Senhor, acolhe em nosso interior a tua presença, para que, neste instante, o perdão recebido de ti transforme nosso ser e o conduza à plenitude.
Lectio libri Ecclesiastici XXVII,XXXIII-XXVIII,IX
XXXIII. Ira et furor utraque execrabilia sunt, et vir peccator continens erit illorum.
A ira e o furor são igualmente abomináveis, e o homem pecador permanecerá sujeito a eles.
XXVIII. Qui vindicari vult, a Domino inveniet vindictam, et peccata illius servans servabit.
Quem deseja vingar-se encontrará no Senhor a justiça, e Ele conservará diante de si os pecados daquele que não os abandona.
II. Relinque proximo tuo nocenti te, et tunc deprecanti tibi peccata solventur.
Perdoa a quem te fez mal, e, quando suplicares, teus pecados serão perdoados.
III. Homo homini servat iram, et a Deo quærit medellam.
O homem guarda ira contra o homem e, ao mesmo tempo, procura de Deus a cura.
IV. Et in hominem similem sibi non habet misericordiam, et de peccatis suis deprecatur.
Não tem compaixão daquele que é semelhante a si, e, contudo, suplica por seus próprios pecados.
V. Ipse dum caro sit reservat iram, et propitiationem petit a Deo. Quis exorabit pro delictis illius?
Sendo ele próprio carne e sujeito à fragilidade, conserva a ira e pede a Deus misericórdia. Quem intercederá por seus pecados?
VI. Memento novissimorum, et desine inimicari.
Recorda-te do fim e deixa de alimentar a inimizade.
VII. Tabitudo enim et mors imminent in mandatis.
A enfermidade e a morte se aproximam, e permanecem diante daquele que guarda a ira.
VIII. Memorare timorem Dei, et non irascaris proximo.
Recorda-te do temor de Deus e não te entregues à ira contra teu próximo.
IX. Memorare testamenti Altissimi, et despice ignorantiam proximi.
Recorda-te da aliança do Altíssimo e não te detenhas na ignorância do teu próximo.
Reflexão:
A ira aprisiona o instante quando transforma uma ferida passada em permanência interior.
O coração encontra profundidade quando deixa de reproduzir aquilo que recebeu e retorna à sua origem.
Perdoar não apaga o acontecido, mas impede que ele determine a forma futura do ser.
No instante acolhido diante de Deus, a alma reencontra uma ordem mais profunda que o impulso imediato.
Aquele que recorda seu próprio fim aprende a distinguir o essencial daquilo que passa.
A presença divina sustenta interiormente essa maturação, conduzindo o ser da reação à consciência.
Cada instante pode tornar-se encontro com a eternidade quando a alma se orienta para aquilo que permanece.
Na plenitude dessa interioridade, o perdão manifesta que o ser amadurece quando retorna à fonte que o sustenta.
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