortaleza nasce quando o ser permanece unido àquilo que reconheceu como sua origem.
A presença do Senhor não elimina a prova, mas confere ao instante uma solidez que a passagem do tempo não pode dissolver.
Aquele que permanece interiormente ordenado encontra em si uma medida que não depende do ruído exterior.
A promessa divina acompanha o caminho e transforma a experiência do combate em ocasião de perseverança e amadurecimento.
Assim, a existência encontra sua plenitude quando cada instante se torna lugar de fidelidade à presença que o sustenta.

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quarta-feira, 26 de agosto de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 1,17-25 - 28.08.2026

Sexta-feira, 28 de Agosto de 2026
Santo Agostinho, bispo e doutor da Igreja, Memória
21ª Semana do Tempo Comum


Cristo crucificado revela no silêncio do instante a sabedoria divina que transforma o ser e o conduz da origem à plenitude do encontro com Deus.



Lectio Epistolæ I beati Pauli Apostoli ad Corinthios, I, 17-25

XVII. Non enim misit me Christus baptizare, sed evangelizare, non in sapientia verbi, ut non evacuetur crux Christi.

  1. Cristo não me enviou para batizar, mas para evangelizar, não com a sabedoria das palavras, para que não se torne vã a cruz de Cristo.

XVIII. Verbum enim crucis pereuntibus quidem stultitia est, his autem qui salvi fiunt, id est nobis, virtus Dei est.

  1. Porque a palavra da cruz é loucura para os que perecem, mas para nós, que somos salvos, ela é poder de Deus.

XIX. Scriptum est enim, Perdam sapientiam sapientium, et prudentiam prudentium reprobabo.

  1. Pois está escrito, Destruirei a sabedoria dos sábios e rejeitarei a prudência dos prudentes.

XX. Ubi sapiens, ubi scriba, ubi conquisitor huius sæculi? Nonne stultam fecit Deus sapientiam huius mundi?

  1. Onde está o sábio, onde está o escriba, onde está o investigador deste mundo? Porventura Deus não tornou louca a sabedoria deste mundo?

XXI. Nam quia in Dei sapientia non cognovit mundus per sapientiam Deum, placuit Deo per stultitiam prædicationis salvos facere credentes.

  1. Porque, na sabedoria de Deus, o mundo não conheceu a Deus por meio da própria sabedoria, aprouve a Deus salvar os que creem pela aparente loucura da pregação.

XXII. Quoniam et Judæi signa petunt, et Græci sapientiam quærunt.

  1. Pois os judeus pedem sinais, e os gregos procuram sabedoria.

XXIII. Nos autem prædicamus Christum crucifixum, Judæis quidem scandalum, gentibus autem stultitiam.

  1. Nós, porém, pregamos Cristo crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios.

XXIV. Ipsis autem vocatis Judæis, atque Græcis, Christum Dei virtutem, et Dei sapientiam.

  1. Mas, para os que são chamados, judeus e gregos, Cristo é poder de Deus e sabedoria de Deus.

XXV. Quia quod stultum est Dei, sapientius est hominibus, et quod infirmum est Dei, fortius est hominibus.

  1. Porque aquilo que parece loucura de Deus é mais sábio do que os homens, e aquilo que parece fraqueza de Deus é mais forte do que os homens.

Reflexão:

A cruz revela que a verdade mais profunda não nasce da aparência, mas da realidade que sustenta silenciosamente o ser.
Cristo crucificado permanece no centro do instante como presença que atravessa a sucessão e alcança a eternidade.
Aquilo que parece fraqueza manifesta uma força que não depende das medidas exteriores da existência.
A sabedoria divina conduz o coração para além daquilo que os sentidos conseguem apreender imediatamente.
O ser amadurece quando aprende a reconhecer sua origem naquilo que transcende toda aparência passageira.
Cada instante pode acolher uma profundidade capaz de transformar interiormente a compreensão da própria existência.
A cruz reúne sofrimento, entrega e plenitude em uma única manifestação do amor que procede do Eterno.
Quem permanece diante dela em silêncio começa a compreender que sua verdadeira realização nasce da união com Cristo.

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PRIMEIRA LEITURA - Início da Primeira Carta de São Paulo aos Coríntios 1,1-9 - 27.08.2026

Quinta-feira, 27 de Agosto de 2026
Santa Mônica, Memória
21ª Semana do Tempo Comum

Nele, o ser é enriquecido pela presença do Eterno, recebendo no instante a plenitude que ilumina sua inteligência, ordena sua existência e conduz ao cumprimento.


Initium Epistolae Primae Sancti Pauli Apostoli ad Corinthios, 1,1-9

I.

Paulus vocatus Apostolus Jesu Christi per voluntatem Dei, et Sosthenes frater,

1. Paulo, chamado Apóstolo de Jesus Cristo pela vontade de Deus, e o irmão Sóstenes.

II.

ecclesiæ Dei, quæ est Corinthi, sanctificatis in Christo Jesu, vocatis sanctis, cum omnibus qui invocant nomen Domini nostri Jesu Christi, in omni loco ipsorum et nostro.

2. À Igreja de Deus que está em Corinto, aos santificados em Cristo Jesus, chamados a ser santos, juntamente com todos os que invocam o nome de nosso Senhor Jesus Cristo, em todo lugar, tanto entre eles como entre nós.

III.

Gratia vobis, et pax a Deo Patre nostro, et Domino Jesu Christo.

3. A graça e a paz estejam convosco, da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo.

IV.

Gratias ago Deo meo semper pro vobis in gratia Dei, quæ data est vobis in Christo Jesu:

4. Dou sempre graças ao meu Deus por vós, por causa da graça de Deus que vos foi concedida em Cristo Jesus.

V.

quod in omnibus divites facti estis in illo, in omni verbo, et in omni scientia.

5. Porque nele fostes enriquecidos em tudo, em toda palavra e em todo conhecimento, recebendo uma riqueza interior que ultrapassa a simples aparência das coisas e conduz o ser à compreensão de sua verdadeira origem.

VI.

Sicut testimonium Christi confirmatum est in vobis:

6. Assim como o testemunho de Cristo foi confirmado em vós, tornando-se presença viva que sustenta interiormente aquilo que foi recebido.

VII.

ita ut nihil vobis desit in ulla gratia, exspectantibus revelationem Domini nostri Jesu Christi,

7. De modo que não vos falte graça alguma, enquanto aguardais a manifestação de nosso Senhor Jesus Cristo, permanecendo atentos ao cumprimento daquilo que, no tempo próprio, há de se revelar.

VIII.

qui et confirmabit vos usque in finem sine crimine, in die adventus Domini nostri Jesu Christi.

8. Ele também vos confirmará até o fim, para que permaneçais irrepreensíveis no dia da vinda de nosso Senhor Jesus Cristo, quando aquilo que foi amadurecido no silêncio do tempo alcançará sua manifestação plena.

IX.

Fidelis Deus: per quem vocati estis in societatem filii ejus Jesu Christi Domini nostri.

9. Fiel é Deus, por quem fostes chamados à comunhão de seu Filho, Jesus Cristo, nosso Senhor. Nele, o instante humano encontra sua origem, sua ordem e sua direção, e o tempo se abre à presença daquele que permanece para além de toda mudança.

Reflexão:

O ser encontra sua firmeza quando reconhece uma ordem superior ao movimento passageiro das coisas.
Cada instante possui uma profundidade que não se revela àquele que permanece apenas na superfície do tempo.
A alma amadurece quando aprende a acolher silenciosamente aquilo que ainda não alcançou sua manifestação plena.
A verdadeira grandeza consiste em permanecer inteiro diante das circunstâncias, sem permitir que o exterior governe o interior.
O presente torna-se fecundo quando a razão contempla nele uma ordem que conduz para além do instante.
Aquele que permanece atento ao bem não se dispersa diante da mudança nem se deixa dominar pela instabilidade do mundo.
Assim, cada momento pode tornar-se lugar de amadurecimento, de retidão e de aproximação da plenitude.
Quando o tempo humano se abre ao Eterno, a existência reconhece sua origem e caminha conscientemente para sua consumação.

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segunda-feira, 24 de agosto de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses 3,6-10.16-18 - 26.08.2026

Quarta-feira, 26 de Agosto de 2026
21ª Semana do Tempo Comum, Ano Par (II)


Quem recusa participar da obra que amadurece o ser, recusa a plenitude que nasce do dever cumprido no tempo interior.



Epistula II ad Thessalonicenses, III, 6-10.16-18

VI. Denuntiamus autem vobis, fratres, in nomine Domini nostri Jesu Christi, ut subtrahatis vos ab omni fratre ambulante inordinate, et non secundum traditionem, quam acceperunt a nobis.

6. Nós vos ordenamos, irmãos, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo, que vos afasteis de todo irmão que vive desordenadamente e não segundo a tradição que recebeu de nós.

VII. Ipsi enim scitis quemadmodum oporteat imitari nos: quoniam non inquieti fuimus inter vos.

7. Pois vós mesmos sabeis como deveis imitar-nos, porque não vivemos entre vós de maneira desordenada.

VIII. neque gratis panem manducavimus ab aliquo, sed in labore, et in fatigatione, nocte et die operantes, ne quem vestrum gravaremus.

8. Nem comemos gratuitamente o pão de alguém, mas trabalhamos com esforço e fadiga, noite e dia, para não sermos peso para nenhum de vós.

IX. Non quasi non habuerimus potestatem, sed ut nosmetipsos formam daremus vobis ad imitandum nos.

9. Não porque não tivéssemos autoridade para isso, mas para oferecer-vos em nós mesmos um exemplo a ser imitado.

X. Nam et cum essemus apud vos, hoc denuntiabamus vobis: quoniam si quis non vult operari, nec manducet.

10. Pois, quando estávamos entre vós, já vos ordenávamos isto se alguém não quer trabalhar, também não deve comer.

XVI. Ipse autem Dominus pacis det vobis pacem sempiternam in omni loco. Dominus sit cum omnibus vobis.

16. O próprio Senhor da paz vos conceda a paz que permanece em todo lugar. O Senhor esteja com todos vós.

XVII. Salutatio, mea manu Pauli: quod est signum in omni epistola, ita scribo.

17. Esta saudação é de próprio punho de Paulo. Este é o sinal que deixo em todas as minhas cartas; assim escrevo.

XVIII. Gratia Domini nostri Jesu Christi cum omnibus vobis. Amen.

18. A graça de nosso Senhor Jesus Cristo esteja com todos vós. Amém.

Reflexão

O trabalho ordenado revela a dignidade interior da existência.

Cada esforço realizado com retidão amadurece silenciosamente o ser.

A disciplina exterior pode expressar uma ordem interior mais profunda.

O homem cresce quando transforma o dever em caminho de aperfeiçoamento.

O silêncio fecundo permite que cada ação encontre sua medida.

A verdadeira paz nasce quando a existência se harmoniza com sua finalidade.

O instante recebe profundidade quando é vivido com consciência e retidão.

A graça conduz o ser à plenitude que ultrapassa o tempo passageiro.

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domingo, 23 de agosto de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura da Segunda Carta de São Paulo aos Tessalonicenses 2,1-3a.14-17 - 25.08.2026

Terça-feira, 25 de Agosto de 2026
21ª Semana do Tempo Comum, Ano Par (II)


Acolhei a verdade recebida no silêncio interior e guardai sua origem eterna para que a consciência permaneça unida à verdade que transcende a passagem temporal.



Epistola II Sancti Pauli Apostoli ad Thessalonicenses II, I-IIIa, XIV-XVII

I

Rogamus autem vos, fratres, per adventum Domini nostri Jesu Christi, et nostrae congregationis in ipsum, (I)

1. Nós vos pedimos, irmãos, pela vinda de nosso Senhor Jesus Cristo e pela nossa reunião com Ele, para que o vosso ser permaneça interiormente orientado para aquele encontro que reúne toda a existência em sua origem e em seu destino.

II

Ut non cito moveamini a vestro sensu, neque terreamini, neque per spiritum, neque per sermonem, neque per epistolam tamquam per nos missam, quasi instet dies Domini. (II)

2. Que não vos deixeis facilmente perturbar em vosso entendimento, nem vos atemorizeis por qualquer espírito, palavra ou carta apresentada como se viesse de nós, como se o Dia do Senhor já estivesse presente. Permanecei firmes na verdade, sem permitir que a consciência seja afastada de seu centro pela inquietação.

III

Ne quis vos seducat ullo modo: quoniam nisi venerit discessio primum, et revelatus fuerit homo peccati filius perditionis. (III)

3. Que ninguém vos engane de modo algum, pois antes deverá manifestar-se a apostasia e ser revelado o homem do pecado, o filho da perdição. Assim, o discernimento deve permanecer desperto, para que o ser não confunda a aparência passageira com aquilo que verdadeiramente permanece.

XIV

In qua et vocavit vos per Evangelium nostrum in acquisitionem gloriae Domini nostri Jesu Christi. (XIV)

14. Para isso também vos chamou por meio do nosso Evangelho, a fim de que alcanceis a glória de nosso Senhor Jesus Cristo. O chamado recebido no presente orienta a existência para uma plenitude que já começa a ser acolhida no interior.

XV

Itaque fratres, state: et tenete traditiones, quas didicistis, sive per sermonem, sive per epistolam nostram. (XV)

15. Portanto, irmãos, permanecei firmes e conservai as tradições que recebestes, seja pela palavra, seja pela nossa carta. Guardai aquilo que foi recebido como verdade, permitindo que essa verdade permaneça viva e fecunda no íntimo da consciência.

XVI

Ipse autem Dominus noster Jesus Christus, et Deus et Pater noster, qui dilexit nos, et dedit consolationem aeternam, et spem bonam in gratia. (XVI)

16. O próprio Senhor nosso Jesus Cristo e Deus, nosso Pai, que nos amou e nos concedeu eterna consolação e uma boa esperança pela graça, sustente o coração humano na certeza de que aquilo que procede do Eterno não se perde na passagem.

XVII

Exhortetur corda vestra, et confirmet in omni opere et sermone bono. (XVII)

17. Que Ele console os vossos corações e os confirme em toda boa obra e em toda boa palavra, para que aquilo que foi acolhido interiormente encontre expressão verdadeira na existência e permaneça unido à sua origem.

Reflexão

A verdade permanece firme quando a consciência encontra seu centro.
O instante recebe profundidade quando acolhe aquilo que não passa.
A esperança nasce da presença interior de uma realidade eterna.
O coração amadurece quando distingue aparência, verdade e finalidade.
A perseverança sustenta o ser diante das mudanças exteriores.
A palavra recebida torna-se vida quando alcança a interioridade.
Toda obra verdadeira nasce de uma intenção ordenada.
E a existência encontra plenitude quando permanece voltada para o Eterno.

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sábado, 22 de agosto de 2026

PRIMEIRA LEITURA - Leitura do Livro do Apocalipse de São João 21,9b-14 - 24.08.2026

Segunda-feira, 24 de Agosto de 2026
São Bartolomeu, Apóstolo, Festa, Ano A
21ª Semana do Tempo Comum


A cidade eterna repousa sobre fundamentos invisíveis; seus doze alicerces manifestam a ordem originária, enquanto os Apóstolos testemunham o Cordeiro como centro da existência.



Lectio Libri Apocalypsis Sancti Ioannis, XXI, IX-XIV

IX. Et venit unus de septem Angelis habentibus phialas plenas septem plagis novissimis, et locutus est mecum, dicens Veni, ostendam tibi sponsam, uxorem Agni.

9. E veio um dos sete Anjos que tinham as sete taças cheias das últimas sete pragas e falou comigo, dizendo Vem, e eu te mostrarei a Esposa, a mulher do Cordeiro. A realidade definitiva se revela como uma união perfeita entre a criatura e seu princípio, preparada para receber plenamente a presença daquele de quem procede.

X. Et sustulit me in spiritu in montem magnum et altum, et ostendit mihi civitatem sanctam Ierusalem descendentem de caelo a Deo.

10. E elevou-me em espírito a um monte grande e elevado, e mostrou-me a cidade santa, Jerusalém, descendo do céu, da parte de Deus. A elevação interior permite contemplar a realidade em sua origem, enquanto a cidade que desce manifesta a presença divina acolhida no próprio coração da criação.

XI. Habentem claritatem Dei, lumen eius simile lapidi pretioso, tamquam lapidi iaspidis, sicut crystallum.

11. Ela possuía a glória de Deus, e sua luz era semelhante à de uma pedra preciosa, como o jaspe, resplandecente como o cristal. A luz divina não apenas ilumina a cidade, mas revela sua verdadeira natureza, fazendo aparecer aquilo que nela permanece ordenado à plenitude de sua origem.

XII. Et habebat murum magnum et altum, habentem portas duodecim, et in portis Angelos duodecim, et nomina inscripta, quae sunt nomina duodecim tribuum filiorum Israel.

12. Ela possuía uma muralha grande e elevada, com doze portas; junto às portas estavam doze Anjos, e nelas estavam inscritos os nomes das doze tribos dos filhos de Israel. A cidade manifesta uma ordem completa, na qual cada entrada conserva a memória de uma história conduzida por Deus até sua consumação.

XIII. Ab oriente portae tres, et ab aquilone portae tres, et ab austro portae tres, et ab occasu portae tres.

13. Ao oriente havia três portas, ao norte três portas, ao sul três portas e ao ocidente três portas. A distribuição perfeita das portas manifesta uma realidade plenamente ordenada, na qual todas as direções da criação convergem para uma única plenitude diante de Deus.

XIV. Et murus civitatis habens fundamenta duodecim, et in ipsis duodecim nomina duodecim Apostolorum Agni.

14. A muralha da cidade tinha doze fundamentos, e sobre eles estavam os doze nomes dos doze Apóstolos do Cordeiro. Os fundamentos revelam uma realidade edificada sobre testemunhos que permanecem, pois a história dos Apóstolos está inscrita na própria estrutura da cidade que recebe sua plenitude no Cordeiro.

Verbum Domini

Reflexão

A cidade santa revela a plenitude preparada desde a origem.
Sua luz manifesta a presença que sustenta todas as coisas.
Os fundamentos recordam que toda existência necessita de uma origem verdadeira.
As doze portas exprimem uma ordem que conduz à plenitude.
O ser encontra sua maturidade quando reconhece aquilo que o sustenta.
A realidade visível alcança sua profundidade quando acolhe o invisível.
Os Apóstolos permanecem inscritos como testemunhas da verdade recebida.
No Cordeiro, a criação encontra sua consumação e sua paz.

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PRIMEIRA LEITURA - Leitura do Livro do Profeta Isaías 22,19-23 - 23.08.2026

Domingo, 23 de Agosto de 2026
21º Domingo do Tempo Comum, Ano A
Hoje, omite-se a Festa de Santa Rosa de Lima, virgem, Padroeira da América Latina


Eu o farei levar aos ombros a chave da casa de Davi, sinal da autoridade recebida do alto, que abre o mistério da eternidade interior.



Lectio Libri Isaiae XXII, 19-23

XIX
Et expellam te de statione tua, et de ministerio tuo deponam te.

19
Eu te afastarei da tua posição e te retirarei do ministério que te foi confiado. Assim, aquilo que parecia permanente será conduzido à transformação, para que se revele a verdadeira origem de toda autoridade e de todo serviço.

XX
Et erit in die illa, vocabo servum meum Eliacim, filium Helciæ.

20
Naquele dia, chamarei o meu servo Eliacim, filho de Helcias. Nele começará uma nova etapa, porque aquilo que Deus chama à existência recebe dele a força necessária para cumprir sua missão.

XXI
Et induam illum tunica tua, et cingulo tuo confortabo eum, et potestatem tuam dabo in manu ejus; et erit quasi pater habitantibus Jerusalem et domui Juda.

21
Eu o revestirei com a tua túnica, fortalecê-lo-ei com o teu cinturão e colocarei em suas mãos a autoridade. Ele será como um pai para os habitantes de Jerusalém e para a casa de Judá. Assim, a autoridade alcança sua verdadeira dignidade quando se torna expressão de responsabilidade, cuidado e fidelidade àquilo que recebeu.

XXII
Et dabo clavem domus David super humerum ejus; et aperiet, et non erit qui claudat; et claudet, et non erit qui aperiat.

22
Porei sobre seus ombros a chave da casa de Davi. Ele abrirá, e ninguém poderá fechar; fechará, e ninguém poderá abrir. A chave torna-se sinal de uma realidade confiada ao ser humano, na qual a decisão exterior encontra sua origem em uma ordem interior que procede de Deus.

XXIII
Et figam illum paxillum in loco fideli, et erit in solium gloriæ domui patris ejus.

23
Eu o fixarei como uma estaca em lugar firme, e ele será como um trono de glória para a casa de seu pai. Aquilo que é estabelecido na fidelidade encontra estabilidade para sustentar, através do tempo, aquilo que lhe foi confiado.

Reflexão

O chamado divino transforma a existência antes de manifestar sua obra exterior.
Aquilo que recebemos de Deus amadurece silenciosamente no interior do ser.
A verdadeira firmeza nasce quando a consciência encontra seu fundamento no eterno.
O instante pode acolher uma decisão que ultrapassa sua própria duração.
Toda missão autêntica exige uma interioridade capaz de permanecer fiel.
Os ombros que recebem a chave também recebem a responsabilidade de guardá-la.
O ser amadurece quando compreende que toda autoridade possui uma origem superior.
E aquilo que permanece unido a Deus encontra firmeza para cumprir sua missão.

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